Fed mantém juros na última reunião de Powell

O banco central dos Estados Unidos deixou a taxa de referência nos níveis de dezembro, entre 3,5% e 3,75%. A próxima reunião de política monetária, em junho, já deverá ser conduzida por Kevin Warsh.
Jerome Powell é presidente da Fed desde 2018.
Mark Schiefelbein / AP
Carla Pedro 19:00

A Reserva Federal (Fed) norte-americana manteve a taxa dos fundos federais no intervalo entre 3,5% e 3,75%, onde está desde dezembro. O anúncio não constituiu surpresa, já que era essa a decisão esperada da última reunião de política monetária de Jerome Powell na liderança do banco central. 

Apesar de os juros terem sido mantidos, foi notória uma divisão quanto à perspetiva para a política futura, num contexto de maior incerteza decorrente do conflito no Médio Oriente. Assim, houve 8 votos a favor do “status quo” e 4 contra.  

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Desses quatro responsáveis, apenas um deles, Stephen Miran, preferia que tivesse havido um corte dos juros, e de 25 pontos-base. Os restantes três  – Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan – até apoiaram a manutenção da taxa diretora nos níveis atuais, mas votaram contra por não concordarem em incluir na declaração a ideia de que há uma “tendência para um alívio” da política monetária.

Os responsáveis da Fed fizeram uma ligeira alteração na sua declaração, face à anterior, dizendo que “os desenvolvimentos no Médio Oriente contribuem com um elevado nível de incerteza quanto ao panorama económico”. Antes, diziam que as implicações do conflito, sobre a economia, eram incertas.

Na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio da decisão, Jerome Powell respondeu a uma das grandes dúvidas que têm pairado nos últimos tempos, ao dizer que continuará como governador da Fed durante mais algum tempo. É que apesar de o seu mandato como líder do banco central estar a terminar, o mandato como governador prolonga-se até janeiro de 2028. 

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Powell referiu também o que já se sabia: que seria a sua última conferência. Aproveitou para dar os parabéns a Kevin Warsh, que irá ser o seu sucessor, e declarou que irá manter um perfil discreto – imagem que, aliás, sempre o caracterizou. "A minha intenção é não interferir".

Powell tomou posse à frente da Fed em fevereiro de 2018, na primeira presidência de Donald Trump, tendo o mandato sido renovado em maio de 2022 por mais quatro anos - na presidência de Joe Biden. E é já no próximo dia 15 de maio que o atual líder da autoridade monetária deixa o cargo, se nessa altura o Senado já tiver aprovado o seu sucessor. 

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O nome escolhido por Trump para suceder a Powell foi Kevin Warsh, que nesta quarta-feira foi confirmado pelo Comité da Banca da câmara alta do Congresso. Falta agora todo o Senado votar e não se esperam surpresas, já que é de maioria republicana. A única incógnita, por agora, é a data em que essa votação ocorrerá, mas tudo aponta para que seja já no próximo mês, de modo a que Warsh – que foi governador da Fed entre 2006 e 2011 – possa presidir à próxima reunião de política monetária, agendada para 16 e 17 de junho.

Na audição perante o Senado, a 21 de abril, Warsh manifestou vontade de proceder a algumas mudanças na Fed – como reduzir o número de reuniões anuais, que são atualmente oito – e mostrou desejo se cortar os juros e reduzir o balanço da Fed.

(notícia em atualização)

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