Líderes europeus assinam declaração em defesa da autonomia da Gronelândia
A Gronelândia, uma vasta ilha ártica com uma população de 57.000 habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.
- 4
- ...
Os líderes de Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Polónia defenderam esta terça-feira a autonomia da Gronelândia face às ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, de anexar aquele território controlado pela Dinamarca.
Numa declaração conjunta, sublinham que a ilha ártica, estratégica e rica em minerais, "pertence ao seu povo" e apoiam a posição da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que exigiu aos Estados Unidos (EUA) que parem com as ameaças "contra um aliado histórico".
Donald Trump reiterou o objetivo de anexar a região numa entrevista dada no domingo, na qual afirmou que os EUA precisam da Gronelândia e descreveu a ilha como estando "rodeada de navios russos e chineses".
As declarações levaram o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens Frederik Nielssen, a reagir, defendendo, na segunda-feira de manhã, ter chegado a altura do Presidente dos Estados Unidos parar com as pressões e insinuações.
Recusando qualquer paralelo entre a situação do território dinamarquês e a da Venezuela, cujo líder foi raptado no sábado pelos Estados Unidos, Nielssen lembrou que a Gronelândia é um país democrático.
Pouco depois, a União Europeia (UE) avisou que a Gronelândia não é "um bocado de terra que esteja à venda" e garantiu estar em contacto com o Governo daquela região, enquanto o primeiro-ministro britânico afirmava que o futuro da Gronelândia só pode ser decidido pela própria e pela Dinamarca.
Ao mesmo tempo, a primeira-ministra dinamarquesa alertava para as consequências de um ataque norte-americano a um país da NATO, dizendo que isso seria "o fim de tudo", incluindo da aliança militar e do sistema de segurança estabelecido desde o final da II Guerra Mundial.
Afirmando estar a fazer "todos os possíveis" para impedir uma escalada da tensão, Mette Frederiksen rejeitou as alegações de Washington sobre falhas de segurança no Ártico e sublinhou que a Dinamarca alocou o equivalente a 1,2 mil milhões de euros à segurança na região até 2025.
Apesar do aviso, o chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, Stephen Miller, reiterou, na segunda-feira à tarde, que a Gronelândia deve fazer parte dos Estados Unidos.
"O Presidente [norte-americano] tem vindo a deixar claro, há meses, que os Estados Unidos devem ser a nação que tem a Gronelândia como parte do seu sistema de segurança geral", disse numa entrevista à estação de televisão CNN.
A Gronelândia, uma vasta ilha ártica com uma população de 57.000 habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.
Os Estados Unidos já possuem ali uma base militar e operaram no local cerca de outras 10 durante a Guerra Fria.
Mais lidas