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FMI: Banca irlandesa ainda enfrenta "desafios consideráveis"

O Governo irlandês cumpriu o primeiro conjunto de objectivos assumido a troco da ajuda externa, mas o sistema financeiro continua sob grande pressão.

09 de Fevereiro de 2011 às 15:30

A conclusão é do Fundo Monetário Internacional (FMI) que hoje divulgou os resultados da primeira missão de acompanhamento das reformas prometidas pelo Governo demissionário de Brian Cowen.

“A implementação do programa está a ser feita de acordo com o planeado, não obstante a incerteza do ambiente político”, escreve o Fundo, realçando em particular o esforço de ajustamento orçamental, realizado num contexto ainda recessivo. O FMI calcula que a economia irlandesa tenha contraído 0,2% no ano passado e para este ano vislumbra uma “modesta recuperação, assente nas exportações".

Depois de colossais injecções de capitais públicos na banca, o défice orçamental irlandês terá fechado o ano de 2010 no equivalente a 32% do PIB, o que forçou o Governo a pedir ajuda externa ao FMI e à Zona Euro, no valor de 67,5 mil milhões de euros. Metade deste valor será destinado à banca – e é aqui que o FMI dá a pior nota.

“No sector bancário, há progressos no sentido de recapitalizar, desalavancar, resolver a situação de bancos não viáveis e de reforçar o enquadramento legal”. Contudo, acrescenta o relatório da instituição, a banca irlandesa ainda enfrenta “desafios consideráveis”, em especial para reforçar para 12% os respectivos rácios de capital (tier 1), como acordado no âmbito da intervenção externa.

Já ontem, o presidente do Anglo Irish Bank avisara que a Irlanda terá de pedir um reforço da ajuda internacional se quer salvar efectivamente os seus bancos. Segundo Alan Dukes, para limpar os balanços dos bancos de todos os activos tóxicos (sem ou quase sem valor) será necessário injectar uma verba 40% superior à prevista, ou seja 50 mil milhões de euros em vez de 35 mil milhões.

O capital necessário terá de vir do Governo, da União Europeia, do Fundo Monetário Internacional ou de qualquer outra fonte externa”, acrescentou Duke.

A Irlanda vai a votos no próximo dia 25, com as sondagens a anteciparem uma derrota histórica do Fianna Fail e a vitória do maior partido da oposição, o Fine Gael, que terá, no entanto, de também governar em coligação.

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