EUA apresentam plano de 15 pontos ao Irão para terminar com guerra no Médio Oriente
Acompanhe os desenvolvimentos do dia no conflito no Médio Oriente.
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Navios não hostis autorizados por Teerão a passar Estreito de Ormuz
A Organização Marítima Internacional (OMI) afirmou esta terça-feira ter recebido do Irão a garantia de que "navios não hostis" podem transitar pelo Estreito de Ormuz, desde que respeitem as regras de segurança e proteção.
Segundo a agência das Nações Unidas para a segurança marítima, a garantia consta de um documento, datado de domingo, emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, com pedido de que fosse divulgado, o que a OMI fez aos seus Estados-Membros e organizações não-governamentais.
"Os navios não hostis (...) podem --- desde que não participem em atos de agressão contra o Irão nem os apoiem e que cumpram integralmente as regras de segurança e proteção em vigor --- beneficiar de uma passagem segura pelo estreito de Ormuz, em coordenação com as autoridades competentes", refere o documento divulgado.
Desde o início da ofensiva de Israel e Estados Unidos contra o Irão, este país tem ameaçado e atacado navios que tentam atravessar o Estreito de Ormuz, por onde passa perto de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás, levando a um bloqueio da via e uma escalada de preços.
EUA apresentaram plano de 15 pontos ao Irão para terminar com a Guerra no Médio Oriente
Os EUA enviaram um plano ao Irão para terminar com a guerra no Médio Oriente, avançou o The New York Times, refletindo a intenção de encontrar uma solução para o conflito, que tem impactado fortemente a economia global.
De acordo com o jornal, o plano de 15 pontos foi enviado através do Paquistão, que se voluntariou para mediar as conversações, mas ainda não se sabe se os iranianos vão aceitá-lo como base para as negociações ou se Israel tem conhecimento do mesmo.
Já o Channel 12, de Israel, avançou que os EUA pretendem implementar um cessar-fogo de um mês para negociar com o regime de Teerão.
O canal avança com mais detalhes sobre a proposta dos EUA ao Irão, que prevê o desmantelamento do programa nuclear, o compromisso de nunca desenvolver armas nucleares, deixar de apoiar milícias, reabrir o estreito de Ormuz e aceitar limites às capacidades dos seus mísseis
Em troca, os EUA comprometem-se a levantar as sanções existentes e a ameaça de reimposição automática de sanções, como estava prevista no acordo nuclear anterior. Além disso, o Irão poderá receber assistência para desenvolver um programa nuclear civil.
O canal refere ainda Israel mostrou preocupação com o plano e pensa que o Irão irá rejeitar a proposta, que terá sido promovida pelos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.
O Wall Street Journal, por seu turno, avançou que mediadores da Turquia, Egito e Paquistão estão a tentar que representantes dos EUA e Irão se reúnam nas próximas 48 horas, mas as partes continuam bastante distantes.
Trump volta a dizer que estão em curso negociações com Irão. Alega que Teerão "concordou em não ter armas nucleares"
O Presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a alegar que os norte-americanos “estão em negociações com o Irão", que “concordou em não ter armas nucleares”. Na tomada de posse do novo secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, Trump disse também que o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, estão envolvidos nas conversações.
Sobre o desfecho das negociações, Trump disse que “tudo se resume à questão nuclear”, dizendo que, das 10 principais prioridades, as primeiras três são impedir que o regime tenha uma arma nuclear. Trump disse também que o Irão deu aos EUA um "presente" como sinal de boa-fé nas negociações no valor de “milhares de milhões de dólares” e relacionado com o estreito de Ormuz.
“O outro lado quer alcançar um acordo”, referiu Trump, referindo novamente que a Marinha, a Força Aérea, e as comunicações do país foram arrasadas, e que “os EUA podem circular livremente em Teerão”. “A imprensa faz parecer que foi um empate, mas não é assim”.
