Inflação na Zona Euro acelera para 2,5% em março. Preços da energia disparam 5% com guerra no Irão
Estimativa rápida do Eurostat aponta para uma forte aceleração dos preços de venda aos consumidores europeus devido à guerra no Irão. Taxa de inflação na Zona Euro em março afastou-se da meta do BCE. Energia é agora a componente a subir a um ritmo mais rápido.
- 2
- ...
A variação homóloga da taxa de inflação na Zona Euro terá acelerado para 2,5% em março, segundo a estimativa rápida do Eurostat divulgada esta terça-feira. O valor compara com uma taxa de 1,9% registada em fevereiro. Esta aceleração nos preços de venda aos consumidores europeus é explicada sobretudo pelo disparo nos preços dos combustíveis, em resultado do conflito militar no Irão.
Entre as quatro grandes componentes do índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC), a energia terá sido a que registou a maior aceleração homóloga de preços em março, levantando receios de novas pressões inflacionistas. O IHPC relativo à energia, que estava até aqui em valores negativos, terá subido de -3,1% para 4,9% em março, segundo o Eurostat. Essa subida é explicada pela escalada nos preços do petróleo e gás, devido ao bloqueio do Irão ao estreito de Ormuz – via marítima fundamental por onde passa 20% do petróleo e gás consumido em todo o mundo – em resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE) defende que a Zona Euro pode estar perante um "verdadeiro choque" energético e promete que o banco central não vai ficar "paralisado" pela incerteza. "Não agiremos antes de termos informação suficiente sobre a magnitude e persistência do choque e a sua propagação. Mas não nos deixaremos paralisar pela hesitação: o nosso compromisso de alcançar uma inflação de 2% a médio prazo é incondicional", referiu numa conferência em Frankfurt, depois de ter decidido manter as taxas de juro inalteradas.
Com a escalada dos preços da energia, os serviços deixaram de ser a componente do IHPC a registar as maiores taxas de variação homóloga. Em março, o IHPC relativo aos serviços terá aliviado de 3,4% para 3,2%, retomando a trajetória decrescente que foi interrompida no último mês. Os restaurantes e hotéis têm contribuído, em grande medida, para a subida dos preços nos serviços.
Nas restantes componentes, houve também um alívio na subida de preços. O índice relativo aos alimentos, álcool e tabaco terá aliviado uma décima, passando de 2,5% para 2,4% em março. Já o IHPC relativo aos bens industriais não-energéticos passou de 0,7% em fevereiro para 0,5% em março.
A inflação subjacente da Zona Euro – que exclui os produtos que estão mais sujeitos a grandes variações de preços (produtos energéticos e alimentos, álcool e tabaco) – terá aliviado de 2,4% para 2,3% em março. Esta desaceleração revela que a chamada "inflação crítica", à qual o BCE tem estado particularmente atento e que inclui educação e saúde, ainda não está a ser "contagiada" pela aceleração de preços que se verifica nos produtos com preços mais voláteis.
Portugal com IHPC acima do euro
Entre os 21 países da Zona Euro, a variação homóloga do IHPC terá acelerado na esmagadora maioria dos países. Ao todo, foram 17 os países cujo IHPC terá acelerado. Por outro lado, verificou-se uma estabilização de preços em dois países (Itália e Malta) e uma desaceleração noutro dois (Eslovénia e Eslováquia). Portugal foi um dos países onde o IHPC terá acelerado, tendo passado de 2,1% para 2,7% em março, segundo a estimativa rápida do Eurostat.
As variações homólogas da taxa de inflação mais elevadas foram registadas na Croácia (4,7%), Letónia (4,5%) e Luxemburgo (3,8%). Em sentido contrário, as taxas de inflação mais baixas foram observadas na Itália e Chipre (ambos com 1,5%) e França (1,9%).
(notícia atualizada às 10:48)