Miranda Sarmento alerta para “linha vermelha” da soberania europeia face a ameaças dos EUA
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou esta terça-feira que a União Europeia está “profundamente unida” no apoio à Dinamarca e na defesa de uma “linha vermelha” que não pode ser ultrapassada: qualquer violação da soberania territorial de um Estado-Membro, numa referência direta às ameaças da administração norte-americana relacionadas com a Gronelândia.
No final da reunião dos ministros das Finanças da UE, Miranda Sarmento disse aos jornalistas que a questão foi amplamente discutida entre os ministros das Finanças, tanto do ponto de vista político como económico, sublinhando que as decisões finais caberão ao Conselho Europeu, que reúne quinta-feira. “Há um leque variado de possibilidades para responder a esta ameaça intolerável por parte da administração americana”, afirmou, acrescentando que o primeiro-ministro português apresentará aí a posição de Portugal.
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O governante evitou antecipar qual deverá ser a resposta concreta da União Europeia, incluindo o eventual recurso ao chamado instrumento de coerção ou a aplicação de tarifas de retaliação, estimadas em cerca de 93 mil milhões de euros, defendendo que o essencial é preservar, para já, uma janela de negociação com os Estados Unidos. “Temos ainda aqui uma janela temporal até 1 de fevereiro para ser possível continuar a dialogar com os Estados Unidos”, disse, lembrando declarações recentes do secretário do Tesouro norte-americano no mesmo sentido.
Questionado sobre a capacidade da UE para suportar os custos económicos de uma resposta mais dura às políticas do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o ministro considerou que a economia europeia “tem-se mostrado resiliente”, ainda que reconhecendo que alguns países enfrentam maiores dificuldades orçamentais e que uma escalada comercial teria impactos negativos de ambos os lados do Atlântico. “Ninguém ganha com esta escalada e com este eventual novo conflito comercial”, afirmou, sublinhando que o atual diferendo “já extravasa a racionalidade económica” e vai além da mera discussão sobre tarifas.
Miranda Sarmento comentou também as ameaças recentes de Washington de impor tarifas de 200% sobre o vinho francês, classificando-as como desprovidas de racionalidade económica, mas salientando que a UE não discute respostas “caso a caso” e que a abordagem passa por posições e ações comuns. Na sua leitura, a administração norte-americana estará “profundamente enganada” se acreditar que consegue dividir a Europa, traçando um paralelo com a unidade europeia face à guerra na Ucrânia e à crise energética.
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O ministro reiterou que Portugal se alinhará com a decisão que resultar do consenso europeu, mesmo que esta não coincida integralmente com a posição nacional. “O importante é que a Europa tenha uma posição de consenso e é nessa posição que nós estaremos”, concluiu.
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