EUA planeiam destacar 3.000 soldados para Médio Oriente
O Pentágono planeia destacar cerca de 3.000 soldados da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército para o Médio Oriente, de forma a apoiar as operações contra o Irão, de acordo com o WSJ. A ordem escrita deve ser emitida nas próximas horas, diz o jornal.
Os responsáveis contactados pelo WSJ assinalam que a decisão de enviar tropas para o terreno ainda não foi tomada, mas o envio da divisão dá mais opções estratégicas ao Presidente dos EUA, Donald Trump.
Nos últimos dias, têm surgido várias notícias sobre um eventual reforço dos efetivos militares no Médio Oriente, tendo o Pentágono reconhecido que estava a fazer preparativos nesse sentido. Questionado sobre o assunto por um jornalista, Trump disse que não iria “colocar tropas em lado nenhum, mas se fosse não lhe diria”.
Apesar de os EUA terem anunciado negociações, o Irão, que rejeita as conversações, continua a atacar vários alvos no Médio Oriente, não só em Israel, mas também no Kuwait, Barém e Arábia Saudita.
Casa Branca diz que negociações com Irão são “situação fluida”. Paquistão poderá ser intermediário
As negociações entre EUA e Irão, confirmadas pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, e desmentidas pelo regime de Teerão, continuam a gerar incerteza.
Questionada sobre a possibilidade de os EUA participarem em conversações no Paquistão, a secretária de Imprensa da Casa Braca, Karoline Leavitt, disse que “estas são discussões diplomáticas sensíveis e os EUA não vão negociar através da imprensa”.
“Esta é uma situação fluida e especulação sobre reuniões não deve ser encarada como definitiva até serem formalmente anunciadas pela Casa Branca”, disse Leavitt.
O Paquistão é um dos países dispostos a agir como intermediário nas negociações entre Washington e Teerão, de acordo com a imprensa, que indica que uma reunião presencial poderá ter lugar nos próximos dias em Islamabad.
Esta terça-feira, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, escreveu no X que o seu país está disposto a receber as negociações entre os EUA e Irão para um “acordo abrangente” sobre a guerra.
“Sujeito à concordância dos EUA e Irão, o paquistão está pronto e sente-se honrado em ser o anfitrião para facilitar conversações significativas e conclusivas para um acordo abrangente sobre o conflito em curso”, publicou.
A proposta parace ter a anuência de Donald Trump, que publicou um “screenshot” da mensagem de Sharif na sua conta na rede social Truth Social.
Irão cobra taxa por passagem de navios pelo estreito de Ormuz
O Irão começou a cobrar uma taxa aos navios para atravessarem em segurança o estreito de Ormuz, avança a Bloomberg. Estes montantes podem chegar aos 2 milhões de dólares por viagens, mas não estão, aparentemente, a ser cobrados com uma regra, acabando por funcionar como uma taxa informal, explicaram fontes próximas do assunto, que pediram anonimato.
Alguns navios já fizeram o pagamento, mas desconhece-se em que moeda. A cobrança destes montantes vem, de certo modo, confirmar o poder do Irão sobre a passagem marítima.
Operações do centro de dados da Amazon no Barém interrompidas devido a danos provocados por drones
A Amazon indicou nesta terça-feira que as operações do centro de dados no Barém foram interrompidas devido à atividade de drones, sendo esta a segunda vez que o serviço de computação na nuvem no Médio Oriente é afetado desde o início do conflito com o Irão.
A empresa afirma que o Amazon Web Services (AWS) na região do Barém "sofreu interrupções em resultado do conflito em curso" na madrugada desta terça-feira, sem fornecer mais detalhes.
"Continuamos a apoiar os clientes afetados, ajudando-os a migrar para regiões alternativas da AWS, com um grande número já a operar com sucesso as suas aplicações a partir de outras partes do mundo", afirmou a empresa em comunicado.
Três centros de dados da AWS no Médio Oriente, incluindo dois nos Emirados Árabes Unidos e um no Barém, foram danificados por ataques com drones iranianos dias após o início da guerra.
