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Dívida das famílias portuguesas cai para mínimo de nove anos  

Desde 2010, o endividamento das famílias portuguesas baixou 15%, num total de 24,8 mil milhões de euros.  

Pessoas consumo consumidor Chiado
Pessoas consumo consumidor Chiado Miguel Baltazar/Negócios
22 de Dezembro de 2016 às 14:39

As famílias portuguesas continuam a liderar o processo de desalavancagem da economia portuguesa, sendo que após cinco anos consecutivos de descida da dívida esta atingiu em Outubro o valor mais baixo desde 2007, primeiro ano para o qual o Banco de Portugal disponibiliza dados.

O endividamento total dos particulares situava-se em 143.575 milhões de euros em Outubro, depois de no anterior ter pela primeira vez quebrado em baixo a fasquia dos 144 mil milhões de euros.

Tendo em conta esta evolução, é já possível garantir que 2016 será o sexto ano consecutivo de descida no valor da dívida das famílias portuguesas. Nos primeiros 10 meses do ano o endividamento recuou 1,3%, prolongando a tendência de descida registada em todos os cinco anos anteriores (-2,6% em 2015; -2,3% em 2014; -3,7% em 2013; 3,6% em 2012 e -2,7% em 2011).

Comparando Outubro deste ano com o final do último ano de subidas (Dezembro de 2010), o endividamento das famílias portuguesas baixou 15%, num total de 24,8 mil milhões de euros. O peso da dívida na economia estava no terceiro trimestre nos 78,36% do PIB, o que compara com os mais de 90% verificados em 2007.

Uma redução saudável que é explicada pelo travão no crédito às famílias por parte dos bancos, mas também pela recessão que obrigou os particulares a cortar no consumo. A descida das taxas de juro para mínimos históricos também contribuiu para baixar o endividamento das famílias, que assim conseguem abater todos os meses uma maior parcela do capital em dívida.

Não são só as famílias que estão menos endividadas, mas lideram claramente o movimento de desalavancagem da economia portuguesa. As empresas privadas chegaram a Outubro deste ano com uma dívida de 266.203 milhões de euros, ligeiramente acima do registado em Setembro e em linha com o verificado no final do ano passado. Não é assim certo que 2016 seja mais um ano de descida do valor da dívida das empresas portuguesas, tal como aconteceu em 2015 (-1,7%), 2014 (-2,5%) e 2012 (-3,6%). Nestes quatro anos o endividamento baixou 7,6%.

Somando a dívida das famílias e das empresas privadas, à das companhias públicas e administrações públicas, o endividamento do sector não financeiro atingiu em Outubro 719,8 mil milhões de euros, dos quais 310 mil milhões respeitavam ao sector público e 409,8 mil milhões ao sector privado.

O Banco de Portugal assinala que o endividamento do sector não financeiro diminuiu 500 milhões de euros, com uma descida mais acentuada no sector público, devido "sobretudo, à redução do financiamento externo, que foi parcialmente compensada pelo incremento do financiamento pelas próprias administrações públicas, pelo sector financeiro e pelos particulares.

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