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16 temas que vão agitar o ano

Em 2025 vão ser muitos os dossiês quentes, do Orçamento do Estado de 2026, passando pela sucessão de Marcelo em Belém e pelo futuro de Mário Centeno. Conheça os 16 temas que vão marcar o ano.

Negócios 03 de Janeiro de 2025 às 09:00
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03.01.2025

1. Um Orçamento do Estado de caminho estreito

A incógnita é grande, mas as dúvidas são pequenas sobre o caminho estreito que haverá para aprovar o Orçamento do Estado (OE) para 2026. Se para este ano um chumbo do documento e eleições antecipadas não favorecia ninguém, o novo ciclo político que arranca agora em 2025 e se prolonga em 2026 - com autárquicas e logo depois presidenciais - lança novos dados para as estratégias dos partidos quanto ao sentido de voto das contas públicas.

O processo orçamental vai coincidir com o período de eleições autárquicas que deverão realizar-se em setembro ou outubro (o OE tem de ser entregue no Parlamento até ao dia 10 de outubro). E em época eleitoral as aproximações entre partidos podem não ser aconselháveis. Os resultados do escrutínio autárquico poderão ser lidos como primárias e um teste às lideranças de Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos.

O líder socialista prometeu que "não ouvirão do PS nada sobre o próximo Orçamento do Estado até ele ser entregue na Assembleia da República", quando anunciou a abstenção para o de 2025. Na altura, justificou o sentido de voto com o facto de terem passado apenas sete meses das eleições e com o risco de um "eventual chumbo" poder conduzir o país para as terceiras legislativas em menos de três anos "sem que se perspetive que delas resultasse uma maioria estável".

A outra solução para viabilizar o Orçamento do Estado de 2026 só poderia vir do lado mais à direita do Parlamento, através do Chega. E teria de ser um voto a favor, deixando o Governo colado ao partido liderado por André Ventura. Uma abstenção não garantiria "luz verde" às contas para 2026.

Certo é que pouco antes da fase de apresentação e discussão da proposta de lei do OE o Presidente da República perde o poder de dissolução do Parlamento, correspondendo ao último semestre do mandato presidencial, que termina em 9 de março de 2026.

No cenário central de que o Orçamento do Estado para o próximo ano não passa, será já o próximo inquilino do Palácio de Belém a eventualmente dissolver o Parlamento e a marcar a data das legislativas que poderão ocorrer por altura do verão de 2026.

Sem OE, a gestão das contas públicas teria de entrar em regime de duodécimos em 2026, ficando o Governo limitado a executar 1/12 da despesa efetuada no ano anterior até entrada em vigor do novo Orçamento. Ou seja, os tectos nominais previstos para este ano, respeitando mês a mês os limites de despesa. Excecionam-se as despesas com prestações sociais ou as despesas associadas à execução dos fundos europeus, o que dá alguma margem de manobra ao Governo. Por exemplo, pode atualizar as pensões pela fórmula determinada por lei.

Além disso, cada ministério pode realocar despesa, ou seja, não é obrigado a gastar exatamente o mesmo nas mesmas rubricas, podendo reforçar umas e reduzir outras.

Quanto à receita, não há limites nem tectos. Cada orçamento calcula estimativas de execução, que podem ou não ser cumpridas.

Partindo do pressuposto que o Orçamento para 2026 é chumbado e há eleições antecipadas, o futuro Governo terá de apresentar à Assembleia da República uma nova proposta de lei até 90 dias depois da tomada de posse.

03.01.2025

2. Quem sucede a Marcelo em Belém?

O ano político promete ser intenso. Além das autárquicas em setembro ou outubro, a campanha para as presidenciais de janeiro de 2026 promete agitar os próximos meses. A definição de candidatos poderá acontecer já no primeiro trimestre deste ano.

Agora na reserva, o almirante Henrique Gouveia e Melo tem caminho aberto para exercer com total liberdade "os deveres cívicos" que até à passada sexta-feira estavam limitados pelas funções que exercia como Chefe do Estado-Maior da Armada. É o protocandidato a Belém que vai ganhando forma há mais meses. A SIC avançou que o militar deverá anunciar a candidatura em março.

