O retrato-robô da riqueza do português comum
Quer um retrato-robô da riqueza da família portuguesa? Este é o quadro possível: tem uma casa de 91 mil euros, cerca de 11 mil euros em depósitos a prazo e um carro. Estas conclusões podem retirar-se do Inquérito à Situação Financeira das Famílias, publicado em Outubro do ano passado após um trabalho conjunto entre o INE e o Banco de Portugal. Os dados são de 2013, mas a fotografia pouco terá mudado de lá para cá.
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Os números vêm confirmar que Portugal é um país de proprietários. Três em cada quatro famílias são donas da casa onde vivem (ainda que possam estar a pagá-la ao banco). Para o português típico, ela tem um valor de 91 mil euros e representa metade do património material (por oposição ao financeiro). Porém, cerca de 30% dos agregados familiares declaram ter ainda um segundo (ou mais) imóvel. Somados, o património imobiliário pesa 80% na riqueza em activos físicos e cerca de 70% da riqueza total (incluindo activos financeiros).
Talvez mais surpreendente seja o facto de 73% das famílias – quase tanto como a percentagem relativa à casa própria – possuírem um veículo motorizado, com uma avaliação mediana de cinco mil euros.
Como seria de esperar, a esmagadora maioria (96%) é titular de pelo menos um depósito à ordem, mas o dinheiro que lá tem não impressiona. Quem declara ter conta à ordem fala em mil euros, número que sobe para 11 mil euros nos depósitos a prazo – quase metade da média europeia. Activos transaccionáveis como acções ou obrigações estão reservados a 8% das famílias, uma percentagem que sobe para 17% no caso dos Planos Poupança Reforma.
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Ricos têm mais rendimentos e estudos
Esta é a descrição do património do português típico que, tratando-se de um inquérito, depende naturalmente da avaliação que é feita pelas próprias famílias. Mas a informação trabalhada pelo Banco de Portugal e pelo INE permite maior detalhe. A primeira informação que salta à vista é que a riqueza tem uma enorme correlação com os rendimentos auferidos (salários, rendas, juros ou dividendos). "Entre todas as variáveis, o rendimento é a que tem maior correlação" com a riqueza, refere Sónia Costa, economista do Banco de Portugal e responsável pelo estudo sobre a realidade nacional, realizado em conjunto com o INE. Também o nível de qualificações parece ser uma pista importante para saber se alguém é mais ou menos rico.
Quanto ao factor idade, não existe uma ligação tão forte como se poderia supor com os níveis de riqueza, uma vez que ela segue o ciclo da vida: é ascendente até aos 55-64 anos e começa a diminuir a partir daí. Onde a correlação é muito forte é nos depósitos: os depósitos a prazo de pessoas com mais de 65 anos mais que triplicam face aos jovens com menos de 35 anos.
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Ter ou ser patrão? Eis a questão
Um factor que se destaca na análise da riqueza é a condição perante o trabalho: dito de forma simples, quem é patrão de si próprio vive melhor do que quem tem patrão. Os trabalhadores por conta própria têm, tendencialmente, mais activos e estes são muito mais valiosos: por exemplo, 84% têm casa própria (contra 76% dos assalariados) e esta vale 13% mais. A diferença é maior quando se olha para os segundos imóveis: valem em média mais 60%.
Ao nível dos activos nos bancos, o contraste é ainda mais evidente: os depósitos a prazo dos patrões são 50% superiores aos dos empregados; o valor depositado em PPR é três vezes maior; e o dinheiro colocado noutros activos financeiros quadruplica.
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Nos objectos de valor, tais como jóias e obras de arte, também se confirma a diferença de estatuto: 12% dos patrões declaram ter jóias, percentagem que desce para 9% entre os trabalhadores por conta de outrem. Porém, nas mãos dos primeiros estes objectos valem o dobro.
E claro, a diferença principal: o peso dos negócios por conta própria que, apesar de todas as diferenças referidas, surge como a principal distinção na composição de riqueza dos patrões face aos empregados.
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Quanto dinheiro e património tem alguém que ganhe o mesmo que eu? É a esta pergunta que o Negócios tenta dar resposta. Nesta infografia interactiva, escolha as opções que mais se aproximam do seu caso concreto e compare-se. Partindo das cinco classes de rendimento, dizemos-lhe qual a riqueza típica dos portugueses em cada um desses níveis, bem como o valor mediano dos bens e activos que possuem. Carregue nos ícones para avançar e descobrir onde se enquadra.
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