Educação Ministro admite que redução de vagas nas universidades de Lisboa e Porto pode não avançar

Ministro admite que redução de vagas nas universidades de Lisboa e Porto pode não avançar

Foi com críticas à direita e à esquerda ao corte de vagas nas universidades de Lisboa e no Porto que Manuel Heitor foi recebido no Parlamento. O sistema de empréstimos também não reúne consenso. E o fim das propinas apenas avança quando houver alternativas.
Ministro admite que redução de vagas nas universidades de Lisboa e Porto pode não avançar
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 07 de março de 2018 às 09:05
A redução de vagas nas instituições de ensino superior públicas de Lisboa e Porto é apenas uma proposta, não uma decisão tomada, disse esta terça-feira, 6 de Março, o ministro da tutela, no Parlamento.

"Nós não tomámos a medida, nós provocámos o debate sobre o processo (...) para perceber o que deve ser. A nossa orientação está tomada, a decisão depende do debate que sempre abrimos com as instituições", disse o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, aos deputados da comissão parlamentar de Educação e Ciência, onde esteve a ser ouvido no âmbito das audições regimentais ao Governo.

Em causa está uma proposta de despacho de fixação de vagas no ensino superior público para o próximo ano lectivo, na qual o Governo propõe a redução de vagas  nas instituições de Lisboa e Porto - universidades, politécnicos e escolas superiores desagregadas - em 5% do total face aos três anos lectivos anteriores.

Críticas à direita e esquerda
As primeiras críticas à proposta vieram do lado do PSD, com a deputada Nilza Sena a afirmar que não compreendia a medida, nem como iria o Governo garantir que os alunos iriam, de facto, procurar as instituições do interior, como pretende a tutela, em vez das de Lisboa e Porto, tendo considerado a medida "profundamente errada" por prejudicar os alunos que menos condições económicas têm.

Também Ana Rita Bessa, do CDS-PP, questionou Manuel Heitor sobre o tema, afirmando que a proposta era alvo de críticas das instituições e que não tinha ouvido, nem naquelas que se localizam no interior, "nada de positivo" sobre a proposta de despacho que prevê que no interior as instituições possam aumentar as vagas em 5%.

"Se a senhora deputada não ouviu apoios é porque não andou pelo país, eu andei, tenho andado muito, de Bragança a Faro", respondeu Heitor, que ouviu de seguida as críticas da deputada do PCP Ana Mesquita.

Para a deputada comunista, "os estudantes não podem ser tratados como se fossem um rebanho que pode ser empurrado sabe-se lá para onde", e defendeu que a medida, a concretizar-se, beneficia as instituições privadas, onde passará a ser mais barato estudar, tendo em conta os custos de deslocalização dos estudantes.

A defesa do Governo veio do lado do PS, com a deputada Elza Pais a afirmar que não percebia como "há críticas de alguém a esta estratégia que devia merecer os maiores elogios por parte de todos os grupos parlamentares".

Esquerda contra retoma dos empréstimos 
Os deputados questionaram ainda o ministro Manuel Heitor sobre a retoma do sistema de empréstimos com garantia mútua para o ensino superior, com a direita a saudar a decisão do Governo e a esquerda a criticar.

Para Nilza Sena, o regresso da medida "fazia falta como complemento de apoio social" e Ana Rita Bessa disse ver "com muito bons olhos" a concretização da medida que o CDS tinha apresentado como proposta para o Orçamento do Estado, chumbada pelo PS, sublinhando "a ironia" do facto.

Já Luís Monteiro, do Bloco de Esquerda, criticou o regresso de um sistema que, disse, nos EUA e no Reino Unido, "atirou milhares de estudantes para dívidas impagáveis", criticando a medida que coloca o Estado como garantia de pagamento, insistindo que o dinheiro devia estar a ser canalizado para o apoio social aos estudantes.

O ministro respondeu recusando as comparações com os sistemas de outros países, dizendo que se orgulhava de ter introduzido em Portugal, no tempo em que era secretário de Estado do antigo ministro Mariano Gago, este sistema, insistindo que funciona como complemento à acção social e que permite uma partilha de risco.

Fim das propinas só quando houver alternativa
"Não me venham dizer que é complemento à acção social escolar, se são sobretudo destinados a pós-graduações, mestrados e doutoramentos", contrapôs Ana Mesquita do PCP, que insistiu no fim das propinas, ao que o ministro respondeu que essa "deve ser uma ambição do país", mas depois de se pensar de que forma se financia o ensino superior sem esse contributo.

No âmbito da ciência, o ministro disse ainda que os recentes seis laboratórios colaborativos criados em Portugal, que nos próximos cinco anos vão contar com um investimento público de 26 milhões de euros, mas que deverão "alavancar um financiamento global de 72 milhões de euros", devem dar origem a 700 postos de trabalho qualificados no país, tendo por base os planos de trabalho subjacentes à criação destes laboratórios.

Manuel Heitor referiu ainda a assinatura de um protocolo para a criação de uma rede Ciência Viva em todas as escolas públicas do país.



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mais votado Anónimo 07.03.2018

O comuno-socialismo luso, presente em todos os sindicatos e em muitos partidos de Portugal, obedece a uma intrigante lógica que agita a bandeira da educação mas que quando vê alguém que se educou e foi capaz de inovar ao ponto de fazer desaparecer onerosas e ineficientes carreiras que garantem postos de trabalho obsoletos pagos por contribuintes, consumidores, investidores e trabalhadores com real procura de mercado, levanta de imediato uma bandeira especial do trabalho e diz, em mau tom, ao inovador educado, para fugir do país ou mudar compulsivamente de ocupação abdicando dos potenciais rendimentos que adviriam da inovação conseguida. O comuno-socialismo é psicopata e criminoso. Uma verdadeira doença mental grave, perigosa para todo e qualquer processo de criação de valor.

comentários mais recentes
Tereza economista 09.03.2018

Todos sabemos que não temos Governo mas grupo de propaganda, diz uma coisa, o seu contrário e empurra os problemas com a barriga.

Anónimo 07.03.2018

O comuno-socialismo luso, presente em todos os sindicatos e em muitos partidos de Portugal, obedece a uma intrigante lógica que agita a bandeira da educação mas que quando vê alguém que se educou e foi capaz de inovar ao ponto de fazer desaparecer onerosas e ineficientes carreiras que garantem postos de trabalho obsoletos pagos por contribuintes, consumidores, investidores e trabalhadores com real procura de mercado, levanta de imediato uma bandeira especial do trabalho e diz, em mau tom, ao inovador educado, para fugir do país ou mudar compulsivamente de ocupação abdicando dos potenciais rendimentos que adviriam da inovação conseguida. O comuno-socialismo é psicopata e criminoso. Uma verdadeira doença mental grave, perigosa para todo e qualquer processo de criação de valor.

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