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Bruxelas não revê crescimento em baixa, mas alerta para riscos com disputas comerciais

A UE e a Zona Euro deverão crescer 2,3% em 2018 e 2% em 2019. As projecções da Primavera da Comissão Europeia mantêm a previsão de Inverno, mas alertam para perigos com guerras comerciais.

Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 03 de Maio de 2018 às 10:04
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A Comissão Europeia decidiu manter inalteradas as previsões que tinha para o crescimento económico da União Europeia e da Zona Euro este ano e no próximo. Em Fevereiro, Bruxelas previa uma subida do PIB de 2,3% em 2018 e 2% em 2019, projecções que manteve esta quinta-feira nas Previsões de Primavera. Mas há um alerta explícito: as disputas comerciais podem penalizar a expansão económica.


Depois de ter atingido um máximo em 10 anos com o crescimento económico de 2,4% em 2017, a economia europeia deverá desacelerar ligeiramente, mantendo o ciclo de expansão. "Visto de uma perspectiva de longo prazo, a economia europeia está a fazer progressos para sacudir grande parte da experiência da crise económica e financeira", lê-se no texto introdutório das previsões de Primavera da Comissão Europeia divulgadas esta quinta-feira.


O tom positivo foi assumido por Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos, na conferência de imprensa sobre a actualização das previsões. "Em termos económicos e políticos, as nossas previsões mostram que os indicadores económicos europeus estão de boa saúde comparáveis com os do nível da crise e historicamente até mais elevados", disse Moscovici, assinalando que "a economia deverá continuar a crescer acima do potencial".



Contudo, Pierre Moscovici admite que não se passou de um panorama "negro" para um "rosa". Os riscos "aumentaram consideravelmente", principalmente no que toca ao ambiente externo à União Europeia, "algo que nos deve preocupar". No documento, Bruxelas faz questão de deixar claro que os riscos negativos externos "aumentaram marcadamente". E que a vulnerabilidade do crescimento económico perante guerras comerciais ou choques financeiros "pode ter aumentado" uma vez que a economia europeia está mais ancorada nas exportações e no investimento.


O crescimento económico de 2,3% em 2018 e 2% em 2019 na UE e Zona Euro igualam as previsões para Portugal que foram revistas em alta esta quinta-feira. Já no défice, a Comissão Europeia espera um valor superior ao do Governo: 0,9% face aos 0,7% definidos por Mário Centeno, ministro das Finanças, no Programa de Estabilidade 2018-2023. 

Ainda assim, Portugal estará no grupo de países da moeda única que vão ter um défice abaixo da meta de 3%. "Pela primeira vez desde a criação da zona económica e monetária, todos os países da Zona Euro sem excepção vão ter défices abaixo dos 3% do PIB", destacou Pierre Moscovici, assinalando que "isto é uma etapa histórica que há que assinalar".

Espanha é das que mais cresce entre as principais economias europeias

O principal parceiro comercial de Portugal é uma das economias europeias que mais vai crescer em 2018 e 2019, se as projecções da Comissão Europeia se confirmarem. Espanha continuará a crescer acima da média da União Europeia e da Zona Euro, o que deverá beneficiar as exportações portuguesas. A previsão é que o país cresça 2,9% este ano e 2,4% no próximo.


Estes valores colocam Espanha como o país que mais cresce entre as principais economias europeias. Tal como mostra o gráfico acima, tanto Alemanha como França vão crescer abaixo da economia espanhola. No caso de Itália e Reino Unido o cenário é ainda pior: Bruxelas espera uma desaceleração mais forte em ambos os países para 1,5% este ano e 1,2% no próximo. 

Já a Grécia, que deverá sair do programa de ajustamento este verão, deverá registar uma subida do PIB na ordem dos 1,9% em 2018. No entanto, em 2019, a economia grega vai destoar da tendência europeia pela positiva ao crescer 2,3%, acima da média da Zona Euro, segundo as previsões de Bruxelas. 

(Notícia actualizada às 11:11)

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