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Denunciador do «Mensalão» sai mas dispara contra Lula

Roberto Jefferson, antes de perder o seu mandato, fez um depoimento em sua defesa, disparando contra o presidente Lula da Silva, ao afirmar que «este é o governo mais corrupto que já testemunhei nos meus 23 anos de mandato, o governo do presidente Lula».

15 de Setembro de 2005 às 19:03

Roberto Jefferson, antes de perder o seu mandato, fez um depoimento em sua defesa, disparando contra o presidente Lula da Silva, ao afirmar que «este é o governo mais corrupto que já testemunhei nos meus 23 anos de mandato, o governo do presidente Lula».

Jefferson ocupava o seu sexto mandato consecutivo mas perdeu, ontem, o cargo, através da votação dos seus pares na Câmara brasileira, que o acusam de ter quebrado o decoro parlamentar por ter denunciado o suposto esquema do «Mensalão» sem ter apresentado provas.

Na sua declaração, Jefferson enfatizou: «Tirei a roupa do rei, mostrei ao Brasil quem são esses fariseus, mostrei ao Brasil o que é o Governo Lula, o que é o campo maioritário do PT (partido Trabalhista)».

Depois de ter ilibado Lula de estar envolvido no esquema de corrupção de mesadas a deputados, Jefferson saiu a criticar o presidente brasileiro. «O meu conceito do presidente Lula é que ele é malandro, ele é preguiçoso. O negócio dele é passear de avião, governar que é bom ele não gosta (?). Se não praticou o crime por acção, pelo menos por omissão.

Também atacou o ex-ministro José Dirceu e chamou-o de «rufião do Planalto para alugar prostitutas que ele podia fazer aqui na Câmara dos Deputados».

Jefferson denunciou, em primeira instância, em entrevista, a 6 de Junho, ao jornal «Folha de São Paulo» a existência de pagamento de mesadas a deputados aliados do Governo Lula.

A partir daí disparou em várias direcções, citando Marcos Valério como «operador» dos pagamentos, o envolvimento de executivos do Partido Trabalhista, dando nomes de deputados envolvidos, do envolvimento do Banco Rural e de «sacos azuis» no financiamento de campanhas. Todas estas acusações têm sido provadas pelas investigações da Polícia Federal.

Mas o que não foi provado foram as acusações que Jefferson fez contra a Portugal Telecom e o Banco Espírito Santo.

Este deputado acusou o ex-ministro José Dirceu de articular o envio de emissários do partido de Jefferson e do Partido Trabalhista, a Portugal, numa operação que envolveria um repasse da operadora portuguesa, também através do BES, para saldar as dívidas dos dois partidos brasileiros.

Marcos Valério confirma a ida a Portugal mas nega o propósito da visita. O publicitário diz ter estado em Portugal para tratar com a PT sobre a venda da Telemig Celular, operadora de telefonia móvel em Minas Gerais que interessa à participada Vivo. O Citigroup, accionista de referência da Telemig disse que não mandatou Valério para essas negociações.

A PT também confirma que esteve com Valério para tratar da compra da operadora brasileira. Valério também esteve com o ex-ministro das Obras Públicas, António Mexia, dizendo-se consultor do Governo Lula, cargo que Lula desmente que ele ocupasse.

*Correspondente em São Paulo

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