UE irá defender-se de desequilíbrios e sobrecapacidade no comércio global, diz von der Leyen
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, salientou esta segunda-feira os "desafios" para a competitividade económica dos 27 representados pelos "desequilíbrios" e capacidade excedentária no comércio global, assegurando que bloco aceita dialogar, mas "defenderá os seus interesses".
"O trabalho começa em casa, reduzindo os custos energéticos e facilitando a vida às empresas em toda a Europa, mas não termina aí", alertou a chefe do executivo europeu numa mensagem nas redes sociais, após uma conversa com outros líderes, que não nomeou, sobre a competitividade económica europeia, tema que será abordado na cimeira de chefes de Estado e de Governo a 18 e 19 de junho.
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"Os desequilíbrios e a sobrecapacidade no comércio global representam desafios. Abordaremos estas questões diretamente no Conselho Europeu. Damos prioridade às parcerias, continuamos abertos ao diálogo e defendemos os nossos interesses", acrescentou Von der Leyen.
A mensagem não menciona diretamente a China, foco de aceso debate em Bruxelas, incluindo uma discussão, há duas semanas, entre os comissários da própria Von der Leyen sobre a posição da UE perante Pequim.
Os 27 Estados-membros não têm uma posição unânime sobre a relação comercial com a China. A França e a Itália lideram o grupo de países que defendem uma postura mais firme para proteger a indústria europeia dos subsídios públicos recebidos pelas empresas chinesas, enquanto a Espanha e a Alemanha pedem cautela.
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Por seu lado, Pequim tem descrito repetidamente as medidas da UE como "protecionistas" e instado-a a respeitar os princípios do comércio livre, ameaçando também tomar "as medidas necessárias" para defender os seus interesses.
Em 2024, o comércio UE-China em bens e serviços ultrapassou os 845 mil milhões de euros, sendo Pequim o terceiro maior parceiro comercial da UE em bens e serviços, enquanto a UE é o principal parceiro comercial da China.
No entanto, o desequilíbrio é marcante: em 2024, a UE exportou bens no valor de 213,2 mil milhões de euros para a China e importou bens no valor de 519 mil milhões, resultando num défice comercial superior a 300 mil milhões de euros.
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A tendência de longo prazo agrava este fosso: entre 2014 e 2024, as importações da UE provenientes da China aumentaram mais de 102%, enquanto as exportações europeias para a China cresceram apenas cerca de 47%.
A situação deteriorou-se ainda mais em 2025, quando a UE exportou 199,6 mil milhões de euros em bens para a China e importou 559,4 mil milhões, resultando num défice comercial de 359,8 mil milhões de euros. Face a 2024, as exportações europeias para a China caíram 6,5%, enquanto as importações aumentaram 6,4%.
O setor automóvel tornou-se o epicentro das tensões. A Comissão Europeia estima que a participação das marcas chinesas no mercado da UE aumentou de menos de 1% em 2019 para 8%, podendo chegar a 15% em 2025, com preços normalmente 20% inferiores aos dos modelos fabricados na UE.
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Em resposta, a UE impôs tarifas de até 45% sobre veículos elétricos da China, após uma investigação ter concluído que a China subsidia injustamente a sua indústria.
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