Excedente comercial da UE encolhe para menos de um quarto no primeiro trimestre

Nos primeiros três meses do ano, os Estados-membros exportaram mais 12,7 mil milhões de euros em mercadorias do que importaram. Mas esse excedente comercial reduziu-se significativamente devido à guerra no Irão e à subida do preço da energia. Excedente com EUA diminuiu mais de 50%.
Excedente comercial da UE encolheu para 12,7 mil milhões de euros no primeiro trimestre do ano.
Luís Guerreiro
Joana Almeida 12:00

O excedente comercial da União Europeia (UE) encolheu, em termos homólogos, para menos de um quarto no primeiro trimestre do ano, segundo divulgados esta terça-feira. Embora as trocas comerciais dos 27 se tenham mantido positivas, a subida dos preços da energia, impulsionada pela guerra no Irão, pressionou o saldo comercial, refletindo a forte dependência europeia de combustíveis importados.

Nos primeiros três meses do ano, as exportações de mercadorias dos Estados-membros superaram as importações em 12,7 mil milhões de euros. O valor compara com um excedente comercial de 23,6 mil milhões observado no último trimestre de 2025 e com 52 mil milhões registados em igual período homólogo. Isso significa que o saldo comercial da UE contabilizado entre janeiro e março diminui quase para metade do valor do trimestre anterior e menos de um quarto do valor homólogo.

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O Eurostat dá conta de que a redução do excedente comercial dos 27 foi impulsionada por "múltiplos fatores", sendo que houve "dois acontecimentos que desempenharam um papel particularmente crítico": as tensões comerciais com os Estados Unidos e o forte aumento nos custos da energia.

A expectativa de novas tarifas norte-americanas levou, por um lado, a um aumento das exportações da UE para os Estados Unidos no arranque de 2025, o que prejudica a comparação homóloga. Já o aumento dos custos da energia fez disparar o valor das importações, reduzindo ainda mais o excedente comercial europeu.

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A diminuição homóloga do excedente comercial no primeiro trimestre é explicada sobretudo pela redução do excedente nas trocas de produtos químicos e maquinaria. Em comparação com igual período homólogo, o excedente nos produtos químicos encolheu 48,1% para 47,2 mil milhões de euros e o excedente nos produtos químicos diminuiu 46,4% para 27,8 mil milhões.

Já o défice na energia reduziu-se de -85,3 mil milhões no primeiro trimestre de 2025 para -72,2 mil milhões, sendo que, no arranque do ano passado, houve alguma antecipação de encomendas de energia aos Estados Unidos em antecipação de tarifas, o que prejudica a análise.

Porém, quando comparado com o trimestre anterior, verifica-se que o défice comercial na energia aumentou no arranque do ano. Passou de -64 mil milhões para -72,2 mil milhões. A explicar essa subida estive sobretudo o fator preço. Com – via marítima por onde passa 20% do petróleo e gás consumido em todo o mundo –, o valor das importações registou um acréscimo significativo, afundando ainda mais o défice estrutural da UE nesse tipo de produtos.

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Comércio internacional
Eurostat

Recorde-se que, em março – o primeiro mês desde o início da guerra no Irão – o . Os dados preliminares do Eurostat revelam que a pressionar o saldo esteve sobretudo o agravamento do défice energético dos 17, acompanhado por uma forte diminuição do excedente comercial registado nos produtos químicos e em máquinas e veículos.

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Nos primeiros três meses do ano, os 27 Estados-membros exportaram 640,5 mil milhões de euros em bens, um valor que compara com 701,9 mil milhões em igual período de 2025. Em sentido contrário, importaram 627,8 mil milhões, menos 21,4 mil milhões do que no mesmo período do ano passado.

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Analisando por principais parceiros comerciais europeus, verifica-se que o maior excedente comercial da UE nos primeiros três meses do ano verificou-se nas trocas com o Reino Unido (49,1 mil milhões). O valor superou o saldo positivo registado nas trocas comerciais com os Estados Unidos (33,5 mil milhões), que, até à guerra comercial, eram o parceiro com o qual os 27 tinham relações comerciais mais positivas. Em comparação com igual período do ano passado, o excedente da UE com o mercado norte-americano afundou 58,3% no primeiro trimestre.

Em sentido contrário, o maior défice comercial da UE foi registado com a China (-97,7 mil milhões de euros) e que, em comparação com o ano anterior, agravou-se em 8,4% (mais quase 7 mil milhões).

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