PJ propõe cancelamento de 17,2 milhões de euros de transacções financeiras suspeitas
As investigações de crime financeiro levaram a Polícia Judiciária (PJ) a propor, só no primeiro semestre deste ano, o cancelamento de transacções financeiras quase cinco vezes superiores em valor ao total de 2005, revelou hoje o director nacional da PJ.
As investigações de crime financeiro levaram a Polícia Judiciária (PJ) a propor, só no primeiro semestre deste ano, o cancelamento de transacções financeiras quase cinco vezes superiores em valor ao total de 2005, revelou hoje o director nacional da PJ.
"Nos primeiros seis meses deste ano foram propostos cancelamentos de transacções no valor total de quase 17,2 milhões de euros", especificou o director nacional da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro, num seminário sobre "a prevenção da fraude financeira" promovido pelo Instituto de Formação Bancária.
Este valor é mais de quatro vezes e meia superior ao de todo o ano de 2005, que foi de 3,7 milhões de euros.
No âmbito das investigações de fraude financeira da PJ, a fraude fiscal continua a surgir como o tipo de infracção mais frequente, tendo totalizado 116 das 200 infracções confirmadas em 2005.
A tendência mantém-se este ano, já que no primeiro semestre, das 126 infracções confirmadas, 60 foram de fraude fiscal.
Este aumento "muito substancial" dos números traduz, segundo Alípio Ribeiro, a maior actividade da unidade da PJ dedicada à luta contra o crime económico e financeiro e a prevenção da fraude, mas também é "mérito da muita e cada vez melhor informação" que as instituições financeiras fazem chegar a essa unidade.
Os dados revelam também a crescente cooperação internacional, já que, se em 2005 a PJ recebeu 104 pedidos de informação/cooperação e solicitou 173, nos primeiros 6 meses deste ano já apresentou 160 solicitações e recebeu 47 pedidos.
O director nacional da PJ defendeu, aliás, que no mundo globalizado a cooperação e a formação são "essenciais" na prevenção da fraude e branqueamento de capitais, "uma actividade hoje central para a autoridade policial e judiciária".