Dívida das empresas do sector dos transportes ascende a cerca de 10 mil milhões de euros
O secretário de Estado dos Transportes, Correia da Fonseca, disse hoje que a dívida das empresas de transportes ascende a cerca de 10 mil milhões de euros, afirmando que este tema é uma "preocupação muito séria".
"Temos um conjunto de operadores [de transporte] altamente endividado", afirmou o secretário de Estado, na sessão de abertura do IX seminário Transporte Ferroviário -- Uma Solução Sustentável e Competitiva para a Mobilidade, a decorrer em Lisboa.
Correia da Fonseca afirmou que a dívida das empresas de transportes totaliza cerca de "10 mil milhões de euros", o que afirmou ser "uma preocupação muito séria".
O secretário de Estado considera que "algo está errado na gestão do sistema de transportes desde há 40 anos" e defende que as receitas das operações das empresas de transportes "têm de cobrir os custos, o que significa que os operadores de transporte não deverão endividar-se".
Correia da Fonseca disse que o transporte ferroviário é o "mais eficiente, desde que tenha passageiros".
A este propósito, deu como exemplos a Linha de Leixões, que "tem, em média, três passageiros por circulação", e a Linha de Leste, em que "cada passageiro custa 120 a 130 euros".
O secretário de Estado disse que querer levar o comboio ou o metro a zonas que não garantam o número necessário de passageiros é "desperdiçar dinheiro dos contribuintes".
Durante a sua intervenção, Correia da Fonseca destacou também o que considerou ser um "vício terrível", que consiste no facto de as câmaras municipais aproveitarem as obras das empresas de transporte ferroviário para fazerem requalificação urbana.
"A requalificação urbana é uma responsabilidade das autarquias", sublinhou.
Quanto à alta velocidade ferroviária, o secretário de Estado afirmou que o projecto coloca "uma grande expectativa no projecto", acrescentando que "será um marco fundamental no sentido da integração de Portugal nos mercados ibérico e europeu".