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Teodora Cardoso: "Verdadeiro teste" para a recuperação económica "vem depois"

A economista Teodora Cardoso disse hoje que o "verdadeiro teste" para a recuperação económica de Portugal virá no futuro, na forma como se mantém, e que essa é uma característica comum a crises anteriores.

David Martins/Cofina
Lusa 25 de Março de 2019 às 15:32

"Uma coisa há em comum com as crises anteriores: o verdadeiro teste vem depois, e pela forma como nos mantemos a par", afirmou a antiga presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP), durante a conferência 'Portugal, reforma e crescimento na zona euro', que decorre hoje no Museu do Dinheiro, em Lisboa.

 

"Isto está relacionado, em parte, com os caminhos e meios que usamos para as recuperações. Sempre foram apoiados em políticas macroeconómicas e muito menos em políticas estruturais", considerou.

 

Teodora Cardoso assinalou que, no caso desta crise, Portugal sofreu "um ajustamento muito forte nas finanças públicas e algum ajustamento estrutural. Mas mesmo isto foi possível de ser revertido de algumas formas", o que levou a antiga responsável do CFP a concluir que esta tendência "ainda não foi corrigida".

 

"Ainda temos um longo caminho a percorrer, não em termos de políticas fiscais de curto prazo, mas em termos de alteração do modelo fiscal em si", afirmou.

 

Numa mesa redonda com o economista Ricardo Reis e com o chefe de missão do Fundo Monetário Internacional para Portugal, Alfredo Cuevas, o tema da produtividade da economia portuguesa também esteve em debate.

 

Para Teodora Cardoso, o destaque deve colocar-se "em medidas estruturais que aumentem a produtividade", "medidas demográficas" e de "gestão das finanças públicas".

 

A economista classifica a demografia portuguesa de "muito desfavorável", uma vez que "a população ativa está a diminuir".

 

Relativamente às finanças públicas, a antiga responsável do CFP apela à "melhoria da gestão no setor público", especialmente "em termos de ganhos de eficiência" que requerem "diferentes tipos de gestão e dados".

 

Já Ricardo Reis, professor na London School of Economics, defendeu que os ganhos na produtividade "vêm da abertura à concorrência internacional", através de "empresas concentradas em mercados globais", e apelidou a economia portuguesa de ainda "relativamente fechada".

 

O economista português esperava que o país tivesse ressurgido "mais forte" na cena económica internacional, mas relevou o "extremamente vencedor" mercado imobiliário e arrendamento, o "disparar das exportações" e a "alocação de capital para setores mais produtivos" como principais características da recuperação económica nacional.

 

Alfredo Cuevas, chefe de missão do FMI para Portugal, considerou que a recuperação económica portuguesa foi "sobretudo cíclica", mas salientou "algum interesse no investimento que não existia antes", o "crescimento no setor do turismo"  e algum aumento "no grau de qualificações" dos trabalhadores.

 

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