A lista ficará definida num calendário que os partidos vão gerir à medida das diferentes estratégias. O PSD prometeu um candidato próprio dos "quadros partidários", com Luís Montenegro a apontar que há no partido "militantes com notoriedade e conhecimento profundo e transversal do país".

Também o PS já garantiu que terá um candidato próprio ao contrário do que aconteceu nas duas últimas presidenciais, havendo vários nomes no campo socialista, alguns deles lançados pelo próprio secretário-geral, Pedro Nuno Santos, como Mário Centeno - governador do Banco de Portugal - ou António José Seguro, ex-líder do PS.

À esquerda, entre o Bloco, o PCP e o Livre já houve manifestação de apoiar um candidato único desta ala, mas nada ainda está definido.

À direita, o Chega anunciou que vai apoiar um candidato próprio, com André Ventura a dizer que decide até março.

03.01.2025

3. Tarifas de Trump ameaçam exportações

Com Donald Trump próximo de assumir o poder, crescem os receios de uma guerra comercial entre os EUA e vários países. O Presidente eleito tem utilizado a ameaça de tarifas como tática de negociação e a UE não ficou de fora. Em dezembro, o republicano ameaçou o bloco com tarifas, caso os Estados-membros não começassem a comprar mais petróleo e gás norte-americano.

Neste contexto, em que poderão surgir eventuais medidas retaliatórias, o Banco de Portugal já expressou a necessidade de o Governo "reforçar o apoio às empresas na procura de novos mercados, promover o investimento direto estrangeiro e continuar a flexibilizar a alocação de recursos na economia", de forma a manter o bom desempenho das exportações.

Nos primeiros dez meses do ano passado, Portugal vendeu cerca de 4,57 mil milhões de euros em bens aos EUA, o equivalente a 6,8% das exportações nacionais, apenas atrás de Espanha, Alemanha e Itália. Caso Trump avance com tarifas de 10% a 20%, as taxas alfandegárias sobre alguns produtos portugueses poderão triplicar.

03.01.2025

4. Alta velocidade e milhões para executar

Adjudicado o primeiro troço da alta velocidade Lisboa-Porto ao consórcio liderado pela Mota-Engil em 2024 - contrato que entrará em vigor em julho -, neste arranque de 2025 vai seguir-se a entrega das propostas para o segundo troço, num concurso em que é esperada maior concorrência. Será também este mês de janeiro submetida uma nova candidatura para fundos adicionais do Mecanismo Interligar a Europa (CEF, na sigla em inglês), que já aprovou 813 milhões para o projeto. Financiado pelo PNI2030, este é um dos maiores investimentos definidos por Portugal, que se soma a vários outros que contam com apoio do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), os quais terão de ser executados este ano e no próximo e que atingem os 16 mil milhões. Só em 2025, ano em que também o plano Ferrovia 2020 será concluído, Portugal terá um total de investimento com fundos europeus de cerca de 10 mil milhões de euros.

Nesse montante incluem-se também os projetos de expansão dos metros. No caso do de Lisboa, os desafios estão na recuperação de atrasos - que chegam aos 30 meses - e na contenção de desvios financeiros - que já somam 500 milhões. No projeto de prolongamento da linha vermelha, o Governo tem garantido que não é a obra que está em causa, mas sim as fontes de financiamento. Também o metro ligeiro de superfície entre Loures e Odivelas tinha previsto financiamento do PRR, mas depois do primeiro concurso ter ficado deserto terá de lançado um novo.

03.01.2025

5. Mário Centeno de saída do BdP?

O conflito tem sido mais ou menos latente entre governador do Banco de Portugal (BdP) e Governo. Os últimos dois episódios estão frescos. O primeiro aconteceu com a apresentação do boletim económico, a 13 de dezembro, com o BdP a prever o regresso dos défices já este ano. O primeiro-ministro disse que o governador estava um "bocadinho em contramão".

Outro desentendimento prendeu-se com o pagamento do salário a Hélder Rosalino requisitado ao BdP para liderar a nova secretaria-geral do Governo. Centeno recusou pagar o salário de quase 16 mil euros devido às regras do Eurossistema.

