NATO quer empresas militares europeias a produzirem "mais rapidamente"
Secretário-geral da organização deu o exemplo do conflito no Médio Oriente, que está a "consumir" grandes quantidades de material militar num curto período de tempo.
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O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, instou quinta-feira a indústria de defesa europeia a "estar preparada" e a produzir "mais rapidamente", para reabastecer os arsenais que estão a ser esgotados nas guerras na Ucrânia e no Médio Oriente.
O político neerlandês falava durante um debate com o ministro da Defesa belga, Theo Francken, na Exposição Europeia de Defesa em Bruxelas (BEDEX). Rutte defendeu também o investimento na indústria de defesa europeia, mas não em detrimento da indústria de defesa dos EUA.
Dirigindo-se às empresas europeias da indústria de defesa, o secretário-geral da NATO instou-as a estarem preparadas e a investirem nas suas cadeias de abastecimento, incluindo turnos adicionais e novas fábricas, porque "a procura existe" e "dezenas, centenas de milhares de milhões de euros e dólares chegarão em breve".
"Trabalhem mais depressa, porque precisamos da vossa produção. Vejam como podemos esgotar rapidamente as nossas reservas. Olhem para o Médio Oriente, olhem para a Ucrânia. Temos de reabastecer os nossos stocks e temos de o fazer com as mais recentes inovações e tecnologias de ponta a toda a velocidade", advertiu o líder da NATO.
O antigo primeiro-ministro dos Países Baixos defendeu ainda que as empresas europeias trabalhem em conjunto com as suas congéneres norte-americanas, citando como exemplo os investimentos que as empresas dos EUA estão a fazer na Bélgica e na Europa, o que demonstra que "a base industrial transatlântica é a verdadeira força vital da aliança e parte integrante da mesma".
"Vocês são parte essencial da nossa dissuasão e defesa. O dinheiro é importante, e os homens e mulheres fardados são cruciais, mas sem equipamento não se pode lutar, e os nossos adversários sabem disso", acrescentou.
Questionado sobre como fomentar a autonomia estratégica dos países europeus caso a sua dependência de outras potências, como os Estados Unidos, também aumente, Rutte respondeu que se trata de promover a interdependência, porque "todos precisam uns dos outros".
"Há tanto dinheiro a circular que há o suficiente para os Estados Unidos, para a Europa e para o Canadá. [Para] Trabalharmos em conjunto e apoiar-nos mutuamente", insistiu, indicando que, na sua opinião, pensar na base industrial dos EUA como separada da europeia é "algo antiquado".
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