Economia Excedente comercial encolhe: turismo não chega para compensar défice nos bens

Excedente comercial encolhe: turismo não chega para compensar défice nos bens

As exportações de bens para os principais parceiros comerciais portugueses cresceram a bom ritmo, mas não foram suficientes para compensar o aumento das importações.
Excedente comercial encolhe: turismo não chega para compensar défice nos bens
Miguel Baltazar/Negócios
Margarida Peixoto 21 de fevereiro de 2018 às 13:16

O excedente comercial da economia portuguesa diminuiu em 2017: encolheu 305 milhões de euros, divulgou esta quarta-feira o Banco de Portugal. O superavit conseguido durante o período de ajustamento está agora a acusar a recuperação da economia e o consequente aumento da importação de bens, mostram os dados.


Em 2017, Portugal exportou mais 3.511 milhões de euros em bens e serviços do que aquilo que importou. Ainda assim, este excedente ficou aquém do registado em 2016.


Conforme explica o Banco de Portugal, a diminuição do superavit explica-se pelo comércio de bens: o défice agravou-se 2.463 milhões de euros, um valor demasiado elevado para ser compensado pelo bom comportamento dos serviços. Na balança de serviços, o excedente aumentou 2.158 milhões.


Do lado dos serviços, é o turismo quem está a dar gás aos ganhos. O comércio de viagens e turismo registou um excedente de 10.861 milhões de euros, mais 2.030 milhões do que o verificado em 2016.


Mas do lado dos bens, pesa a categoria de bens de equipamento. O défice nas trocas destes produtos agravou-se 476 milhões de euros. Por países, nota-se uma degradação dos saldos comerciais com os principais parceiros: é certo que as exportações cresceram a bom ritmo, mas as importações aumentaram ainda mais.


Por exemplo, o défice registado com a Alemanha agravou-se mais de 800 milhões de euros - é que as exportações cresceram 7%, mas as importações aumentaram 14,9%. Com Espanha a balança comercial de bens degradou-se outros 900 milhões de euros, com as exportações de mercadorias a subirem 7,2% mas as importações a crescerem 9,3%.

Governo destaca recorde nas exportações de bens e serviços

 

Em comunicado enviado às redacções, o Ministério da Economia destaca o recorde conseguido nas exportações de bens e serviços em 2017. Como mostram os dados do banco central, pela primeira vez Portugal vendeu mais de 80 mil milhões de euros ao exterior, tendo atingido os 84 mil milhões em Dezembro.

 

Também o peso das exportações no PIB foi o mais elevado dos últimos 23 anos (o início da série do Instituto Nacional de Estatísticas) tendo alcançado os 42,5%, um valor que ainda fica abaixo mas que já se aproxima do conjunto da União Europeia (45,6%).

 

O Executivo destaca ainda que muitos dos segmentos de exportações de bens cresceram acima dos dois dígitos e que os bens ainda pesam 64% do total de exportações.


"Agregando os sectores, verifica-se que as indústrias de capital intensivo (metalomecânica, máquinas, automóvel e química) são responsáveis por cerca de um terço do crescimento das exportações de bens e serviços em 2017, seguindo-se o turismo, que contribuiu com 29,1% do crescimento", lê-se na nota.

(Notícia actualizada às 15:00 com a reacção do Ministério da Economia)




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mais votado Anónimo 21.02.2018

As reformas pararam e o despesismo com salários injustificáveis e futuras pensões disparou, iniciando a contagem decrescente para o próximo resgate à República Portuguesa. O engano ou ilusão que se viveu entre 2005 e 2010 está a ser minuciosamente replicado pelo novo governo socialista. Não tenhamos dúvidas disto. Portugal julga-se imune à quarta revolução industrial e mais uma vez opta por não participar nela ou não se adaptar a ela julgando ser possível viver como economia de elevado rendimento usando o paradigma do funcionalismo público e privado excedentário, alavancado pelo crédito bancário subsidiado e tendo uma fé inabalável no turismo.

comentários mais recentes
Anónimo 21.02.2018

Nada de diferente do que se viveu num passado recente, com tendências a piorar...

Anónimo 21.02.2018

Mais de 30 anos após a sua integração europeia o País continua a querer consumir como um país rico mas não consegue produzir como um país rico. Por issso endivida-se como um país pobre.

Anónimo 21.02.2018

É mais fácil e mais barato comprar feito.
O país que se dane. Sempre foi assim. Sempre o lado mais fácil.
Enquanto não houver incentivos sérios a exportação e responsabilização a valer aos gestores que arruínam empresas, isto vai continuar assim.

Anónimo 21.02.2018

Olha o cirespe já funciona! que bom! pois esta a chegar a época dos fogos e assim começa a haver motivo para discussão no parlamento! Agora o desemprego vai diminuir pois temos que limpar os terrenos!

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