El Pais: Portugal e Grécia pagam incertezas políticas da zona euro
"A Europa, a zona euro, deve assumir que o mais urgente é evitar que se quebrem mais economias", defende o jornal espanhol.
Portugal e a Grécia estão a pagar as incertezas políticas da Zona Euro que continua incapaz de chegar a acordo para balançar ajustes económicos e crescimento, refere o jornal El Pais em editorial.
"Portugal e a Grécia estão a pagar as incertezas políticas da zona euro, que não encontra a fórmula para dissolver esta contradição entre ajustes e crescimento. Com restrições orçamentais draconianas é difícil crescer e sem crescimento não é possível pagar as dívidas", lê-se no editorial, intitulado "Efeitos secundários".
"A Europa, a zona euro, deve assumir que o mais urgente é evitar que se quebrem mais economias", defende.
Por isso, deve ser fortalecido o fundo europeu, ampliando o seu uso à compra de títulos soberanos no mercado secundário, para evitar que os problemas da Grécia, Irlanda ou Portugal contaminem o resto da zona euro.
O jornal recorda que Portugal e Grécia começaram esta semana com "novos episódios de convulsão", neste caso depois da agência Moody's ter reduzido o rating da dívida soberana grega.
"As explicações da Moody's revelam até que ponto a Grécia está metida numa contradição praticamente insarável; contradição que pode alcançar os países mais afectados pelos medos dos mercados de investimento, com Portugal em primeiro plano", escreve o jornal.
O El Pais refere que a Moody's reconhece que a Grécia fez progressos em termos de consolidação fiscal e reformas estruturais, mas como têm dificuldades em aumentar as receitas públicas (em parte devido a essa consolidação fiscal), está em maior risco de ter que reestrutura a dívida.
"A Moody's castiga a Grécia pelos efeitos secundários dos medicamentos que a zona euro e o FMI receitaram", escreve o jornal.
O El Pais considera que a Grécia precisa de ampliar o prazo de devolução e reduzir os níveis de juros do empréstimo de 110 mil milhões de euros que recebeu da UE e do FMI, mas "necessita antes disso, de gerar rendimentos suficientes para pagar as dívidas".
Daí, recorda, que os investidores "devem ter em conta que se extremam os rigores do ajuste, países como a Irlanda, Portugal ou Grécia podem ver obrigados a reestruturar a dívida e os investidores e os próprios países teriam que pagar as consequências".