Exportações de bens afundam 14% no arranque do ano. Importações acompanham queda

Em janeiro, tanto as exportações portuguesas de bens como as importações caíram. Queda nas vendas foi mais expressiva, o que contribuiu para agravar o défice da balança comercial de bens. Segundo o INE, o défice aumentou para 2.510 milhões de euros.
Exportações portuguesas de bens caíram 14,1% no primeiro mês de 2026.
Miguel Baltazar/Negócios
Joana Almeida 11:12

O primeiro mês do ano foi de queda nas trocas comerciais nacionais, segundo esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). As exportações portuguesas de bens afundaram 14,1% em janeiro, em comparação com igual período do ano passado, ao passo que as importações caíram em menor dimensão, o que contribuiu para agravar o défice comercial de bens.

Em janeiro, Portugal exportou um total de 6.056 milhões de euros em mercadorias, um valor que compara com 7.051 milhões registados em janeiro do ano passado. A queda é justificada pelo decréscimo das exportações para a Alemanha (-44,3%), que é o segundo principal cliente das mercadorias nacionais, e para Espanha (-7,4%), o maior cliente. No caso da Alemanha, verificou-se uma diminuição dos fornecimentos industriais, em particular produtos químicos. Já em Espanha, a diminuição das exportações resultou, essencialmente, da redução dos combustíveis e lubrificantes e dos fornecimentos industriais.

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No que toca às importações, o país comprou um total de 8.566 milhões de euros em mercadorias ao exterior em janeiro, o que traduz uma queda de 2,5% face a igual mês do ano passado. A explicar essa diminuição esteve sobretudo o "acentuado decréscimo" das importações provenientes da Irlanda (-85,9%), que é oitavo maior fornecedor do país. Essa queda eclipsou o aumento das importações provenientes dos Países Baixos (+38,9%), que ocupa o quarto lugar no ranking de fornecedores nacionais.

Com as importações a crescerem a um ritmo superior ao das exportações, o défice da balança comercial de bens aumentou para 2.510 milhões de euros, refletindo um agravamento de 778 milhões de euros face a janeiro do ano anterior.

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As transações sem transferência de propriedade (ou seja, com vista ou na sequência de trabalhos por encomenda, com vista ao processamento ou transformação de bens pertencentes a outros países) tiveram um efeito positivo tanto nas exportações como nas importações. Sem contar com este tipo de transações, "o decréscimo foi menos acentuado em ambos os fluxos" em janeiro: a taxa de variação das exportações foi de -5,1% e a das importações foi de -0,7%.

Excluindo as transações sem transferência de propriedade, Portugal arrancou o ano com um défice de 2.372 milhões de euros, que corresponde a um agravamento de 257 milhões face a janeiro de 2025.

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A ajudar na queda das trocas comerciais, esteve a desinflação nos preços dos bens transacionados. Segundo o INE, o índice de valor das mercadorias exportadas passou de -2,6% para -3% em janeiro, o que tem reflexo no valor total exportado já que se trata de valores nominais (que não excluem o efeito dos preços). No caso das importações, o índice de valor de cada unidade importada passou de -0,8% para -4,1% em janeiro.

(notícia atualizada pela última vez às 11:52)

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