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Movimentos cívicos anti-regime podem influenciar votação em Angola

O investigador da Fundação Suíça pela Paz Didier Péclard considera que as acções dos movimentos cívicos que, desde 2011, contestam na rua o regime angolano, podem diminuir a expectativa do resultado eleitoral do partido.

23 de Agosto de 2012 às 12:28

Em declarações à agência Lusa, Didier Péclard, especialista na história e política angolanas, afirmou que, embora estas manifestações cívicas anti-regime "ainda não [tenham conseguido] ganhar escala", vão, "provavelmente, imprimir uma pressão bastante forte sobre o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola, no poder desde a independência, em 1975), que talvez não [obtenha] uma votação tão favorável quanto em 2008, quando conseguiu mais de 80% dos votos".

"Desde o início de 2011 [que] há uma contestação aberta a José Eduardo dos Santos, à sua liderança. É uma contestação nova, que é importante em termos simbólicos, porque é a primeira vez, desde 1977, que há contestação na rua em Angola. [Ainda que] estas manifestações nunca [tenham conseguido] reunir mais de algumas centenas, ou alguns milhares de pessoas, é possível que essa pressão [eleitoral] exista, de facto", argumentou.

Para Didier Péclard, estas manifestações "devem ser observadas no contexto das primaveras árabes". Foram esses movimentos populares de contestação de poderes autoritários em diversos países árabes que deram aos jovens angolanos "coragem" e "força" para organizar protestos, disse.

O investigador defendeu que a força potencial desta contestação pode ser medida também pela reacção do Governo: "A reacção do MPLA foi, desde a primeira hora, muito forte e quase desproporcionada. Apesar de estar numa posição mais hegemónica que nunca, [o poder] teme que estes movimentos possam crescer e, eventualmente, conduzir a uma situação semelhante à do Egipto, por exemplo, mesmo que, de momento, isso pareça muito pouco provável", disse.

"Houve uma reacção simbólica, com um recurso à retórica do 'os que não estão connosco estão contra a paz, estão pela guerra', e, por outro lado, os jovens foram reprimidos de forma violenta, muitos foram detidos diversas vezes, outros desapareceram", acrescentou.

Este investigador da Fundação Suíça pela Paz (Swisspeace) afirmou ainda que, no que respeita à transparência no processo eleitoral, "a situação [hoje] não é muito diferente da de 2008" (ano em que se realizaram eleições legislativas no país), mencionando as recentes polémicas em torno da nomeação da presidente da Comissão Nacional Eleitoral e da composição dos cadernos eleitorais.

"O MPLA está numa posição de força nestas eleições, porque encarna o Estado angolano, o retorno à paz (...). Não há igualdade entre os diferentes partidos", afirmou.

Didier Péclard considerou que, embora "fazer prognósticos [seja] sempre um pouco arriscado", neste caso "é difícil imaginar como o MPLA pode não ganhar estas eleições".

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