Santos Pereira acredita que fim da figura de consultor não afastará novos membros da administração do BdP
Fim da figura de consultor do Conselho de Administração não preocupa governador do Banco de Portugal. Álvaro Santos Pereira defende "período de arrefecimento" para cargos de topo antes de deixarem a instituição.
Pode a intenção do governador do Banco de Portugal de eliminar a figura de consultor do conselho de administração afastar cargos de topo, mais especificamente no Conselho de Administração do banco central? Para Álvaro Santos Pereira não.
"Quem vem para o Conselho de Administração do Banco de Portugal, que é o banco central da nação, vem para o topo da carreira. Não vejo qualquer incongruência, não tenho mínima preocupação de não aceitarem porque não vão ser consultores", afirmou Álvaro Santos Pereira, em conferência de imprensa.
A pergunta foi feita depois de ter sido noticiado que o governador tem a intenção de acabar com a figura de consultor do Conselho de Administração do BdP. A passagem do governador Mário Centeno (que deixou a liderança do BdP para a figura de consultor) à reforma representa a primeira de um ciclo de negociações com vista a eliminar aquela função dentro do supervisor financeiro.
"Chegar ao Conselho de Administração é chegar ao topo de carreira do BdP. Não faz sentido chegar ao topo e depois quando se quer sair não ter funções adequadas", defendeu Álvaro Santos Pereira.
O governador defendeu um procedimento semelhante ao que existe noutros reguladores, em que são criadas condições para "cooling off", uma espécie de arrefecimento ou período de pausa, nas funções de topo e antes dessas pessoas saírem da instituição. Para isso, acrescentou, será necessário um "debate interno" dentro do BdP.