"Não há evento de crédito" na Grécia, diz ISDA
Os "credit default swaps" sobre dívida grega não vão ser accionados, já que a operação de troca de dívida "não configura um evento de crédito", diz a International Swaps and Derivatives Association, que tem poder de decisão sobre esta matéria.
A International Swaps and Derivatives Association (ISDA) é um organismo que reúne os maiores bancos e “hedge funds” em todo o Mundo. É esta associação que decide se uma operação representa ou não um “default” e se os bancos que comercializaram os “credit default swaps” devem ou não ressarcir os seus compradores.
A compra de “credit default swaps” é uma forma de reduzir o risco na exposição a um determinado título financeiro. A ISDA vem, portanto, dizer que a operação de troca de dívida é voluntária, apesar da elevada perda de valor para o obrigacionista, e que não representa um “default”.
Estima-se que existam cerca de 2,9 mil milhões de dólares em “credit default swaps” sobre dívida pública da Grécia. Pelo que os bancos que venderam esta protecção terão de ressarcir os compradores dos títulos, que podem não ser necessariamente detentores do título subjacente, a obrigação da Grécia.
A decisão pode ser negativa para Portugal, dizem analistas, já que esta decisão pode sugerir que o mercado de “credit default swaps” é inútil nesta crise da dívida e muitos investidores que protegem o risco do investimento em dívida portuguesa através deste instrumento podem querer desfazer-se dos títulos de dívida, contribuindo para que subam os juros no mercado secundário.