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"Prega água, bebe vinho". Funcionários do BCE revoltados com salário extra de 140 mil euros de Lagarde

O valor é pago pelo Banco de Pagamentos Internacionais, entidade da qual Christine Lagarde faz parte do conselho de administração. No entanto, as normas internas do Banco Central Europeu indicam a proibição do pagamento de terceiros aos funcionários.

Christine Lagarde.
Christine Lagarde. AP / Christoph Hardt
17:32

A Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, recebeu 140 mil euros do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS), do qual faz parte da administração, no ano passado. O pagamento tem gerado polémica entre os funcionários da entidade monetária, isto porque, nas normais internas do banco central, está indicado que estão proibidos de receber "quaisquer pagamentos de terceiros em relação ao desempenho das suas funções profissionais". Caso os recebam, devem enviá-lo ao BCE, segundo avançou o Financial Times.

Lagarde é um dos 18 nomes que figuram na lista de banqueiros centrais do mundo que compõem o conselho de administração do BIS, que não divulga o valor destes "salários extra", que têm um valor fixo, ao qual acresce honorários que variam consoante a presença dos membros. No entanto, em resposta ao eurodeputado alemão Fabio De Masi e ao sueco Dick Erixon, a presidente do BCE revelou, pela primeira vez, na sexta-feira, que recebeu 130.457 francos suíços do BIS em 2025, o que equivale a cerca de 140.000 euros.

Em 2024, recebeu um salário base do BCE de 466.000 euros, mais 135.000 euros em benefícios. A remuneração total estimada da francesa de cerca de 741.000 euros, o que torna Lagarde a funcionária mais bem paga da União Europeia.

O pagamento "extra", alegadamente proibido, está a ser altamente contestado entre os funcionários do BCE. Num fórum interno de discussão, alguns membros contestam o "duplo padrão" de Lagarde no tratamento destas remunerações. 

"Prega água, bebe vinho!", “nós, meros mortais, não podemos aceitar o subsídio do BIS”, escreveram funcionários do BCE, em mensagens vistas pelo jornal britânico. Uma outra publicação mostra que o departamento de recursos humanos da entidade monetária informou um membro, que perguntava sobre um projeto conjunto com o BIS, tendo o banco central respondido que não lhe era permitido aceitar a remuneração adicional. 

 Em resposta ao Financial Times, o BCE defende que a presidente "não faz parte da equipa" e, portanto, "não está sujeita às normas internas da empresa", acrescentando que, em vez disso, Lagarde está "sujeita a um código de conduta específico para altos funcionários do BCE".

O banco central afirmou ainda que os funcionários envolvidos nas atividades do BIS “não têm responsabilidades legais e de governação comparáveis às de Lagarde e, portanto, de acordo com as normas internas, não podem aceitar alguma remuneração por essas atividades”.

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