A empresa tem aconselhado os clientes que utilizam servidores no Médio Oriente a migrarem os serviços baseados na nuvem para outras regiões e a desviarem o tráfego dos Emirados Árabes Unidos e do Barém.
Ex-comandante da Guarda Revolucionária nomeado líder do Conselho de Segurança Nacional
O Irão nomeou hoje Mohammad Bagher Zolghadr, um antigo comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, como novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, substituindo Ali Larijani, morto num ataque aéreo.
A televisão estatal iraniana indicou que Zolghadr atingiu o posto de general de brigada na Guarda Revolucionária e desempenhava funções como secretário do Conselho de Discernimento do Irão.
"Mohamad Baqer Zolgadr, com o aval e a aprovação do líder supremo da Revolução Islâmica e por decreto do presidente [Masoud Pezeshkian], foi nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional", informou na rede social X o diretor adjunto do gabinete de comunicação presidencial, Seyyed Mehdi Tabatabaei.
A 18 deste mês, num ataque aéreo israelita realizado na noite anterior, o Irão confirmou a morte de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, de Gholamreza Soleimani, líder da milícia Basij, e do ministro com a tutela dos serviços de informações, Ismail Khatib.
Desde o início da ofensiva, Israel tem reclamado as mortes de dirigentes e altas patentes militares do regime, donde se destaca o ex-líder supremo iraniano, aiatola Ali Khamenei, logo a 28 de fevereiro, o primeiro dia de bombardeamentos em Teerão.
Irão suspende exportação de gás natural para a Turquia
O Irão parou de exportar gás natural para a Turquia depois de um ataque israelita do campo de gás de South Pars na semana passada, disseram fontes próximas do assunto à agência Bloomberg.
A Turquia comprou ao Irão no ano passado 14% do seu gás natural. Ancara tem outros grandes fornecedores, como a Rússia e o Arzebeijão e conta também com reservas. Ainda não se sabe quanto tempo durará esta suspensão.
Fórum Económico Mundial adia conferência na Arábia Saudita por causa da guerra
O Fórum Económico Mundia adiou a sua próxima conferência, na Arábia Saudita, devido à guerra no Irão.
Foi o próprio fórum a anunciá-lo, explicando que a Reunião Global de Colaboração e Crescimento, que iria acontecer em abril em Jedá, vai ser reagendada "tendo em conta os acontecimentos regionais atuais".
Arábia Saudita intercetou 27 drones em ataques atribuídos a Teerão
As autoridades da Arábia Saudita anunciaram hoje a interceção de 27 drones na zona oriental do país, atribuindo os atques às forças iranianas.
O Ministério da Defesa saudita afirmou, através das redes sociais, que os sistemas de defesa aérea abateram os aparelhos aéreos não tripulados (drones), sem reportar vítimas ou danos materiais.
No passado sábado, vários cidadãos iranianos que trabalhavam na embaixada de Teerão em Riade foram declarados "persona non grata".
Na semana passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Faisal bin Farhan, alertou que o reino saudita pode vir a responder militarmente aos ataques iranianos.
As autoridades sauditas alegaram ter abatido dezenas de mísseis e drones disparados pelo Irão, que lançou ataques contra interesses de Israel e dos Estados Unidos contra vários pontos do Médio Oriente.
O Irão disse que se tratam de ataques de retaliação contra a campanha de bombardeamentos dos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano iniciada no passado dia 28 de fevereiro.
Estados do Golfo mais perto de um envolvimento no conflito com o Irão
Os aliados dos Estados Unidos no Golfo estão a aproximar-se de uma eventual entrada no conflito com o Irão, num contexto de escalada de ataques que têm atingido infraestruturas energéticas e pressionado as economias da região, avança o Wall Street Journal. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estão a endurecer posições, tanto no apoio logístico às operações norte-americanas como na pressão financeira sobre Teerão.
