Eles e elas têm perspectivas distintas sobre a desigualdade profissional com base no género
Homens e mulheres têm perspectivas muito diferentes sobre a desigualdade de género a nível profissional. De forma geral, as mulheres sentem-se mais condicionadas do que os homens consideram que elas sejam.
O novo relatório da Hays, cujos resultados foram divulgados esta terça-feira, 8 de Março, em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, mostra disparidades sobre a forma como homens e mulheres vêem a desigualdade de género ao nível profissional.
Enquanto 60% das mulheres portuguesas considera que não têm as mesmas oportunidades que os seus pares do sexo masculino, a maioria dos homens (69%) não concorda, ou seja, acredita que o mercado de trabalho oferece as mesmas oportunidades de carreira independentemente do género. Por outro lado, enquanto 47% das portuguesas consideram que persiste a desigualdade salarial com base no género, apenas 20% dos homens concorda.
Esta é uma pequena amostra sobre a forma como homens e mulheres percepcionam a igualdade ou a desigualdade a nível profissional. O estudo da Hays tem por base inquéritos a mais de 11.500 indivíduos de 24 países e analisa factores como a ambição, a autopromoção, a igualdade salarial, as oportunidades de carreira e as políticas de diversidade de género nas empresas.
No que concerne a ambição, este relatório mostra que, a nível global, não há grandes diferenças entre homens e mulheres, com 12% das inquiridas a aspirar a um cargo de CEO contra 18% dos homens, 29% das profissionais a desejar um cargo de direcção, face a 22% dos homens e 25% destas a ambicionar por um posto de gestão, comparativamente a 18% dos inquiridos do sexo masculino.
No caso específico de Portugal, a percentagem de mulheres portuguesas que ambiciona chegar a um cargo de direcção é 45%, muito superior à média global (29%). No entanto, as profissionais portuguesas mostram-se menos ambiciosas que os seus pares no que toca ao cargo de CEO, com 12% das portuguesas inquiridas a ambicionar este cargo, face a 32% dos visados do sexo masculino.
Pode ler-se neste estudo que apenas 47% das mulheres considera ter oportunidades para se autopromover e comunicar as suas ambições no local de trabalho, face a 53% dos homens. Em Portugal, todavia, existe paridade nesta matéria, com 41% dos inquiridos de ambos os sexos a considerar que estas oportunidades existem.
Enquanto 78% dos homens inquiridos neste estudo acredita que existe igualdade salarial no mercado de trabalho, apenas 56% das mulheres concordam. Em Portugal a disparidade é maior, com 47% das portuguesas a considerar que existem desigualdades a este nível, contra 20% dos homens.
Ao nível das oportunidades de carreira, apenas 55% das inquiridas considera ter as mesmas oportunidades de carreira que os seus pares do sexo masculino, enquanto 77% dos homens considera que o mercado oferece as mesmas oportunidades a profissionais de ambos os sexos. Em Portugal, 60% das mulheres não acredita ter as mesmas oportunidades que os homens, enquanto 69% destes acham que sim.
Refere ainda este estudo que os inquiridos que trabalham em empresas com políticas de promoção da diversidade de género têm maior probabilidade de considerar que existe igualdade ao nível das remunerações entre homens e mulheres.
A Hays é uma empresa que trabalha na área do recrutamento profissional e opera em Portugal desde 2000.