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Marcelo pede prudência ao BCE. "Talvez seja sensato não acirrar os mercados"

O Presidente da República apontou os riscos de estagflação, sublinhando que, no imediato, a prioridade é "abreviar a guerra" sem enfraquecer a economia da União Europeia. "Brincar com o fogo nunca foi inteligente na economia, como na política", afirmou.

marcelo rebelo de sousa
marcelo rebelo de sousa Tiago Sousa Dias
11 de Março de 2022 às 11:13

O Presidente da República defende prudência do Banco Central Europeu (BCE) na política monetária a seguir ao longo deste ano para evitar subidas dos juros da dívida e o risco de estagflação no curto prazo, afirmando que "brincar com o fogo nunca foi inteligente na economia, como na política".

Marcelo Rebelo de Sousa pede que se evitem "precipitações em decisões monetárias neste ano de 2022 que somadas aos sinais já existentes agravariam o risco de alguma estagnação", defendendo que "para que haja mesmo crescimento sustentado no médio e longo prazo e antes disso vigor talvez seja sensato começar por não acirrar mercados e alimentar riscos de estagflação", afirmou na conferência "Portugal: objetivo crescimento", organizado pela Ordem dos Economistas, onde minutos antes tinha intervindo o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno.

"Todos nos lembramos da estagflação dos anos 70. Era eu assistente eventual em economia política e finanças públicas", recordou o chefe de Estado na cerimónia de abertura do encontro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Apontando as palavras de Centeno, que defendeu a posição mais "neutra" do BCE na reunião desta quinta-feira, Marcelo falou do compromisso assumido pelo Banco Central para retirar os estímulos mais depressa que o previsto, concluindo que "brincar com o fogo nunca foi inteligente na economia, como na política".

"Abreviar a guerra"

Para o Presidente da República, a União Europeia não pode ficar mais fraca do ponto de vista económico, sobretudo em momentos de incerteza a que se soma a guerra que deve ser a prioridade imediata.

"Abreviar a guerra. É essa a prioridade, dando finalmente espaço à paz que nunca deveria ter sido sacrificada", frisou Marcelo Rebelo de Sousa, lembrando que se deve evitar, ao mesmo tempo, "o que pode enfraquecer economicamente aqueles, que como a União Europeia, têm de manter o seu vigor até ao fim desta guerra e depois dela".

E Portugal? "Portugal não pode ignorar o que o mundo em que vivemos hoje, dia 11 de março de 2022", começou por afirmar. "Portugal não acaba em março nem em abril, nem em maio, nem em dezembro de 2022 ou em 2023. Há mais Portugal para além destes tempos tão exigentes e tão dramáticos. Que os encaremos com coragem e sem tibiezas, mas a pensar no que sobrará para além dele", frisou, pedindo "mobilização nacional para resistir no mais urgente do urgente e para ambicionar o mais necessário do necessário. Mobilização nacional a aguentar mais estas provações a acolher mais estes injustiçados pelo destino, a não desistir do futuro por causa dos choques do presente."

"Abreviar a guerra. É essa a prioridade, dando finalmente espaço à paz que nunca deveria ter sido sacrificada", frisou Marcelo Rebelo de Sousa, lembrando que se deve evitar, ao mesmo tempo, "o que pode enfraquecer economicamente aqueles, que como a União Europeia, têm de manter o seu vigor até ao fim desta guerra e depois dela".

(Notícia atualizada às 11:25)

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