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"Fugiram" de Espanha 100 mil milhões de euros entre Janeiro e Março

Fuga de capitais evidencia a falta de confiança no país.

Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 31 de Maio de 2012 às 23:30
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A fuga de capitais em Espanha começou em Janeiro deste ano, mas em Março bateu todos os recordes: foram 66 mil milhões de euros retirados das instituições financeiras e bancárias do país vizinho. Cerca de um terço desse valor saiu directamente dos bancos e foi aplicado em créditos e depósitos no estrangeiro. Em resultado, o investimento estrangeiro líquido em Madrid tem vindo a afundar, numa altura em que circulam rumores de que o FMI já prepara um pacote de resgate para Espanha.

Os dados ontem divulgados pelo Banco de Espanha mostram que, desde 1990, nunca houve uma fuga de capitais tão pronunciada, que revela que não só os estrangeiros deixam de investir em Espanha como que os espanhóis estão a retirar o seu dinheiro do país vizinho. Até agora, o mês mais negro em termos de saída de capitais financeiros tinha sido Dezembro do ano passado, quando foram transferidos cerca de 30 mil milhões de euros. Desde Julho de 2011, altura em que o investimento financeiro líquido passou a ser negativo, Espanha já perdeu 194 mil milhões de euros.

Esta retirada de capitais é, em grande parte, da responsabilidade dos próprios bancos, que colocam vários milhares de milhões de euros em depósitos temporários com a cobertura de bancos estrangeiros. É uma tendência também seguida pela Administração Pública espanhola e, em muito menor escala, pelas famílias e empresas (em Março, colocaram 1.477 milhões de euros fora de Espanha).

Os jornais espanhóis reconhecem que este é mais um sinal, a juntar a muitos outros, que indicam que a confiança no país tem vindo a deteriorar-se de forma considerável. Ontem, por exemplo, o "spread" das obrigações espanholas face às alemãs subiu para 536 pontos base, depois de anteontem ter atingido o valor mais alto de sempre, 540 pontos. As "yields" das obrigações a dez anos ficaram-se pelos 6,5%, caindo dos 6,7% do dia anterior.

No passado mês de Abril, a dívida espanhola nas mãos de investidores estrangeiros ascendia a "apenas" 37%, escreve o "El País". Nesse mesmo período, a banca espanhola detectou uma descida de quase 2% nos depósitos efectuados por empresas e pelas famílias, a maior queda registada desde a entrada do país na moeda única.

Na Grécia foi ainda pior

Esta tendência não é exclusiva de Espanha. Com os receios de uma saída do euro e de um "default" nos mercados, os gregos começaram a retirar, de forma massiva, as suas poupanças dos bancos. Segundo a "Reuters", estima-se que em apenas um dia (a 14 de Maio) tenham sido retirados 700 milhões de euros em depósitos. Nos últimos dois anos, aliás, os gregos retiraram dos bancos 25% do dinheiro que lá tinham depositado.

Em Portugal, porém, não se verificou esta corrida aos bancos. Aliás, os depósitos até foram reforçados, em consequência das fugas massivas dos certificados de aforro: nos dois primeiros meses deste ano saíram destes instrumentos 433 milhões de euros.

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