UE: Confiança dos consumidores no nível mais baixo desde 2022
A confiança dos consumidores na Zona Euro e na União Europeia (UE) atingiu este mês o nível mais baixo desde o final de 2022, significativamente abaixo da média de longo prazo e mantendo a tendência de queda livre registada desde que, em fevereiro, os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão. Os dados, conhecidos esta quarta-feira, são da Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia e dão conta de que, em toda a UE, este indicador diminuiu em abril 4,0 pontos percentuais (p.p.) em comparação com março. Olhando apenas para os países da Zona Euro, a queda foi de 4,2 p.p., situando-se agora os índices da UE e países do euro, respetivamente, nos -19,4 pontos e -20,6 pontos.
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Estes são dados divulgados todos os meses pela Comissão Europeia e têm por base inquéritos feitos aos consumidores, sendo que a estimativa rápida, agora divulgada, permite concluir que a deterioração da confiança coincide com o período de recolha de dados entre 1 e 21 de abril, sob o impacto continuado das tensões geopolíticas e da subida de preços associada ao conflito no Médio Oriente.
O indicador de confiança dos consumidores é calculado com base em dados de inquéritos aos consumidores da UE, abrangendo as despesas e o consumo final privado. Em março, o índice de confiança das famílias da Zona Euro tinha já afundado com uma queda profunda, com o indicador a atingir um mínimo de dois anos. A tendência prossegue agora, evidenciando as expectativas mais negativas, num marcador que o Banco Central Europeu (BCE) mantém sob vigilância. A antecipação de maiores subidas de preços, por empresas e famílias, antes mesmo de estas ocorrerem, é um risco para a estabilização da inflação deste fator poderá depender a decisão de aumentar juros, ainda que seja reconhecido que a ação da política monetária é ineficaz perante um choque nos preços dos bens energéticos.
No mês passado, o BCE reviu em alta a sua estimativa de inflação, esperando agora que os preços no consumidor cresçam 2,6% este ano, mais 0,7 pontos percentuais do que o esperado em dezembro. É esperado um regresso aos 2% em 2027 e uma ligeira subida para os 2,1% em 2028. Foram também revistas as previsões de crescimento económico, com o BCE a esperar agora apenas 0,9% de subida do PIB da Zona Euro neste ano. Para 2027, prevê um crescimento de 1,3%, e para 2028 de 1,4%.
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No World Economic Outlook (WEO) divulgado na semana passada, o FMI reviu em baixa a projeção de crescimento económico, antecipando para que o PIB da Zona Euro abrande de 1,4% em 2025 para 1,1% em 2026, recuperando ligeiramente para 1,2% em 2027. Já para a inflação, a organização sediada em Washington aponta para uma aceleração este ano para os 2,6%, abrandando para 2,2% em 2027.
As perspetivas mais pessimistas surgem devido ao impacto do conflito no Médio Oriente, desencadeado após o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão a 28 de fevereiro, e o consequente encerramento do estreito de Ormuz a destruição de infraestruturas energéticas, bem como a incerteza em torno da duração e extensão geográfica do conflito.
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Ainda esta quarta-feira, o economista-chefe do BCE, Philippe Lane, sublinhou que ainda não é claro qual será a dimensão do impacto que a guerra com o Irão irá causar na economia da Zona Euro.
"Ninguém sabe ao certo quanto tempo esta situação irá durar e, até à próxima semana, duvido que tenhamos clareza sobre isso", afirmou Lane, referindo-se à reunião de política monetária do BCE do final deste mês. "Enquanto não soubermos melhor quanto tempo esta guerra vai durar, é realmente difícil saber se isto se revelará uma fase temporária ou um choque muito maior para a economia europeia."
Num debate em Frankfurt, Lane salientou que o conflito é um "choque significativo", mas também reconheceu que "não viu nada no último mês que contradiga a informação que tínhamos na nossa reunião de março entre o cenário de base e os nossos cenários adversos."
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