Administração regional nega ter ordenado silêncio a funcionários da Alfredo da Costa
Visita de António Costa à Maternidade Alfredo da Costa, de Lisboa, foi cancelada por ordens da ARS, avançam funcionários do hospital. Nessas ordens, está também incluída a proibição de falarem com a comunicação social. Administração Regional de Saúde e Centro Hospitalar, em que está inserida a MAC, desmentem.
Esta é a reacção oficial da administração regional, da tutela do ministério liderado por Paulo Macedo, de acordo com o comunicado da assessoria de comunicação distribuído às redacções.
O Negócios, depois de uma notícia avançada pela RTP, contactou com funcionários da maternidade da capital, que confirmaram a existência de ordens, alegadamente com origem na ARS, para que não fizessem declarações a órgãos de comunicação social.
Teresinha Simões, médica no estabelecimento, falou com o Negócios, identificou-se e confirmou estas informações, que tinham sido transmitidas pelo ex-director clínico da instituição e pelo gabinete de comunicação da maternidade, atribuíndo as ordens à ARS.
BE "sabe" que funcionários da MAC "foram proibidos de falar"
"Sabemos que os profissionais da MAC estão proibidos de falar sobre o problema da MAC e isso resulta de pressões do nosso ponto de vista verdadeiramente inaceitáveis da Administração Regional de Lisboa e do seu presidente. Isto faz lembrar o que há uns anos tanto incomodava o PSD e que se chamava claustrofobia democrática", afirmou também o deputado bloquista, João Semedo, citado pela agência Lusa. As declarações apontam para mais confirmações de proibição de declarações aos "media".
João Semedo, médico, disse ter entregue um "requerimento" para poder visitar a maternidade, a ser "feita por todos os grupos parlamentares", inserida na comissão parlamentar de Saúde. O objectivo é, diz o deputado à Lusa, "debater os problemas da MAC e também para permitir saber o que pensam e desejam os profissionais da MAC, hoje impedidos de comunicar".
Contactada pelo Negócios, a maternidade indicou que o Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC), onde está integrada a maternidade há poucos meses, devia fazer as comunicações.
"O Conselho de Administração do CHLC não só desmente veementemente estas acusações, como repudia categoricamente a alegada proibição aos profissionais da MAC de falarem à comunicação social", escreve também, em comunicado, a administração do Centro Hospitalar, que reúne hospitais de Lisboa.
Do mesmo modo, uma visita de António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, à instituição, também está no centro da polémica. Uma visita de Costa à maternidade terá sido hoje cancelada, noticiou a RTP e o Negócios.
"Houve um mal entendido mas já está esclarecido", respondeu Luísa Botinas, porta-voz de António Costa, quando questionada pelo Negócios sobre o cancelamento da visita do presidente da Câmara de Lisboa à maternidade. O Negócios perguntou o que queria isto dizer, mas a frase voltou a ser repetida, sem mais esclarecimentos.
Em comunicado distribuído pelas 17h30 às redacções, a edilidade desmentiu que António Costa tenha sido impedido de visitar a maternidade. "Nada houve mais do que um equívoco, já esclarecido", volta a dizer o município. Contudo, sem avançar que equívoco e que esclarecimento foram cometidos.
"O próprio senhor Ministro da Saúde teve a gentileza de telefonar e reafirmar que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa tem o direito de visitar qualquer estabelecimento, sempre que o deseje", afirma o comunicado do departamento de Marca e Comunicação da Câmara Municipal de Lisboa.
António Costa reuniu-se, segundo esse documento, com o ex-director da maternidade, Jorge Branco, e com o ex-director clínico do estabelecimento, Abílio Lacerda.
Houve convite, mas não por quem tinha legitimidade
Já a Administração Regional de Saúde, em comunicado enviado por e-mail às redacções, esclarece que, efectivamente, houve um convite de visita dirigido a António Costa. Um convite feito por Jorge Branco, antigo presidente do conselho de administração da maternidade, mas que deixou de exercer essas funções quando a maternidade foi inserida no Centrou Hospitalar de Lisboa Central, em Fevereiro.
"Jorge Branco não tem, portanto, legitimidade para formular qualquer tipo de convite, formal ou informal, em nome da instituição", continua o comunicado da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.
Já o Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central salienta que não tinha conhecimento da visita, "uma vez que o Conselho apenas teve conhecimento da referida visita, por e-mail enviado ao fim do dia [quarta-feira] pela MAC, para a assessora de imprensa do CHLC". Por isso, diz não ter tido qualquer intervenção no processo.
O gabinete do Ministério da Saúde nega que tenha havido qualquer intervenção da tutela de Paulo Macedo numa eventual proibição da ARS relativamente à visita de António Costa à maternidade lisboeta, remetendo quaisquer esclarecimentos para a ARS.
A Maternidade Alfredo da Costa tem estado sobre polémica depois de o Ministério da Saúde ter garantido o seu fecho até 2015.