Segundo fontes citadas pelo jornal, Riade terá autorizado o uso de bases aéreas por forças dos EUA e o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman estará mais próximo de decidir uma participação direta nos ataques. Do lado dos Emirados, o foco tem passado por restringir ativos ligados ao Irão, incluindo o encerramento de instituições e a possibilidade de congelar milhares de milhões de dólares.
Apesar de manterem publicamente uma posição de contenção, há sinais de envolvimento indireto no conflito, com indícios — baseados em vídeos verificados — de lançamentos de mísseis a partir do Bahrain e ataques iranianos a infraestruturas militares e energéticas na região. Ainda assim, os países do Golfo continuam hesitantes em assumir um papel militar direto, receando represálias e um eventual recuo dos EUA que os deixe expostos.
A pressão para agir tem aumentado à medida que o Irão intensifica ataques e sinaliza ambições sobre o estreito de Ormuz, uma via crítica para o transporte global de energia. Perante este cenário, os líderes do Golfo têm insistido junto de Washington para ir mais longe na neutralização das capacidades militares iranianas.
Von der Leyen: "A situação é crítica para para os aliados" no abastecimento energético
A presidente da Comissão Europeia, diz que é tempo de negociar com o Irão para acabar com a guerra, dada a situação energética "crítica".
Em declarações na Austrália, onde fechou um acordo de comércio livre, Ursula von der Leyen disse: "A situação é crítica para para os aliados no domínio do abastecimento energético a nível mundial. Todos sentimos as repercussões nos preços do gás e do petróleo, nos nossos negócios e nas nossas sociedades, mas é da maior importância que cheguemos a uma solução negociada, que ponha fim às hostilidades a que assistimos no Médio Oriente."
Duas infraestruturas energéticas iranianas atacadas
Duas infraestruturas energéticas iranianas foram alvo de ataques israelo-americanos, segundo a agência Fars, horas após a reviravolta inesperada de Donald Trump ao anunciar o adiamento por cinco dias da decisão de atacar centrais de energia iranianas.
"Na sequência dos ataques levados a cabo pelo inimigo sionista e americano, o edifício da administração do gás e a estação de redução de gás da rua Kaveh, em Isfahan, foram atacados", escreveu a Fars.
Estas instalações ficaram "parcialmente danificadas", acrescentou a agência semi-estatal iraniana.
Isfahan, grande cidade no centro do Irão, é uma antiga capital do império persa.
Ainda segundo a Fars, "um ataque" visou igualmente "o gasoduto da central elétrica de Khorramshahr", cidade portuária do sudoeste do Irão.
"Um projétil atingiu as imediações da estação de tratamento do gasoduto de Khorramshahr", sublinhou a Fars, citando o governador desta cidade fronteiriça com o Iraque.
A extensão dos eventuais danos não foi especificada.
Na segunda-feira, o Presidente norte-americano anunciou um adiamento por "cinco dias" da decisão de atacar centrais de energia iranianas, que prometeu que levaria por diante, uma vez esgotado o prazo de 48 horas que Trump tinha dado na madrugado de sábado a Teerão para abrir o Estreito de Ormuz à navegação.
Mais tarde, Trump acrescentou que Washington e Teerão encontraram "pontos de acordo importantes" durante negociações conduzidas com um "alto dirigente" iraniano não identificado.
O ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros iraniano negou, porém, na segunda-feira a existência de "qualquer negociação com os Estados Unidos".
Teerão reconheceu, no entanto, ter recebido, através de "países amigos", "mensagens transmitindo um pedido americano de negociações" para pôr fim ao conflito.
Japão começa na quinta-feira a libertar reservas estatais de petróleo
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, confirmou hoje que Tóquio vai começar a libertar as reservas estratégicas de petróleo na quinta-feira, face a preocupações com o abastecimento devido ao conflito no Golfo Pérsico.
"Considerando o impacto da situação no Médio Oriente na economia nacional, para garantir que não há interrupções no fornecimento (...), começámos a libertar as reservas privadas no dia 16 de março e começaremos a libertar as reservas nacionais esta semana, no dia 26", declarou Takaichi, na rede social X.
