Rato diz que crise no crédito é “séria” e aconselha Governos a ajustarem Orçamentos para 2008
Rodrigo Rato, o ainda director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), antecipa que o aperto nas condições de crédito, decorrente da “crise séria” que deflagrou no “subprime” norte-americano, afectar o crescimento mundial e obrigar os Governos a faz
Rodrigo Rato, o ainda director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), antecipa que o aperto nas condições de crédito, decorrente da "crise séria" que deflagrou no "subprime" norte-americano, afectar o crescimento mundial e obrigar os Governos a fazerem ajustamentos consideráveis nos seus projectos de Orçamento para 2008.
"Os responsáveis políticos não devem pensar que os problemas terminam nos balcões dos bancos. Os problemas vão chegar à economia real e aos Orçamentos", adverte Rato.
Em entrevista hoje publicada pelo Financial Times, o responsável máximo do FMI, que em Novembro será substituído pelo antigo ministro francês das Finanças Dominique Strauss-Kahn, diz que a crise no crédito irá continuar a fazer sentir-se e que levará "alguns meses" até que a liquidez, a oferta de crédito e a diversificação do risco retornem a níveis mais normais.
A crise "vai ter um impacto no crescimento" – em primeiro lugar, nos Estados Unidos, mas também noutras economias "sofisticadas" como as europeias e a japonesa -- e esta circunstância deve levar os ministros das Finanças de todo o mundo a rever as hipóteses em que estão a construir os respectivos Orçamentos de Estado para o próximo ano – algo que, acrescenta, muitos parecem relutantes em aceitar. "Todos vão sentir algum tipo de impacto".
Dólar está "subavaliado"
Rodrigo Rato diz ainda, sem rodeios, que considera que neste momento o dólar "está subavaliado", mas acrescenta ser indesejável forçar correcções bruscas.
Essa é também a avaliação que fazem os responsáveis políticos europeus, preocupados com a alta do euro face à moeda norte-americana e com o seu efeito sobre as exportações da Europa. O assunto será hoje mesmo debatido pelos ministros europeus das Finanças que estão hoje e amanhã reunidos no Luxemburgo no âmbito de um encontro em que tentarão afinar uma posição europeia para apresentar à reunião dos ministros das Finanças do G7 que terá lugar em Washington a 19 de Outubro.
Desde o início do ano, o euro valorizou mais de 7% face ao dólar, tendo na semana passada quebrado um novo recorde, ao ultrapassar a fasquia de 1,40 dólares.