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Montenegro regressa ao parlamento com polémica no MAI e relatório do PR sobre tempestades

No debate deverá voltar a ser tema a proposta de lei do Governo de revisão das leis laborais, que entrou na Assembleia da República há uma semana.

Luís Montenegro no debate quinzenal
Luís Montenegro no debate quinzenal António Cotrim/Lusa
07:48

O primeiro-ministro responde hoje aos deputados no debate quinzenal, em que deverá ser confrontado com a polémica demissão do secretário-geral adjunto da Administração Interna e com o relatório da Presidência da República sobre as tempestades.

Desde o último debate de Luís Montenegro no parlamento, a 29 de abril, a proposta de lei do Governo de revisão do Código do Trabalho já deu entrada no parlamento, mas continua sem haver nem negociações públicas nem parceiros à vista para a sua aprovação.

O debate começará, desta vez, pelas perguntas do Livre -- o modelo alterna entre a abertura pelo chefe do Governo e pelos partidos, rotativamente - seguindo-se as questões de PSD, Chega, PS, IL, PCP, CDS-PP, BE, PAN e JPP, numa discussão com uma duração prevista de duas horas.

No sábado, foi noticiado -- embora ainda não divulgado oficialmente -- o relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país, realizada por António José Seguro entre 06 e 10 de abril às zonas afetadas pelas tempestades, no qual o Presidente da República considera que as consequências do mau tempo que atingiu o país no início do ano exigem que "se acelerem apoios, se clarifiquem medidas" e se melhore a coordenação entre entidades no terreno.

O relatório de quase cem páginas aponta que a governação da crise nesse período "revelou insuficiências de coordenação, clareza e interoperabilidade" e identifica problemas como "a lentidão de alguns apoios" ou "a necessidade de reforçar a redundância das telecomunicações, do fornecimento de energia, das acessibilidades e da comunicação em emergência", entre outros, apontando dez prioridades de ação (cinco delas imediatas) e onze "lições estratégicas para o futuro".

No domingo, foi conhecida a demissão do secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI), António Pombeiro, que alegou "graves irregularidades" na gestão da SIRESP S.A. durante a presidência do general do Exército Paulo Viegas Nunes, que regressou à presidência da empresa que gere o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).

Num esclarecimento sobre este tema, o gabinete do ministro Luís Neves referiu que o secretário-geral adjunto do MAI pediu pela primeira vez a exoneração a 28 de abril, antes de ser conhecida a escolha de Viegas Nunes, tendo na altura "invocado motivos diferentes dos que estão agora em causa".

No entanto, uma troca de emails, a que a Lusa teve acesso, entre António Pombeiro e elementos do gabinete do ministro da Administração Interna contrariam esta versão, já que no primeiro pedido de demissão a 28 de abril, António Pombeiro faz referências diretas a Viegas Nunes, nomeadamente de tentar aproximar o SIRESP da esfera das Forças Armadas.

No debate deverá voltar a ser tema a proposta de lei do Governo de revisão das leis laborais, que entrou no parlamento há uma semana e retoma a maioria das linhas mestras do anteprojeto do executivo antes da negociação de nove meses em concertação social.

Nos últimos dias, o primeiro-ministro tem insistido na visão do Governo de que é necessário rever as leis laborais para tornar o país mais competitivos, negando a intenção de retirar direitos aos trabalhadores, num diploma que tem merecido críticas generalizadas de toda a oposição à exceção da IL.

O PS já disse que votará contra na generalidade e o Chega, o único outro partido com deputados suficientes para viabilizar a proposta de lei, tem colocado condições que o Governo já recusou, como a redução da idade da reforma e André Ventura avisou que sem cedências em matérias como esta ou melhorias para os trabalhadores por turnos "nem vale a pena conversar".

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