Fórum para a Competitividade: Guerra no Irão traz sete "incógnitas" ao crescimento do PIB
O Fórum para a Competitividade avisa que o ataque militar dos Estados Unidos e Israel ao Irão traz "riscos significativos" ao crescimento económico deste ano, mas é ainda cedo para avançar com uma previsão do impacto que terá. A entidade liderada por Pedro Braz Teixeira adianta que há sete "incógnitas" que é crucial esclarecer para avaliar o impacto do conflito no produto interno bruto (PIB) português.
Uma das "incertezas maiores e mais importantes" é a duração do conflito. "Como será óbvio, perturbações durante poucas semanas ou por longos meses terão repercussões completamente diferentes", refere o Fórum para a Competitividade, na nota de conjuntura de fevereiro enviada ao Negócios. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já referiu que a guerra pode durar "entre quatro a cinco semanas" e é certo que, quanto mais prolongado for o conflito, maior será o impacto na economia.
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Outra das "incógnitas" é a subida dos preços do petróleo e gás natural. Até esta quarta-feira, os preços do petróleo estavam a subir cerca de 20% e os do gás natural avançavam quase 60%. "Mas a sua evolução ainda pode variar imenso com o decorrer do conflito", alerta o Fórum para a Competitividade. A essa "incógnita", acresce o bloqueio no estreito de Ormuz, que "poderá aumentar muito as perturbações sobre a economia mundial".
"Portugal importa cerca de 60% da energia que consome, pelo que será especialmente afetado pelo aumento do seu preço, que já se está a sentir", refere. No entanto, o país não depende diretamente da energia que passa no estreito de Ormuz e tem reservas para quase três meses de consumo.
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Além dos efeitos diretos da subida dos preços da energia, o Fórum para a Competitividade alerta ainda para os efeitos indiretos de desaceleração da economia dos principais parceiros comerciais de Portugal. A amplitude desses efeitos indiretos vai depender também da duração do conflito, preços da energia e do bloqueio no estreito de Ormuz.
A entidade liderada por Pedro Braz Teixeira nota que há também a considerar o impacto sobre o turismo, que "poderá sofrer com a subida dos preços dos combustíveis" e que tem sido um fator-chave para o crescimento do PIB português. "Poderá haver algum desvio do turismo das zonas do conflito para outras regiões e Portugal poderá beneficiar com isto, mas de forma limitada", diz.
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Por outro lado, a subida dos preços da energia vai obrigar os bancos centrais vai ter implicações sobre a política monetária. A subida do preço da energia pode fazer aquecer a inflação e obrigar o Banco Central Europeu (BCE) a avançar com uma subida das taxas de juro. Porém, o arrefecimento da economia pode vir a recomendar uma atuação em sentido oposto, deixando o BCE numa "posição difícil".
Por fim, o Fórum para a Competitividade destaca ainda os efeitos sobre os mercados financeiros. As bolsas reagiram em queda ao ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irão e o petróleo escalou.
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Assim, conclui que o nível de incerteza está demasiado elevado para avançar com uma estimativa de impacto da guerra no PIB nacional. "O ano de 2026, que se anunciava relativamente benigno, mas com riscos significativos, está agora com perspetivas mais negativas", refere.
Essas perspetivas "negativas" adensam-se tendo em conta que o PIB de 2026 deverá ser impactado também pelo comboio de tempestades que abalou o país desde o final de janeiro até meados de fevereiro.
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"As tempestades terão tido um impacto negativo sobretudo no primeiro trimestre, com a redução da produção nas zonas afetadas e redução de vendas do resto do território, mas poderão conhecer alguma recuperação, sobretudo devido às atividades de reconstrução e reparação dos danos físicos", diz.
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