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Seguro diz que país tem de se organizar melhor e quer relatório do Governo sobre tempestades

No final de uma reunião com autarcas, na última iniciativa da Presidência Aberta, António José Seguro considerou que o país não pode continuar a viver do improviso, informalidade, apelos e solidariedade. Assinalou também que falta um relatório do Governo que explique o que verdadeiramente aconteceu no comboio das tempestades e pediu que os apoios cheguem com rapidez.

Seguro no final da Presidência Aberta na região Centro
Seguro no final da Presidência Aberta na região Centro Paulo Novais/Lusa
21:58

O Presidente da República, António José Seguro, defendeu esta sexta-feira que o país tem de se organizar melhor e deixar de depender apenas do improviso e da solidariedade.

"O país tem que se organizar e tem que organizar melhor os seus recursos. Eu sei que muita gente beneficiou da ajuda e da solidariedade, até de empresas privadas que puseram à disposição geradores, de outras câmaras municipais que puseram à disposição geradores, mas isso foi uma situação de reação", sublinhou.

No final de uma reunião com autarcas, que decorreu ao final da tarde na Marinha Grande, na última iniciativa da Presidência Aberta, António José Seguro considerou que o país não pode continuar a viver do improviso, informalidade, apelos e solidariedade.

"Somos muito bons porque temos um coração enorme, mas nós precisamos de ter procedimentos muito claros, muito precisos, sobre quem faz o quê em determinadas situações", sustentou.

Aos jornalistas, apontou a necessidade de se olhar para a realidade, acelerar apoios e, sobretudo, "tirar lições para o futuro".

"Lições para o futuro que têm que se traduzir numa melhor capacidade de organizar e de planear os recursos da proteção civil, as cadeias de abastecimento, definir redundâncias com maior clareza para responder melhor a situações desta natureza", sustentou.

O chefe de Estado deu como exemplo a questão dos geradores, especialmente em unidades e infraestruturas críticas que não podem ficar sem energia elétrica.

"Sobretudo unidades de saúde e de apoio a pessoas mais vulneráveis, como os lares de idosos, que precisam de redundância no caso de haver uma interrupção do fornecimento de energia elétrica", acrescentou.

António José Seguro deu ainda como exemplo a questão das comunicações.

"Perante esta devastação e este fenómeno terrível que afetou a Região Centro, nós precisamos de saber, cada pessoa, cada cidadão, como é que deve receber informação, que notícias é que deve ter, porque as pessoas ficaram sem telecomunicações", alertou.

No seu entender, isso resolve-se com pedagogia, "para que cada um possa ter em casa um rádio a pilhas com uma frequência sintonizada numa rádio local ou noutro tipo de frequência onde possa recolher informações para saber o que se está a passar e para onde se deve dirigir".

"O mesmo acontece com as cadeias alimentares e com cadeias de fornecimento de medicamentos. Portanto, há aqui uma tarefa muito grande a fazer e há talento, há capacidade para nós organizarmos o Estado desta forma: a exigência do Presidente da República é que se faça isso", afirmou.

Questionado pelos jornalistas sobre possíveis mudanças na hierarquia da proteção civil, Seguro disse que "essa é uma matéria da competência do Governo".

"Cabe ao Governo fazer essa avaliação", alegou, realçando ainda que o que é importante "é que possa haver uma boa articulação entre todas as estruturas públicas".

O Presidente da República assinalou também que falta, e "é devido ao país", um relatório do Governo que explique o que verdadeiramente aconteceu no comboio das tempestades, mas escusou-se a fixar um prazo.

"Não podemos continuar a passar o tempo sem que tenhamos um documento que explique verdadeiramente o que é que se passou nestes dias finais de janeiro e também nos dias iniciais de fevereiro", afirmou o chefe de Estado, na declaração final da Presidência Aberta, na Marinha Grande, Leiria.

Na perspetiva de Seguro, "é impossível tirar ilações" se não se souber "corretamente o que é que correu bem, o que é que correu mal, quais foram os apoios e os meios que chegaram mais tarde".

O Presidente manifestou "muita preocupação quanto à falta de redundância de telecomunicações, do fornecimento de energia elétrica, da desobstrução de redes viárias".

"Eu não vou fixar um prazo para se apresentar esse relatório, mas isso é devido ao país", salientou Seguro, em declarações aos jornalistas, referindo que essa responsabilidade cabe ao Governo.

Seguro prometeu ainda manter a vigilância relativamente à reconstrução da zona centro, considerando que é preciso manter "o nível de ajuda e proximidade", acelerar apoios e adaptar medidas.

"Não pode ficar tudo na mesma. Não pode continuar tudo na mesma", avisou, prometendo que a sua "vigília em relação a esta reconstrução da zona centro vai continuar", desde já na próxima semana com uma reunião, na quinta-feira, em Belém com especialistas na prevenção de catástrofes desta natureza, mas também de prevenção de incêndios.

Seguro reiterou que o seu objetivo "é de cooperação com os órgãos de soberania", mas "uma cooperação exigente".

O Presidente da República quer que se mantenha "o nível de ajuda e de proximidade" e pediu que sejam acelerados apoios e clarificadas as medidas, adequando-as "a realidades muito concretas".

"Como sabem, as consequências desta tempestade ainda persistem e vão persistir ao longo do tempo. E a minha vigilância em relação aos apoios e à necessidade do país, em particular do Estado, tirar daqui ilações também vai continuar", avisou.

O Presidente da República iniciou a sua intervenção de encerramento da Presidência Aberta expressando "solidariedade com todas as vítimas deste comboio de tempestades", as vítimas mortais, mas "também todas as famílias que ficaram sem bens ou sem parte dos seus bens e muitas das empresas que ainda hoje não conseguem laborar".

"E vai continuar já na próxima quinta-feira com uma reunião com especialistas em Belém, especialistas na prevenção de catástrofes desta natureza, mas também de prevenção de incêndios, que é uma das preocupações que levo mais reforçada para o Palácio de Belém, designadamente perante a previsão das temperaturas quentes e elevadas que vamos ter neste verão", adiantou.

Seguro prometeu ainda um relatório desta Presidência Aberta, referindo que o "poder destrutivo das tempestades foi imenso" e não se pode pensar que "tudo já passou".

"Ao longo destes cinco dias, houve muitas pessoas, muitos portugueses, que se me dirigiram e colocaram questões muito concretas que fogem, muitas das vezes, à arquitetura das plataformas que estão colocadas à sua disposição e é necessário dar-lhes respostas, porque são situações da maior justiça", acrescentou ainda.

Questionado sobre que medidas entende que devem ser adaptadas, o chefe de Estado remeteu para mais tarde, mas deu um exemplo.

"Dou-lhe um exemplo muito concreto na área da agricultura. Não estão contemplados nos apoios às culturas não permanentes e, no entanto, houve alguns milhões de prejuízos por parte desses agricultores", disse.

Para Seguro, o Estado, os órgãos de soberania e as entidades privadas devem dar contributos para que situações futuras, que todos desejam que "não venham a acontecer", tenham "uma resposta muito mais eficiente e muito mais eficaz por parte do Estado português".

"A minha preocupação não é apurar culpas. A minha preocupação é fazer com que os portugueses confrontados com novas situações possam ter uma ajuda mais robusta do Estado português e também das empresas de telecomunicações, da redundância na área da energia elétrica. Ainda hoje há territórios que não têm fornecimento de energia elétrica, que não têm telecomunicações, empresas que precisam de internet para poder continuar a laborar", respondeu.

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