Centeno, um dos putativos candidatos da área socialista às presidenciais de 2026, nunca clarificou a posição sobre uma eventual corrida a Belém. O mandato do atual governador termina em julho e a recondução está praticamente fora da equação. Já há nomes que começam a surgir, como é o caso do economista Ricardo Reis ou do ex-ministro das Finanças e atual diretor do Departamento de Finanças Públicas do FMI, Vítor Gaspar.

03.01.2025

6. Do resgate à venda: gestão da Efacec escrutinada

Os encargos para os contribuintes desde que a nacionalização da Efacec foi decretada, a 2 de julho de 2020, ascenderam já a 484 milhões de euros e podem chegar aos 564 milhões de euros, sendo que a escolha da proposta vencedora da reprivatização da empresa, da alemã Mutares, aumentou o risco da operação e fez com que o Estado gastasse mais 271 milhões de euros.

Em síntese, este é o painel de custos para os contribuintes portugueses desenhado pelo Tribunal de Contas (TdC), no quadro de uma auditoria realizada à Efacec, cujos resultados foram conhecidos no final de setembro passado, tendo concluído que tudo correu mal neste processo, sem que a intervenção estatal tenha alcançado os seus objetivos.

Entretanto, no início de dezembro, o Parlamento aprovou, apenas com os votos contra do PS, a proposta da Iniciativa Liberal para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre a gestão da tutela política na Efacec. Os partidos têm até à próxima terça-feira para entregar ao presidente da Assembleia da República a lista de deputados que gostariam de ver integrar a CPI, que deverá ser empossada na semana seguinte.

Há pouco mais de duas semanas, em plena comissão parlamentar de Economia, Obras Públicas e Habitação, o ministro Pedro Reis reiterou que lhe parece "ambicioso" pensar que é recuperável todo o dinheiro público que foi colocado na Efacec, recusando qualquer redesenho do modelo de venda da empresa.

03.01.2025

7. Autárquicas: o primeiro teste para as legislativas

Este será também um ano de eleições autárquicas. Os portugueses são chamados a eleger os rostos que vão liderar as 308 câmaras municipais do país nos próximos quatro anos e, apesar de a data das eleições ainda não ser conhecida - será algures em setembro ou outubro -, sabe-se já que há mais de uma centena de autarquias que vão ter uma nova liderança. Isso porque há 103 autarcas que não podem recandidatar-se por terem atingido o limite de três mandatos consecutivos permitido pela lei. Entre eles, destaca-se Rui Moreira, que deverá deixar a câmara do Porto, dando início a uma corrida por aquela que é uma das câmaras mais cobiçadas do país.

Estas eleições vão medir o pulso às lideranças. De Luís Montenegro, depois de o PSD ter ficado em segundo lugar em 2021, mas também de Pedro Nuno Santos que traçou já como objetivo "voltar a ganhar" estas eleições. A nova ida às urnas vai ser também uma prova de fogo para a CDU (que junta PCP e PEV), que tem perdido bastiões nos últimos anos, e para Paulo Raimundo à frente dos comunistas. O CDS, procura afirmar-se após ter regressado ao Parlamento em coligação com o PSD e, em 2021, ter segurado as seis câmaras a que presidia.

Já o Chega, que é o terceiro partido com mais assentos parlamentares, vai para estas eleições à procura da sua primeira presidência de câmara, após ter falhado esse objetivo em 2021. O mesmo acontece com os outros partidos com menos peso autárquico como a Iniciativa Liberal, Bloco de Esquerda, PAN e Livre.

03.01.2025

8. Juros do BCE ajudam no crédito, mas ameaçam euro

O Banco Central Europeu (BCE) começou, no ano passado, a baixar juros, após a forte escalada para controlar a inflação. As prestações pagas pelas famílias aliviaram e a tendência deverá manter-se em 2025. A presidente Christine Lagarde não se quer comprometer com números, mas os mercados estão a apostar numa redução de mais 115 pontos-base no total deste ano, face à atual taxa de referência de 3%. A concretizar-se, significará um juro de 1,85% no final do ano.

