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Investigação à morte de banqueiro português em Moçambique não está fechada

Polícia moçambicana considera que há elementos ligados à morte do português que precisam de ser apurados.

Pedro Ferraz Reis, administrador do BCI, encontrado morto num hotel em Maputo
Pedro Ferraz Reis, administrador do BCI, encontrado morto num hotel em Maputo D.R.
22 de Janeiro de 2026 às 09:23

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) de Moçambique indicou esta quinta-feira à Lusa que ainda não encerrou a investigação à , administrador do banco moçambicano BCI, decorrendo diligências.

“A investigação não foi encerrada, nós não comunicámos que houve encerramento da investigação, ainda decorrem diligências”, disse à Lusa o porta-voz do Sernic, Hilário Lole.

“Segundo o relatório médico-legal, assim como as provas encontradas no local, a disposição das mesmas provas, dúvidas não existem de ter sido suicídio. Entretanto, é preciso apurar porque pode ter sido suicídio, mas [o] suicídio, se calhar, pode ter sido provocado. Então, há esses elementos que precisam ser ainda apurados”, acrescentou o porta-voz.

O Sernic anunciou na terça-feira que o cidadão português Pedro Ferraz Correia dos Reis, de 56 anos, se suicidou numa unidade hoteleira em Maputo, contrariando a primeira versão da polícia, de homicídio.

De acordo com a polícia de investigação moçambicana, o cidadão português e administrador do banco BCI, subsidiária em Moçambique e o maior do país, do grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do também português BPI, tirou a própria vida na casa de banho daquela unidade hoteleira de luxo no centro de Maputo com recurso a instrumentos cortantes, nomeadamente facas, e ingestão de um veneno para ratos.

Nessa conferência de imprensa, o Sernic apresentou imagens de videovigilância do português a comprar os instrumentos e o veneno.

Anteriormente, a porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) na cidade de Maputo, Marta Pereira, avançou que a morte do cidadão português era resultado de homicídio e que investigações estavam em curso, com base nas imagens de videovigilância do referido hotel.

“Quanto às razões, são questões que só poderemos avançar depois da investigação que se está a fazer através do comando conjunto. Mas confirmo o caso”, disse Marta Pereira, acrescentando que o crime aconteceu na segunda-feira, pelas 23:46 horas, e que se tratou de “um homicídio voluntário”.

A morte de Pedro Correia chocou a comunidade portuguesa e moçambicana.

“Neste momento de dor, apresentamos as mais sentidas condolências à família, amigos e colegas, partilhando a consternação sentida pela comunidade portuguesa residente em Moçambique”, lê-se numa mensagem divulgada pela Embaixada de Portugal em Maputo.

Entretanto, uma petição 'online' com mais de 5.000 assinaturas até ao dia de hoje aponta “a incongruência das explicações” sobre a morte do gestor português.

“A investigação realizada pelas autoridades moçambicanas foi dada como concluída num curto espaço de tempo (horas), passando rapidamente da tese de homicídio a suicídio”, lê-se na petição, dirigida ao presidente da Assembleia da República e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, classificando como “descabida e inimaginável” a explicação de que Pedro Correia “saiu do seu local de trabalho para ir a sua casa tirar uma faca da sua cozinha, deslocando-se, depois, a um estabelecimento comercial para adquirir mais duas facas, seguindo depois para outro estabelecimento comprar veneno para os ratos, para em seguida cometer suicídio num hotel”.

“Exige-se que o Estado Português intervenha no sentido de apurar a verdade dos factos e honrar a memória do Pedro Ferraz Correia dos Reis. O seu percurso de vida e o respeito pela sua família tornam obrigatória uma intervenção por parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros”, lê-se.

Segundo o Sernic, na segunda-feira, Pedro Correia saiu do local de trabalho às 14:00 (12:00 em Lisboa), em direção a casa, de onde tirou uma faca. Deslocou-se a um estabelecimento comercial, na marginal de Maputo, para adquirir, entre outros bens, mais duas facas, depois encontradas no interior da sua viatura. De seguida, deslocou-se a outro estabelecimento, onde adquiriu o veneno para ratos, tendo sido "encontradas partes dessa substância no seu organismo" no exame médico-legal.

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