Takaichi acrescentou que a libertação de reservas conjuntas por parte dos membros da Agência Internacional de Energia (AIE) deverá também começar antes do final do mês.
Em 19 de março, o Japão já tinha reativado uma série de subsídios - suspensos no final de 2025, na sequência de uma abolição do imposto sobre os combustíveis - para conter o preço da gasolina, que atingiu um recorde máximo.
Na mesma mensagem, Takaichi insistiu em "fazer todos os esforços diplomáticos necessários" e defendeu a cimeira realizada na semana passada em Washington com o Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, a quem enfatizou a importância de "garantir a segurança da navegação no estreito de Ormuz".
"Em particular, no que diz respeito a um fornecimento estável de petróleo bruto, confirmamos que o Japão e os Estados Unidos irão colaborar para aumentar a produção de petróleo bruto dos EUA e expressamos o nosso desejo de empreender um projeto conjunto para armazenar petróleo dos Estados Unidos", afirmou a primeira-ministra.
Por outro lado, Takaichi salientou que o Governo facilitou a saída de mais de 1.100 cidadãos japoneses que se encontravam nos países do Golfo quando a guerra começou.
A líder do executivo celebrou também o regresso ao Japão de um cidadão japonês que tinha sido detido no Irão, após a sua libertação, na semana passada.
Os 32 países membros da AIE decidiram, em 11 de março, libertar 400 milhões de barris de petróleo para amortecer a subida vertiginosa dos preços provocada pela guerra no Irão.
Trata-se do maior desbloqueio de reservas alguma vez decidido pela instituição, criada há mais de 50 anos.
A agência tinha dito, em 15 de março, que as reservas dos países da Ásia e da Oceânia seriam descongeladas "de imediato" enquanto as das Américas e da Europa sê-lo-iam "no final de março".
Em 16 de março, o Japão, muito dependente do petróleo da região em guerra, reduziu o nível das reservas privadas obrigatórias de petróleo bruto e produtos petrolíferos, o que implica a libertação de um volume correspondente a 15 dias de consumo doméstico.
O preço do petróleo disparou desde o início da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, a 28 de fevereiro, que provocou a quase paralisia do estreito, por onde transita habitualmente 20% do petróleo bruto mundial.
Valor de fabricantes de baterias da China dispara face a impulso às energias limpas
Os principais fabricantes chineses de baterias somaram mais de 70.000 milhões de dólares (60.000 milhões de euros) em capitalização bolsista desde os ataques israelo-americanos ao Irão, refletindo expectativas de um impulso às energias limpas.
As ações da CATL, BYD e Sungrow, que produzem baterias e equipamentos de armazenamento de energia, superaram o desempenho de grandes petrolíferas como Chevron, ExxonMobil e BP desde o início do conflito.
A valorização das empresas de energia limpa ilustra como a China e outros países importadores de petróleo poderão responder à guerra reforçando o investimento em energias renováveis, com o objetivo de aumentar a segurança energética.
Citado pelo jornal britânico Financial Times, Neil Beveridge, responsável pela análise energética da Bernstein, considerou que a China, maior importador mundial de petróleo, deverá intensificar a estratégia de "eletrificar tudo". Outras grandes economias asiáticas, como o Japão, a Coreia do Sul e Taiwan, poderão seguir a mesma via.
"Isso altera completamente o paradigma energético", afirmou o analista, acrescentando que "mesmo que a guerra termine no próximo mês, não há regresso ao ponto anterior", disse.
Desde o final de fevereiro, quando foram lançados os ataques, as ações da CATL subiram 19%, as da Sungrow 19,4% e as da BYD, também líder mundial na produção de veículos elétricos, 21,9%.
Em comparação, a valorização foi de 15,2% para a BP, 8% para a Chevron, 8,3% para a Shell e 4,7% para a ExxonMobil, beneficiando estas petrolíferas de uma subida de 47% nos preços do petróleo no mesmo período.
