Carneiro acusa Montenegro de estar "desligado da realidade" e de ser insensível à inflação
O secretário-geral do PS criticou esta quuinta-feira as palavras do primeiro-ministro sobre a subida da inflação, acusando-o de estar "desligado da realidade", e afirmou que os números da execução orçamental deviam fazer soar alarmes no Governo.
Esta posição foi assumida em declarações aos jornalistas, à entrada da reunião desta noite da Comissão Política Nacional do PS, na sede do partido, em Lisboa, a primeira desde que José Luís Carneiro foi reeleito secretário-geral dos socialistas.
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José Luís Carneiro defendeu que hoje foi tirada a "prova dos nove" com a divulgação da execução orçamental do primeiro trimestre de 2026, na qual se registou um significativo aumento da receita oriunda de impostos pagos sobre combustíveis.
"Como sempre afirmámos, o Governo estava a fustigar as famílias e as empresas com a carga fiscal e com o aumento dos impostos sobre os combustíveis", disse, considerando que os dados hoje conhecidos "devia fazer soar as campainhas de alarme ao Governo".
O líder do PS referiu também a estimativa rápida do INE divulgada hoje, segundo a qual a inflação acelerou para 3,4% em abril, para criticar o que considerou uma posição incompreensível do primeiro-ministro, acusando-o de estar "desligado da realidade".
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"Quando hoje ouvi ao primeiro-ministro dizer que não era preocupante os níveis de inflação que estão a atingir as pessoas, as famílias, as empresas, os trabalhadores, é caso para dizer que de desligado a realidade", criticou.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou hoje que o Governo sabe que a taxa de inflação subiu e que "o custo de vida está a aumentar", o que é preocupante, mas "não é ainda motivo para alarme".
Questionado sobre se não seria prudente guardar uma folga fiscal para um eventual agravamento do custo de vida, Carneiro referiu medidas tomadas por um executivo do PS devido à subida do preço no início da guerra na Ucrânia e acusou o Governo de "chegar tarde, responder mal ou responder forma insuficiente".
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"Pior do que isso é o Governo não mostrar sequer sensibilidade e o primeiro-ministro não mostrar sensibilidade para compreender as dificuldades por que as pessoas estão a passar", criticou ainda.
O líder do PS adiantou ainda que na reunião desta noite será discutido o Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) apresentado pelo Governo, um conjunto de propostas que considerou não passarem de "medidas de 'marketing'", como aconteceu com outras propostas apresentadas nos últimos dois anos pelos governos PSD/CDS-PP.
Carneiro considerou que este pacote representa o "25.º plano de propaganda" do Governo e disse já se ter verificado que "dois terços desse programa, afinal, eram medidas que já estavam em curso".
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"Agora, falta saber quais são os recursos que vão financiar esses investimentos, qual é o mapa de trabalhos que vai ser executado, quais são os municípios que vão beneficiar desses investimentos", acrescentou.
José Luís Carneiro foi ainda questionado sobre a revisão da lei laboral, na véspera do Dia do Trabalhador, mas não quis alongar-se, afirmando apenas que o Governo "já teve teimosia demais" nesta matéria.
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