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Seis protagonistas da II Cimeira UE/África

No último dia da II Cimeira União Europeia/África, a Agência Lusa identifica seis grandes protagonistas europeus africanos do encontro que juntou em Lisboa, pela primeira vez em sete anos, os chefes de estado e de governo dos dois continentes.

Negócios com Lusa 09 de Dezembro de 2007 às 19:26
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José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal

Lisboa passa a partir de hoje a ser sinónimo da relação entre África e Europa. É a cidade em que foi firmada a parceria estratégica entre os dois continentes. Esta parceria pretende ser um "virar de página" em relação ao passado colonial, ainda amiúde evocado, ultrapassando a relação doador-beneficiário para chegar a um patamar de "igualdade". Tal como o presidente da União Africana, Sócrates considerou a Cimeira "um êxito", com os dois continentes a dialogarem "olhos nos olhos".

Sob pressão por causa do Zimbabué e do Darfur, Sócrates afirmou que "não haveria tabus" na cimeira de Lisboa. E conseguiu juntar à margem da reunião os mais altos responsáveis da UE e o Presidente do Sudão, Omar El Bashir, com objectivo de enviar "mensagens muito simples em relação às vias possíveis para a resolução deste conflito".

Sócrates, presidente em exercício da UE, conseguiu que os temas controversos entrassem na agenda da cimeira de Lisboa, sem cortar as vias de diálogo com os países visados e seus aliados africanos.

Angela Merkel, chanceler da Alemanha

Coube a Merkel, numa intervenção de fundo sobre o tema "Boa Governação e Direitos Humanos", logo na primeira sessão plenária, a dura missão de evocar a "sensível" questão do Zimbabué, que chegou a colocar em risco a realização da Cimeira de Lisboa."A intimidação (no Zimbabué) das pessoas que pensam de maneira diferente e os ataques à liberdade de imprensa não se podem justificar por nada", disse Angela Merkel, perante o presidente zimbabueano Robert Mugabe.

Merkel afirmou que a situação no país africano, "faz mal à imagem de uma nova África", numa intervenção que o Senegal classificou como "baseada em informações erradas". Para Mugabe, a chanceler alemã liderou o "bando dos quatro (com Suécia, Dinamarca e Holanda) foi "arrogante". Para Tomas Salomão, secretário-geral da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, a intervenção de Merkel foi apenas "inoportuna".

José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia

Face à manutenção do impasse nas negociações dos novos acordos de parceria económica entre UE e países e blocos regionais africanos, Durão Barroso saiu a terreiro, já na conferência de imprensa final, para "deslizar" para 2008 o prazo da assinatura dos acordos, que expirava no final deste ano.

"Percebemos bem as dificuldades que ainda existem em relação à regulação de um novo sistema comercial, mas estamos convencidos que a nossa oferta é uma boa oferta para África, que cria condições de integração gradual de África no sistema global", referiu.

Lisboa, disse Durão Barroso, afirmou-se como "uma ponte" entre os dois continentes, e, lembrou, da Cimeira UE/África sai um "plano de acção para os próximos três anos, contemplando as áreas das migrações, da energia, dos direitos humanos, das alterações climáticas e da investigação científica".

Robert Mugabe, Presidente do Zimbabué

Todo período que antecedeu a realização da Cimeira UE/África orbitou em torno do Presidente do Zimbabué. Por causa de Mugabe, o primeiro-ministro britânico faltou à Cimeira UE/África e Londres passou ao lado da história desta II cimeira euro-africana. Sorridente no protocolo ou desafiador no combate diplomático, Mugabe foi o alvo de duras críticas da chanceler alemã Angela Merkel em matéria de direitos humanos e governação, e dos protestos nas ruas de Lisboa, durante a reunião na capital portuguesa.

No campo político, tentou-se isolar o chefe de Estado zimbabueano, mas em seu redor foi formado um "cordão de segurança" por outros estadistas africanos, a começar por Adoulaybe Wade, presidente do Senegal, que o defendeu publicamente. Mugabe sai de Lisboa como entrou, embora a pressão tenha aumentado, a partir do momento em que Javier Solana, alto representante da UE para a Política Externa e Segurança Comum, reconheceu que as críticas de Merkel foram feitas em nome de "todos os estados-membros". Mas abriu uma janela de oportunidade ao afirmar que a UE está pronta a normalizar as suas relações com o Zimbabué desde que o regime de Mugabe dê sinais de começar respeitar os direitos fundamentais.

Alpha Oumar Konaré, presidente da Comissão da União Africana (UA)

Desassombrado, colocando o dedo na "ferida", Konaré veio hoje afirmar que, para que África possa emergir da condição de continente mais pobre do mundo, "os problemas de governação têm de ser resolvidos". Por outro lado, referiu a necessidade de se "acabar com o pacto colonial" e que é do interesse de todos que a África seja remunerada de forma justa pelas riquezas que fornece ao mundo.

Abdoulaye Wade, Presidente do Senegal

Foi o rosto da rejeição dos acordos de parceria económica com a União Europeia, por um grupo de influentes países africanos - incluindo Nigéria e África do Sul.

"Para nós acabou. Pedimos à União Europeia que inicie novas negociações com a União Africana sobre os acordos comerciais entre os dois continentes e espero que isso possa acontecer ainda este mês de Dezembro", defendeu.

A rejeição, disse, é apenas "um acto de democracia", não um abalo nas relações entre os dois continentes. A Comissão Europeia adiou o prazo para o fim dos acordos. Wade conseguiu o que queria.

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