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Vítor Bento diz que o problema da crise foi "o excesso de poupanças"

O economista Vítor Bento disse hoje que o problema da crise foi em primeiro lugar "o excesso de poupanças", e não as dívidas soberanas, e que o modelo alemão para resolver a crise não resultou.

Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 22 de Março de 2019 às 14:23
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"Foi colocada muita atenção no lado devedor, mas eu não subscrevo essa visão", disse Vítor Bento, acrescentando que "o excesso de poupanças foi o combustível que acionou o 'fogo'" da crise.

 

"Ter mais poupanças significa ter menos procura, e menos procura significa menos crescimento", disse o presidente da SIBS, durante a conferência "Para onde vai a Europa?", na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

 

"Aplicámos o medicamento errado para a crise", afirmou, "o que levou a que a austeridade fosse aplicada em toda a zona euro, o que levou a uma recessão mais profunda".

 

Apesar de defender esta visão, Vítor Bento referiu que "não nega os perigos das dívidas excessivas".

 

Para além das críticas ao 'medicamento' para a crise, o antigo presidente executivo do Novo Banco frisou que, "quando a Alemanha tentou impor um modelo que resultou muito bem na Alemanha na zona euro", os efeitos não foram os mesmos, uma vez que a visão alemã, no seu entender, "não tem em conta uma visão sistémica".

 

"O sistema conceptual alemão não teve em conta o efeito da austeridade aplicado em todo o sistema ao mesmo tempo", argumentou.

 

Vítor Bento considerou que o facto de os países terem "sistemas de valores diferentes leva a diferentes decisões económicas".

 

O economista considerou ainda que "a crise foi resolvida porque os tratados foram violados", uma vez que "não previam resgates".

 

As ideias de Vítor Bento foram contrariadas pelo presidente Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), Klaus Regling, que classificou de "totalmente erradas" as ideias de Vítor Bento.

 

O responsável europeu disse que a visão ilustrada pelo economista português "refletem algumas visões de académicos alemães", mas não a posição do Governo germânico da altura, "que era a favor da união bancária".

 

Relativamente à autointitulada "provocação" de Vítor Bento sobre a violação dos tratados, Regling disse que "os advogados declararam" que não era um procedimento errado, "incluindo o Tribunal Constitucional Federal" alemão.

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