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México e EUA iniciam negociações para rever acordo comercial bilateral

O Ministério da Economia mexicano afirmou em comunicado tratar-se de "um primeiro ciclo oficial de negociações em preparação para a revisão conjunta do acordo", no qual também participa o Canadá.

Claudia Sheinbaum, Presidente do México
Claudia Sheinbaum, Presidente do México Isaac Esquivel Lusa/EPA
27 de Maio de 2026 às 23:45

O México e os Estados Unidos iniciaram oficialmente esta quarta-feira as negociações para rever o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (CUSMA), que se realizam sob pressão das tarifas do governo de Donald Trump.

O Ministério da Economia mexicano afirmou em comunicado tratar-se de "um primeiro ciclo oficial de negociações em preparação para a revisão conjunta do acordo", no qual também participa o Canadá.

O CUSMA, que entrou em vigor em 2020, deve ser reexaminado a cada seis anos.

Este acordo de livre comércio é vital para o México, que tem nos Estados Unidos o seu principal parceiro comercial e mercado de destino de mais de 80% das suas exportações.

O primeiro ciclo de negociações, na Cidade do México, continuará até sexta-feira. Uma segunda série de reuniões terá lugar nos dias 16 e 17 de junho, em Washington, e a última decorrerá a 20 de julho, novamente na capital mexicana.

A delegação mexicana é liderada pelo ministro da Economia, Marcelo Ebrard, e a norte-americana pelo representante adjunto do Comércio, Jeff Goettman.

Segundo o Ministério da Economia mexicano, as partes procurarão "identificar resultados concretos em benefício da região".

"O México e os Estados Unidos reafirmaram o seu compromisso de continuar a fortalecer a sua cooperação bilateral em favor de uma América do Norte mais integrada, mais dinâmica e mais robusta", acrescenta.

Questionado pelos jornalistas numa conferência de imprensa, Ebrard afirmou que o México insistirá para que as tarifas aduaneiras sejam eliminadas nos setores automóvel e do aço, vitais para as exportações mexicanas.

"Numa abordagem sistémica, não deveria haver direitos aduaneiros entre nós", afirmou o ministro.

Questionada também durante a sua conferência de imprensa matinal, a Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, manifestou otimismo quanto à conclusão de um acordo. "Será um diálogo muito construtivo", afirmou.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou várias vezes que o acordo trazia poucos benefícios para os Estados Unidos, deixando no ar a ameaça de se retirar do CUSMA.

Trump acusa o México de servir de porta de entrada a produtos e componentes provenientes da China.

Estas negociações decorrem, aliás, num contexto de tensões entre estes dois países no domínio da segurança.

Os Estados Unidos apresentaram, no final de abril, um pedido de prisão e extradição de dez responsáveis do partido Morena, no poder no México, acusados de tráfico de droga, incluindo Rubén Rocha Moya, o governador do Estado de Sinaloa.

O pedido de extradição dirigido a este último está a ser examinado pela procuradoria-geral do México.

Claudia Sheinbaum exige provas conclusivas antes de qualquer prisão.

Noutro caso, o México protestou junto de Washington depois da participação de agentes da CIA numa operação contra o tráfico de drogas no Estado mexicano de Chihuahua em meados de abril, revelada por um acidente de viação no qual morreram.

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