Conjuntura Em 30 anos, indicador de clima económico "acertou" 93% das vezes no PIB

Em 30 anos, indicador de clima económico "acertou" 93% das vezes no PIB

Nem sempre as previsões meteorológicas acertam com precisão nos graus centígrados. Mas no que toca à economia, em particular o PIB, o INE tem sido certeiro a antecipá-lo através do clima económico.
Tiago Varzim 01 de junho de 2019 às 10:00
Há três décadas que o Instituto Nacional de Estatística (INE) publica mensalmente o clima económico, um indicador que tenta apurar o andamento da economia portuguesa com base em respostas dos agentes económicos. Em termos simples, durante esse período, o indicador "acertou" 93% das vezes no PIB que é divulgado a cada trimestre. 

O indicador de clima económico é construído com base nos inquéritos qualitativos feitos às empresas, cobrindo a indústria transformadora, o comércio, a construção e os serviços. A par do indicador coincidente do Banco de Portugal é um dos indicadores que permite ter leituras mensais sobre o estado da economia portuguesa. 

"Tratando-se de um indicador qualitativo, na medida em que se baseia em inquéritos de opinião, é de salientar a sua elevada correlação linear (0,93) com a taxa de variação homóloga do PIB em volume, assim como a sua utilidade na identificação dos momentos de viragem do ciclo económico da economia portuguesa", assinalou o INE na publicação de maio divulgada esta semana. 

Em termos estatísticos, uma correlação superior a 0,9 significa que a relação entre as duas variáveis - o clima económico e o PIB - é muito forte, o que leva o gabinete de estatística a classificar este indicador como "particularmente valioso".

O clima económico é usado para a análise de conjuntura em termos mensais e, face ao PIB, tem a vantagem de ser divulgado com menor desfasamento da realidade. Por exemplo: o PIB do primeiro trimestre de 2019 foi divulgado a meio de maio enquanto o clima económico de março estava disponível a meio de abril. 

"O gráfico seguinte permite observar os comportamentos em conjunto do ICE (média mensal em cada trimestre) e da taxa de variação homóloga do PIB em volume, sendo muito visíveis em particular os episódios de contração da atividade económica em 1993, 2003, 2009 e 2013", detalha o INE.
Após 30 anos, começa agora uma nova fase do indicador com uma série renovada que é ajustada de sazonalidade. "Estas alterações não produziram contudo diferenças significativas no comportamento do ICE", nota o INE.



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