Se para quem tem crédito são boas notícias, as poupanças das famílias paradas nos depósitos deverão continuar a ser remuneradas a um juro cada vez mais baixo. Além disso, há outro impacto que é totalmente controlado pelo BCE: no valor do euro face ao dólar. A moeda única tocou ontem os 1,0314 dólares - o valor mais baixo desde novembro de 2022 - pressionada por receios em torno da economia do bloco e pela perspetiva de divergências na política monetária entre o BCE e a Reserva Federal dos EUA.

O "dot plot" da Fed aponta para que a taxa dos fundos federais, atualmente entre 4,25% e 4,5%, desça para 3,9% no final deste ano e para 3,4% em dezembro de 2026. Esta leitura é mais pessimista do que a anterior devido à "expectativa de que a inflação será mais elevada", explicou o presidente Jerome Powell na última reunião de política monetária. Este cenário de inflação pode ainda agudizar-se pela agenda protecionista do novo Presidente Donald Trump. A Fed já disse que está a avaliar o impacto para tomar uma posição.

03.01.2025

9. TAP vai levantar voo para mãos privadas

Privatizada em 2015, nacionalizada em 2020, no ano da pandemia, a TAP prepara-se para voltar a ter investidores privados, só não se sabe se terão apenas uma parte ou a totalidade do capital da companhia aérea.

Este processo de reprivatização será, sem dúvida, um dos temas quentes em 2025. A decisão já tinha sido tomada pelo Governo de Costa, mas será o Executivo de Montenegro a levar por diante a alienação, com Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e da Habitação, no lugar do comandante.

O primeiro passo é dado até março, altura em que o Governo pretende ter preparado o caderno de encargos da privatização. Será este documento que definirá as linhas gerais para a venda, ajudando a decidir quem poderá ficar com a TAP.

Depois de um processo de reestruturação, de um cheque de 3,2 mil milhões de euros, e com contas positivas - até ao final de setembro os lucros ascenderam a 118 milhões de euros -, a TAP é apetecível para muitos grandes grupos. Segundo Pinto Luz, a privatização da TAP gerou manifestações de interesse de mais de 12 entidades, incluindo fora da Europa. Isto antes de Carlos Tavares, ex-líder da Stellantis, ter vindo afirmar que está a acompanhar o processo.

A Lufthansa, a Air France-KLM e a IAG surgem, contudo, como os três principais compradores. Todos eles já formalizaram o interesse na companhia aérea, têm assessores jurídicos e financeiros, bem como consultoras de comunicação a trabalhar no processo. Resta apresentarem as propostas e o Governo fazer a escolha.

Com novo aeroporto a arrancar, TAP ruma a voos mais altos

Após décadas no papel, o novo aeroporto de Lisboa, no Campo de Tiro de Alcochete, poderá finalmente começar a ganhar forma este ano, isto enquanto prosseguem as obras de ampliação do Aeroporto Humberto Delgado, onde está a base das operações da TAP. Por seu lado, a companhia aérea portuguesa, alvo de uma profunda reestruturação que tem vindo a dar resultados positivos, está mais perto de se lançar em voos mais altos à boleia de um futuro novo investidor privado. Lufthansa, Air France-KLM e a IAG perfilam-se como os principais compradores de uma parte do capital ou mesmo da totalidade da empresa que foi nacionalizada em 2020, em plena pandemia.

Com novo aeroporto a arrancar, TAP ruma a voos mais altos

Após décadas no papel, o novo aeroporto de Lisboa, no Campo de Tiro de Alcochete, poderá finalmente começar a ganhar forma este ano, isto enquanto prosseguem as obras de ampliação do Aeroporto Humberto Delgado, onde está a base das operações da TAP. Por seu lado, a companhia aérea portuguesa, alvo de uma profunda reestruturação que tem vindo a dar resultados positivos, está mais perto de se lançar em voos mais altos à boleia de um futuro novo investidor privado. Lufthansa, Air France-KLM e a IAG perfilam-se como os principais compradores de uma parte do capital ou mesmo da totalidade da empresa que foi nacionalizada em 2020, em plena pandemia.

