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Crise financeira vai provocar recessão nos Estados Unidos e no Reino Unido

George Soros acredita que a fase mais difícil da crise financeira já passou. Ainda assim, os Estados Unidos e o Reino Unido não deverão escapar a uma recessão económica, acrescenta o multimilionário.

20 de Maio de 2008 às 12:31

George Soros acredita que a fase mais difícil da crise financeira já passou. Ainda assim, os Estados Unidos e o Reino Unido não deverão escapar a uma recessão económica, acrescenta o multimilionário.

"As instituições financeira foram severamente danificadas. Estamos numa situação em que provavelmente, ou mesmo inevitavelmente, os Estados Unidos e o Reino vão acabar por entrar em recessão económica", disse George Soros num entrevista concedida à BBC Radio 4.

"Vivemos uma crise muito séria mas a fase mais difícil já passou", garantiu o multimilionário. No entanto, "agora temos que sentir os efeitos. No caso do Reino Unido houve uma bolha imobiliária superior à dos Estados Unidos".

Em Abril, o preço das casas no Reino Unido registou a maior queda anual desde 1996, após ter triplicado de valor na última década. Já nos Estados Unidos, o preço das casas em 20 áreas metropolitanas registou a maior queda de sempre no passado mês de Fevereiro.

George Soros considera que se aproxima uma fase de grande instabilidade. "Por um lado temos a ameaça da recessão e ao mesmo tempo a ameaça a inflação", explica Soros.

No Reino Unido, por exemplo, o Banco de Inglaterra afirmou, na semana passada, que tem pouco espaço para baixar a taxa de juro – actualmente nos 5% - depois da inflação ter subido para os 3%. Mervyn King, governador do Banco de Inglaterra, estima que a taxa de inflação poderá superar os 3% e manter-se assim por "vários trimestres".

"A acção do banco central inglês é como uma tragédia grega. Quando puder baixar a taxa de juro já vai ser tarde demais", disse Soros numa segunda entrevista concedida à BBC.

O Banco de Inglaterra baixou a taxa de juro três vezes desde Dezembro, para tentar evitar que o país entrasse em recessão. A autoridade monetária seguiu, assim, os passos da Reserva Federal norte-americana, que começou a baixar a taxa de juro em Setembro passado. Desde aí já foram realizados sete cortes para os actuais 2%.

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