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Exportações da China crescem 2,5% em março e desaceleram com impacto da guerra no Irão

As exportações ligadas à tecnologia, incluindo o aumento dos envios de semicondutores, impulsionado pelo 'boom' global da inteligência artificial, sustentaram o desempenho robusto no início de 2026, mas economistas alertam que o prolongamento da guerra no Irão poderá afetar a procura global por produtos chineses.

Xi Jinping, Presidente da República Popular da China
Xi Jinping, Presidente da República Popular da China Wu Hao / Lusa - EPA
07:32

As exportações da China cresceram 2,5% em março, desacelerando face aos dois meses anteriores, num contexto de incerteza devido à guerra no Irão e ao impacto nos preços da energia e na procura global.

Os dados divulgados esta terça-feira pela Administração Geral das Alfândegas da China ficaram aquém das estimativas dos analistas e representam uma forte descida, face ao crescimento de 21,8%, registado em janeiro e fevereiro.

As importações aumentaram 27,8% em março, acima da subida homóloga de 19,8% verificada nos primeiros dois meses do ano.

As exportações ligadas à tecnologia, incluindo o aumento dos envios de semicondutores, impulsionado pelo 'boom' global da inteligência artificial, sustentaram o desempenho robusto no início de 2026, mas economistas alertam que o prolongamento da guerra no Irão poderá afetar a procura global por produtos chineses.

"As exportações da China desaceleraram à medida que a guerra no Irão começa a afetar a procura global e as cadeias de abastecimento", afirmou Gary Ng, economista para a Ásia-Pacífico no banco francês Natixis.

Apesar da recuperação significativa registada no início do ano, a procura deverá enfraquecer devido ao choque energético provocado pelo conflito, segundo economistas do Bank of America, liderados por Helen Qiao.

Os riscos aumentam caso o conflito se prolongue além do esperado, podendo originar uma desaceleração global persistente, acrescentaram.

As tarifas impostas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, bem como as tensões entre Washington e Pequim, têm também pressionado as exportações chinesas para o mercado norte-americano, levando a China a reforçar as vendas para outras regiões, como a Europa, o Sudeste Asiático e a América Latina.

Os analistas acompanham ainda com atenção a visita prevista de Trump a Pequim, em maio, para se reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping, após um adiamento motivado pela guerra no Irão.

As autoridades chinesas fixaram uma meta de crescimento económico entre 4,5% e 5% para 2026, o nível mais baixo desde 1991.

A China cumpriu o objetivo de crescimento de "cerca de 5%" em 2025, apoiado por exportações fortes -- com um excedente comercial recorde de 1,2 biliões de dólares (mais de um bilião de euros) -- e analistas consideram que estas deverão continuar a ser um motor essencial da economia este ano, numa altura em que a prolongada crise no setor imobiliário continua a pesar sobre a procura interna e o investimento.

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