 

03.01.2025

10. Concurso do lítio sai finalmente da gaveta?

O concurso de atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de lítio vai finalmente sair da gaveta? Tudo indica que sim. Isto depois de ter sido sucessivamente adiado, desde 2021. A garantia foi dada pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, na apresentação do Plano de Ação 2024-2026 para as matérias-primas críticas. "Queremos lançar no próximo ano [2025] novos projetos de prospeção de cobre, ouro e lítio", disse.

O grupo de trabalho técnico criado pelo Governo, e liderado pela DGEG, considerou que o concurso poderia ter avançado a 20 de dezembro, mas a tutela política não aceitou a sugestão e "atirou" o leilão internacional para este ano, sem dar mais detalhes. "Queremos avançar em 2025, mas são processos pesados. Não é só decidir, e está feito. A nossa posição é avançar o máximo possível no próximo ano [2025]".

No lítio serão leiloadas as seis áreas (1.500 km2) já identificadas e que foram alvo de avaliação ambiental estratégica no passado. Além do lítio, o Governo vai também lançar concursos para outros recursos minerais: "Portugal tem cobre e zinco nas minas de Neves-Corvo e Aljustrel, e tungsténio na mina da Panasqueira. E tem potencial para novas explorações destas e de outras matérias-primas na zona centro e norte do país".

Na calha estão também concursos para prospeção de cobre (na Faixa Piritosa Ibérica, para o qual "há vários interessados" e que poderá avançar até abril) e ouro (na zona da Gralheira, no norte do país). Bs

03.01.2025

11. Novo aeroporto de Lisboa avança?

O processo de construção do futuro Aeroporto Luís de Camões no campo de tiro de Alcochete vai conhecer desenvolvimentos já este mês de janeiro, uma vez que o Governo tem até ao dia 17 para analisar e responder ao relatório inicial entregue pela ANA em dezembro. Nesse documento a concessionária teve já de incluir uma estimativa dos custos, propostas de financiamento, assim como um calendário para a conclusão da obra. Apesar de não terem sido ainda tornados públicos detalhes, sabe-se que o custo será superior a oito mil milhões de euros e que o financiamento será feito através da alteração das taxas aeroportuárias e da extensão do prazo da concessão.

Só depois de o Governo confirmar à ANA se pretende que esta prepare a candidatura ao novo aeroporto é que a concessionária terá, no prazo de três anos, de a apresentar, incluindo um conjunto de estudos como o de impacte ambiental, um relatório técnico com uma proposta de calendarização e um orçamento para a construção e um relatório financeiro que inclua a solução de financiamento e a confirmação da disponibilidade das instituições financiadoras para apoiar a construção da infraestrutura.

O ministro Miguel Pinto Luz tem afirmado que os custos do novo aeroporto não afetarão o Orçamento do Estado, sendo o investimento pago com "os recursos libertados pela concessão, até ao fim da concessão", apontando o Governo para que o novo aeroporto entre em funcionamento em 2034.

03.01.2025

12. Bolha "tech" rebentará? Sim, mas não é para já

A forte valorização das "big tech" nos últimos dois anos trouxe uma pergunta inevitável: estamos perante uma bolha no setor? E, nesse caso, até quando pode inchar - e quando é que vai estoirar? Para muitos analistas, há de facto uma bolha, mas ainda não parece ser hora de abandonar o setor.

Paul Dietrich, principal estratega da B. Riley Wealth Portfolio Advisors, tem vindo a alertar para a possibilidade de um "crash" bolsista, à conta de um potencial esvanecer do entusiasmo pela inteligência artificial. Numa nota de "research" publicada no verão, chamava a atenção para um "fenómeno" particular: os fundadores e CEO de muitas destas empresas estavam a vender ações.

As valorizações de 2023 e 2024 foram substanciais, levando a que algumas grandes tecnológicas norte-americanas entrassem no clube das "trillion-dollar babies". É o caso, especialmente, das "sete magníficas": Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta Platforms, Nvidia e Tesla. A Apple, Microsoft e Nvidia são as mais valiosas e há quem vaticine que as três chegarão a um valor de mercado de quatro biliões de dólares em 2025.

