Putin deverá ser escolhido para liderar Rússia nos próximos seis anos
Seja como for, o próximo presidente da Federação da Rússia para os próximos seis anos (mandatos têm agora mais dois anos) parece estar escolhido à partida, tanto mais que os quatro oponentes de Putin neste domingo se apresentam, face às últimas intenções de voto projectadas, com poucas hipóteses de lhe fazerem frente.
As diferentes forças de oposição ao partido Rússia Unida, de Putin, alegam contudo, de acordo com as agências internacionais, que a campanha eleitoral decorreu de forma pouco clara e de modo a beneficiar o homem que já esteve no Kremlin por duas vezes.
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Uma sondagem da associação independente russa Levada-tzentr indica que Putin deverá vencer à primeira volta com 66%, enquanto o primeiro dos seus opositores, o líder comunista Guennadi Ziuganov, surge com 10,8% das intenções de voto. A terceira escolha dos eleitores, segundo esta sondagem, é ultranacionalista Vladimir Jirinovski, com 8,9%, seguindo-se-lhe o multimilionário Mikhail Prokhorov, com 5,6%, e Serguei Miranov, dirigente do Partido Rússia Justa, com 4,3%.
Seja quais forem os resultados expressos nas urnas, um dos primeiros desafios a que Putin terá de dar resposta é à contestação da oposição nas ruas, que já anunciou a realização de manifestações, em Moscovo e noutras cidades russas, em defesa das liberdades individuais dos cidadãos.
Outros desafios do próximo presidente
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A nível interno, a necessidade de diversificação da economia russa é o desafio central que o próximo presidente russo tem pela frente, sustenta ao Negócios a investigadora Raquel Freire, docente da Universidade de Coimbra e autora do livro A Rússia de Putin .
Actualmente, a Rússia faz assentar a sua economia numa dimensão monosectorial, concentrada essencialmente na exploração de petróleo e gás natural, produtos que correspondem a mais de 70% das suas exportações.
Outra das respostas que terá pela frente previsivelmente Vladimir Putin sé a da modernização das forças armadas, o que poderá envolver gastos na ordem dos 590 mil milhões de euros. É uma tarefa difícil, sobretudo no actual contexto de crise mundial, mas que o novo inquilino do Kremlin não deixará de querer concretizar, ainda que parcialmente.
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A nível externo, a investigadora Raquel Freire sustenta que se manterá na agenda a questão do escudo de defesa antimíssil que tem marcado o diferendo Rússia-EUA.
Os dossiês Irão e Síria serão também fundamentais nos próximos meses. E Putin não deixará também de estar atento ao Afeganistão, tendo em conta a diminuição da presença da ONU e de forças norte-americanas no terreno, algo que a Rússia receia, por poder causar instabilidade numa área geograficamente próxima e essencial na sua política externa.
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