Governo vai apresentar "muito em breve" plano para reduzir dependência dos combustíveis fósseis

A ministra do Ambiente enquadrou a necessidade de reduzir essa dependência no atual contexto de instabilidade geopolítica, com o conflito no Médio Oriente a pressionar os mercados energéticos e a reforçar a importância da autonomia energética.
Maria da Graça Carvalho
Hugo Delgado / Lusa - EPA
Lusa 21:59

 O Governo vai apresentar "muito em breve" um plano para reduzir "substancialmente" a dependência dos combustíveis fósseis, anunciou esta segunda-feira a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

"Estamos a trabalhar para apresentar muito em breve um plano para reduzir substancialmente a nossa dependência dos combustíveis fósseis", disse a governante, que falava na apresentação da proposta de Programa Setorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (PSZAER, defendendo que Portugal continua ainda muito dependente dos combustíveis fósseis no consumo total de energia, sobretudo nos transportes e na indústria.

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A ministra enquadrou a necessidade de reduzir essa dependência no atual contexto de instabilidade geopolítica, com o conflito no Médio Oriente a pressionar os mercados energéticos e a reforçar a importância da autonomia energética.

"Na eletricidade não podemos ir muito além, mas podemos ir um pouco mais", afirmou Maria da Graça Carvalho, apontando como prioridades as zonas de aceleração de renováveis, a ligação à rede, a armazenagem e a eletrificação de setores e da indústria.

A ministra referiu ainda o incentivo aos combustíveis renováveis, líquidos e gasosos, para setores de difícil eletrificação, como o transporte pesado de mercadorias, os navios e a aviação.

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Segundo Maria da Graça Carvalho, o objetivo é tornar Portugal "mais independente de oscilações geopolíticas e dependentes de preços que não controlamos do ponto de vista dos combustíveis fósseis".

"Isto, além da sustentabilidade, porque estamos a falar de proteção climática, de qualidade do ar, é também autonomia energética, autonomia do ponto de vista da segurança e do abastecimento", afirmou.

A governante defendeu que a autonomia energética é também "um fator de competitividade" para a indústria e para a economia.

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"Continuar esta aposta nas energias renováveis é um imperativo moral, no contexto da luta contra as alterações climáticas, além de um imperativo nacional no plano económico, no plano da nossa segurança e resiliência energética e no âmbito da competitividade da nossa economia", afirmou.

Maria da Graça Carvalho destacou que Portugal é "um caso de sucesso" na produção de eletricidade renovável, referindo que em janeiro o país atingiu 80,7% de eletricidade gerada a partir de fontes renováveis.

"Não é apenas um valor que nos orgulha, é também um registo que nos protege. E isso foi muito visível na atual situação de conflito e de crise energética", disse, considerando que a elevada incorporação de renováveis reduz o impacto de choques externos nos preços da eletricidade.

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Em causa está o conflito no Médio Oriente, iniciado no final de fevereiro e envolvendo EUA, Israel e Irão, que aumentou a tensão sobre os mercados energéticos, com perturbações no estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e gás. O bloqueio parcial daquela passagem tem contribuído para a subida dos preços da energia e para maior volatilidade nos mercados.

A ministra falava na apresentação dos mapas verdes das zonas de aceleração de energias renováveis, que identificam áreas com potencial para projetos solares e eólicos, mas que ainda não constituem uma versão definitiva.

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