Salários continuam a crescer acima dos preços, mas menos
No primeiro trimestre, os salários médios a nível nacional em termos reais (descontando a inflação) cresceram 2,7%. O ritmo de crescimento foi inferior ao registado no final de 2025. Impacto dá-se mais pelo abrandamento dos aumentos do que pela inflação (que se manteve), diz o INE.
A média salarial nacional continuou a crescer acima da inflação no primeiro trimestre deste ano, mas a um ritmo inferior ao registado anteriormente. A remuneração bruta mensal média por trabalhador (que inclui, por exemplo, subsídios de férias) subiu 2,7% em termos reais, atingindo 1.611 euros, divulgou o Instituto Nacional de Estatística (INE) nesta sexta-feira, 15 de maio.
"A remuneração bruta total mensal média por trabalhador aumentou 5%, para 1.611 euros, no trimestre terminado em março de 2026 (correspondente ao 1.º trimestre do ano), em relação ao mesmo período de 2025", afirma o INE no destaque divulgado nesta sexta-feira. Se em termos nominais o aumento corresponde a 5%, quando se desconta a inflação a subida é de 2,7%.
Assim, as famílias continuaram a ter ganhos reais de rendimento no primeiro trimestre deste ano. No entanto, os dados mostram que esses avanços no poder de compra foram menores do que no trimestre passado. Segundo o INE, no último trimestre de 2025 as remunerações reais avançaram 3,1%.
Este abrandamento das remunerações em termos reais deve-se mais aos salários do que aos preços, já que o INE diz que "em relação ao trimestre terminado em dezembro de 2025, assistiu-se a uma estabilidade na evolução dos preços (com as taxas de variação homólogas a manterem-se em 2,2%) ".
De facto, a remuneração bruta total mensal média por trabalhador cresceu no primeiro trimestre menos do que no último trimestre de 2025 (5% contra 5,4%), demonstrando que os salários perderam mais força do que ganhou a inflação.
O INE divulga vários indicadores sobre os salários, considerando informação que tem por base a evolução de remunerações em 4,8 milhões de postos de trabalho declarados à Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações, mais 1,9% do que no mesmo período de 2025.
A remuneração bruta regular média (o salário mensal habitual, incluindo prémios e bónus regulares) subiu 5,1% em termos nominais, atingindo 1.428 euros. A componente base (salários) subiu para 1.335, também num aumento de 5,1% face ao primeiro trimestre de 2025. Descontando o efeito da subida de preços, a subida real foi de 2,8% em ambos os casos.
Apesar do abrandamento nos salários totais, nas componentes de regular e base houve uma estabilização do crescimento real, já que no último trimestre do ano passado cresceram 2,8% e 2,9%, respetivamente.
Ganhos em todas as dimensões
O INE apresenta ainda dados por setor de atividade, dimensão da empresa, setor institucional e intensidade tecnológica e de conhecimento, concluindo que no primeiro trimestre a remuneração bruta total mensal média aumentou em quase todas as dimensões de análise.
Mas vamos por partes. No que diz respeito ao setor de atividade, a remuneração bruta mensal média variou entre os 1.068 euros nos trabalhos da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca e os 3.206 euros nas atividades do setor energético (eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio)
Depois, o maior aumento nominal das remunerações totais face a 2024 deu-se na agricultura, com uma subida de 10%, e nas atividades da construção (7%). Em sentido contrário, os menores aumentos verificaram-se entre os trabalhadores do setor dos seguros (1,4%).
Com aumentos abaixo da inflação (2,2%) registada no primeiro trimestre ficaram os trabalhadores do setor dos seguros que, na prática, tiveram uma perda real de rendimentos de 0,7% Em todas as restantes seções de atividade houve ganhos reais.
Já por dimensão de empresa, no primeiro trimestre a remuneração total variou entre 1.128 euros nas micro empresas (com 1 a 4 trabalhadores) e 1.909 euros nas grandes empresas (com mais de 500).
O maior acréscimo trimestral (6%) foi observado no escalão das empresas de 10 a 19 trabalhadores e o menor (3,5%) nas grandes empresas, ou seja, com mais de 500 trabalhadores.
A remuneração total real aumentou em todos os grupos de dimensão de empresa, diz o INE.
Por setor institucional, o aumento real foi superior no setor público do que no privado. No primeiro trimestre, a remuneração total média nas Administrações Públicas subiu 3,7% (1,4% descontando a inflação), atingindo 2.130 euros em março, e nas empresas privadas subiu 5,3% (3% em termos reais), para 1.510 euros.
(Notícia atualizada com mais informação às 12:16)