Santana acusa Sócrates de fazer "batota" e enganar portugueses

O ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes acusou hoje o seu sucessor, José Sócrates, que enfrentou nas legislativas de 2005, de fazer "batota" e enganar os portugueses com promessas que agora não cumpre.
Negócios com Lusa 23 de Outubro de 2006 às 14:30

O ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes acusou hoje o seu sucessor, José Sócrates, que enfrentou nas legislativas de 2005, de fazer "batota" e enganar os portugueses com promessas que agora não cumpre.

Na sua crónica semanal na rádio TSF, Santana Lopes afirmou que "dizer uma coisa e fazer o seu contrário é a chamada batota política", referindo-se às decisões do Governo de introduzir taxas na saúde e portagens nas auto-estradas SCUT (sem custos para o utilizador) do Norte Litoral, Costa da Prata e Grande Porto.

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"Das taxas moderadoras as pessoas lembram-se menos e é natural. Agora haver ou não portagens nas SCUT foi um tema muito falado na campanha eleitoral", salientou o ex-líder do PSD.

"O actual primeiro-ministro disse várias vezes no debate que fez comigo nessa campanha, aliás, em dois debates, disse-o há semanas na inauguração do novo IP5, disse em várias ocasiões que com ele não haveria portagens nessas mesmas SCUT a não ser daqui a uns anos, quando o nível de desenvolvimento dessas terras já o permitisse", referiu.

"De repente o país foi surpreendido por essa notícia. Ora, como as pessoas hão-de compreender, não é a mesma coisa ir para uma campanha dizer que não há taxas na saúde, que não se aumenta impostos, que se põe portagens nas auto-estradas ou dizer o contrário", completou.

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Santana Lopes argumentou que "ir para campanha defender essas medidas difíceis naturalmente tem custos e tem custos, por exemplo, nos distritos Viseu, Guarda, Castelo Branco, no Algarve todo", que "não é fácil e tem consequências eleitorais" e concluiu que "dizer uma coisa e fazer o seu contrário é a chamada batota política".

"A partir daqui, cada vez mais, se quando se vai para eleições vale dizer o contrário, só o que as pessoas querem ouvir, que é para se ter o poder e uma vez tendo o poder fazer o seu contrário, isso sinceramente não vale. Porque política não pode continuar a ser feita assim. Se for com decência, com verdade, se for bonito", lamentou.

O primeiro-ministro rejeitou sábado, em Viseu, que tenha quebrado um compromisso eleitoral ao anunciar a introdução de portagens em três das sete SCUT, sustentando que "sempre disse" que estas se manteriam enquanto as respectivas regiões tivessem níveis de desenvolvimento muito abaixo da média nacional e não houvesse vias alternativas.

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José Sócrates disse que é esse o princípio incluído no Programa do Governo, onde se lê que as SCUT "deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiverem as condições que justificaram, em nome da coesão nacional e territorial, a sua implementação, quer no que se refere aos indicadores de desenvolvimento socio-económico das regiões em causa, quer no que diz respeito as alternativas de oferta no sistema rodoviário".

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