Para a maioria dos 108 gestores que participaram num inquérito do Bank of America, realizado em agosto, as "big tech" continuarão a ser o motor dos ganhos de Wall Street nos próximos meses. E mesmo acreditando que existe uma bolha, os analistas do banco defendem, numa análise recente, que os investidores ainda têm muito a ganhar com a aposta nas sete magníficas.

03.01.2025

13. Novo Banco na bolsa? Há quem queira o banco todo

O Novo Banco prepara-se para uma dispersão em bolsa, ou venda direta, que pode mudar o panorama do sistema bancário nacional. Será um capítulo fundamental da história da instituição que nasceu das cinzas do BES em 2014.

Antes desse, haverá outro: a distribuição de dividendos permitida pela acumulação de capital nos últimos anos, durante os quais o Novo Banco esteve impedido de remunerar os acionistas Lone Star (que tem 75%), Fundo de Resolução (FdR, 13,54%) e Estado (11,46%). Agora, o CEO Mark Bourke acena com 1.300 milhões de euros.

Depois, o banco mudará de dono: a instituição tem o foco numa Oferta Pública Inicial, que a acontecer não terá lugar antes de abril ou maio. Mas o cenário de venda direta não pode ser descartado. Embora nenhum dos principais concorrentes tenha assumido interesse de forma inequívoca, a verdade é que com a exceção do Caixabank/BPI, também nenhum rejeitou a hipótese por completo.

No final de novembro, na conferência "Banca do Futuro" organizada pelo Negócios, Pedro Castro e Almeida, presidente executivo do Santander, afirmou que aquisições são "uma questão de oportunidade e de preço". Miguel Maya, CEO do BCP, repetiu que "analisa todas as oportunidades, desde que sejam criadoras de valor". Já o presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, garantiu que a perspetiva é de crescimento orgânico, "independentemente de a Caixa não estar imóvel".

Novo Banco promete agitar setor financeiro em Portugal 

Mais de uma década depois da resolução do BES, que fez nascer um novo banco em Portugal, o Novo Banco libertou-se das "amarras" do acordo de capital contingente. Através deste mecanismo foram injetados 3,4 mil milhões de euros que permitiram à instituição desfazer-se dos ativos tóxicos e, reestruturada, começar a dar resultados positivos, beneficiando, como os demais, dos juros elevados. Agora, tem mais de mil milhões de euros para entregar aos seus acionistas, a Lone Star e o Estado, através de dividendos, e esperam-se outros milhares de milhões com a venda do Novo Banco. O foco do CEO, Mark Bourke, é num IPO, ou seja, a entrada em bolsa, mas a venda direta também é uma possibilidade. A dúvida é: quem será o comprador?

Novo Banco promete agitar setor financeiro em Portugal 

Mais de uma década depois da resolução do BES, que fez nascer um novo banco em Portugal, o Novo Banco libertou-se das "amarras" do acordo de capital contingente. Através deste mecanismo foram injetados 3,4 mil milhões de euros que permitiram à instituição desfazer-se dos ativos tóxicos e, reestruturada, começar a dar resultados positivos, beneficiando, como os demais, dos juros elevados. Agora, tem mais de mil milhões de euros para entregar aos seus acionistas, a Lone Star e o Estado, através de dividendos, e esperam-se outros milhares de milhões com a venda do Novo Banco. O foco do CEO, Mark Bourke, é num IPO, ou seja, a entrada em bolsa, mas a venda direta também é uma possibilidade. A dúvida é: quem será o comprador?

 

03.01.2025

14. Governo confiante num novo excedente

Entre um défice de 0,1% do PIB previsto pelo Banco de Portugal (BdP) e um excedente de 0,3% do PIB em que aposta o Ministério das Finanças, vão cerca de mil milhões de euros de diferença, mas também uma reconhecida margem de manobra na execução orçamental.

Será preciso correrem 12 meses para se comprovar qual a projeção mais certeira para o saldo das contas públicas para este ano, com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a defender que no final "será visível que o Governo tinha razão".

