Vítor Gaspar questiona se mundo está preparado para política ter precedência sobre economia e finanças
O ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar questionou esta terça-feira se existe preparação para um mundo em que a política tem precedência sobre a economia e as finanças, defendendo que se vive um período de perigos e convulsões.
Numa cerimónia na Católica-Lisbon SBE, onde recebeu o Prémio Carreira 2026, Vítor Gaspar, que é investigador no Instituto de Estudos Políticos, sinalizou que os seus interesses agora se centram em questões de ciência política, nomeadamente nos aspetos políticos da economia e das finanças.
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O ex-ministro citou o economista Adam Smith quando disse, numa tradução própria, que "a defesa tem precedência sobre a prosperidade", salientando essa questão num contexto em que se verificam "perigos, convulsões e as culturas do mundo de hoje".
Gaspar decidiu terminar o discurso com uma pergunta: "Será que estamos preparados para um mundo em que a política tem precedência sobre a economia e as finanças?", questionou.
Neste discurso, o economista também falou sobre os primeiros vencedores deste prémio, Isabel Jonet e Sérgio Rebelo, destacando a liderança e empreendedorismo da primeira e as capacidades e generosidade do segundo.
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Gaspar foi ministro das Finanças entre 2011 e 2013, e entre 2014 e 2025 desempenhou funções como diretor do Departamento de Finanças Públicas do Fundo Monetário Internacional, estando reformado desde dezembro de 2025.
A cerimónia contou com a presença de figuras como Carlos Costa, ex-governador do Banco de Portugal (BdP), e Pedro Passos Coelho, ex-primeiro-ministro. Vítor Gaspar cumprimentou-os no início do discurso, referindo-se a Passos Coelho como o seu "chefe" no seu "breve período de governo", e a Carlos Costa também como "chefe" enquanto era governador do BdP e Gaspar lá trabalhava.
A apresentação de Vítor Gaspar foi feita por Vítor Bento, professor na Católica e também presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), onde defendeu que este teve de desempenhar a função de ministro das Finanças "numa altura particularmente difícil para o país", numa referência ao período da ajuda externa, e que o país "não lhe deu reconhecimento pelo sacrifício que fez pelo bem de todos".
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