As redes elétricas necessitam de baterias para armazenar energia, sobretudo à medida que aumenta a dependência de fontes renováveis, cuja produção é intermitente. Estes sistemas são também essenciais para suportar centros de dados com elevado consumo energético.
O mercado interno chinês de armazenamento de energia à escala de rede poderá atingir 199 mil milhões de dólares (171 mil milhões de euros) até 2032, face a 48 mil milhões de dólares (41 mil milhões de euros) no ano passado, segundo a consultora Mobility Foresights.
Li Shuo, diretor do China Climate Hub do Asia Society Policy Institute, sublinhou que os recentes ataques a infraestruturas de gás natural liquefeito no Golfo evidenciam os riscos inerentes à dependência de combustíveis fósseis.
"Os países do leste asiático mais dependentes de importações de GNL [gás natural liquefeito] enfrentarão em breve um choque económico incalculável, apesar da distância ao conflito", afirmou, defendendo que os países em desenvolvimento devem investir fortemente em energias limpas e transportes para se protegerem de choques geopolíticos futuros.
Chile anuncia subida histórica dos combustíveis devido à guerra
O Governo do Chile aprovou na segunda-feira uma subida histórica dos preços dos combustíveis e decidiu limitar os apoios ao setor dos transportes, na sequência da escalada do preço do petróleo provocada pela guerra no Golfo Pérsico.
Após a decisão do ministério das Finanças, liderado por José Antonio Kast, o preço da gasolina deverá aumentar cerca de 32% e o do gasóleo 62% a partir de quinta-feira, naquela que é a segunda maior subida da história do país.
"Já o disse antes. Espero que o país compreenda a situação que herdámos, uma situação historicamente frágil", afirmou o ministro da tutela, Jorge Quiroz, que atribuiu a medida à gestão do anterior Governo.
Numa entrevista à CNN Chile, o governante sublinhou que o país enfrenta "uma crise histórica" e um dos maiores choques no mercado global do petróleo.
Quiroz referiu ainda que o Chile atravessa uma situação de forte restrição económica, com níveis elevados de dívida pública, indicando que o Estado deve atualmente mais 40 mil milhões de dólares (mais de 34 mil milhões de euros) do que há quatro anos.
O Executivo anunciou também um conjunto de medidas para mitigar o impacto da subida, centradas no transporte rodoviário, um dos setores mais influentes numa economia dependente do transporte por camião.
Entre as medidas está um subsídio mensal de 100 mil pesos (cerca de 77 euros) para táxis e táxis coletivos, durante até seis meses, sujeito a aprovação parlamentar, bem como uma nova linha de crédito preferencial para renovação de frotas, com incentivo à mobilidade elétrica.
Está ainda prevista a suspensão temporária de benefícios fiscais para empresas não transportadoras, equiparando-as ao regime aplicável ao setor dos transportes, medida que será discutida no parlamento.
O Governo decidiu também congelar as tarifas dos transportes públicos na capital até 31 de dezembro de 2026 e atribuir verbas às regiões para adotarem medidas semelhantes.
No setor energético, as medidas incidem apenas sobre a parafina, cujo preço será reduzido para níveis de fevereiro de 2026 e mantido estável durante o outono e inverno.
O executivo anunciou ainda que irá apresentar um projeto de lei com caráter de urgência para reforçar o Fundo de Estabilização do Preço do Petróleo, passando de cinco para 60 milhões de dólares (51 milhões de euros).
O Governo garantiu que vai trabalhar com os transportadores para reforçar a segurança no transporte de mercadorias, perante receios de eventuais protestos.
Poucos minutos após o anúncio dos aumentos registaram-se longas filas nas estações de serviço em Santiago.
O presidente da Confederação Nacional do Transporte de Carga Terrestre do Chile, Sergio Pérez, alertou que a subida dos combustíveis obriga a rever as tarifas do setor para garantir a continuidade da atividade.
"Precisamos de soluções concretas para que não seja afetada uma atividade fundamental para o funcionamento do país", afirmou.
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