Com a despesa permanente a crescer, nos últimos dados de execução apurados em 2024, ao dobro da velocidade da receita, têm vindo a ser salientados riscos para o equilíbrio das contas públicas. Desde logo, caso a economia tenha uma evolução pior do que os 2,1% de crescimento do PIB esperados pelo Executivo.

Mas também há várias "almofadas" que poderão ajudar. Por exemplo, no final de outubro o Conselho das Finanças Públicas (CFP) admitiu que a previsão de despesa com prestações sociais possa estar sobreavaliada, ao mesmo tempo que indicou que, pelo contrário, a receita de IRS possa estar subavaliada face à evolução esperada nos salários, ou seja, poderão existir margens não contabilizadas. A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) apontava ainda um possível dividendo do Novo Banco.

O CFP, presidido por Nazaré da Costa Cabral, está entre as instituições mais otimistas, esperando um excedente de 0,4% do PIB, tal como a Comissão Europeia.

03.01.2025

15. "Low cost" da Digi pode sair caro à Altice

Após vários anos em que o mercado de telecomunicações português foi dominado por três operadoras, a Altice, a Nos e a Vodafone, 2024 fechou com a chegada da Digi.

Meses de preparação, com trabalho realizado no terreno, levaram a que no início de novembro a Digi passasse a oferecer serviços a preços bastante mais baixos do que os dos principais "players". À semelhança do que fez noutros mercados, a empresa romena usou o "low cost" como cartão de visita.

A estratégia já fez mexer o setor. Através das suas marcas "low cost", as três grandes empresas do setor reviram os preços e, ao mesmo tempo, aumentaram a oferta, nomeadamente através da inclusão do serviço de televisão. E mesmo nos pacotes normais, nem todas mexeram nos preços a aplicar em 2025.

Embora não reconheçam a Digi como uma verdadeira ameaça, até porque não tem ainda a capilaridade que as três grandes têm, nem a qualidade do serviço, a operadora romena está a fazer mexer o mercado. E com os investimentos que continuará a realizar, poderá impactar ainda mais, ameaçando as margens do setor.

Esta mudança de paradigma é particularmente relevante para a Altice. Ana Figueiredo, a CEO da Altice Portugal, disse, recentemente, que "não temos negociações em curso com ninguém relativamente a compra ou venda", mas a prazo, será vendida. E com a Digi nas contas, os números que já não eram os pretendidos pelo grupo, poderão encolher ainda mais expressivamente com esta nova realidade.

03.01.2025

16. Bitcoin vai subir ainda mais (se a Fed deixar)

A bitcoin mais do que duplicou de valor em 2024 e ultrapassou a fasquia dos 100 mil dólares. A eleição do "crypto friend" Donald Trump leva analistas e "players" a manterem o otimismo, apontando para uma continuação do "rally" em 2025.

O "head of research" do Standard Chartered Geoffrey Kendrick está entre os mais otimistas. Alicerçado na expectativa de uma regulação favorável, o especialista acredita que a criptomoeda atinja os 200 mil dólares no final do ano. Também a Bitwise Asset Management aponta para que a bitcoin alcance este valor. Já a VanEck é mais cautelosa e atira a cotação para os 180 mil dólares.

Numa ótica mais geral, Geoffrey Kendrick prevê que a capitalização do mercado cripto quadruplique até 2026 para 10 biliões de dólares. O "head of research" do Standard Chartered vê ainda a ether a tocar nos 10 mil dólares no final do ano, o que significa um potencial de valorização de 200%, tendo em conta que a criptomoeda negoceia atualmente na fasquia dos 3 mil dólares.

Há outro segmento do mercado que se deve destacar: as stablecoins. A Bitwise vê este segmento a duplicar a capitalização para 400 mil milhões de dólares, mais uma vez à boleia da nova legislação nos EUA. Além do Congresso, os "traders" devem estar atentos à Fed norte-americana.Bjorn van Roye, "head global economic modelling" da Bloomberg avisa que "qualquer sinal de um caminho mais cauteloso para os juros nos EUA pode trazer riscos para as criptomoedas" ao longo de 2025.

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