Orbán admite derrota após 16 anos no poder. Magyar vence eleições na Hungria
Viktor Orbán vai deixar o poder após 16 anos e Péter Magyar será o próximo primeiro-ministro da Hungria. O governante ainda em funções admitiu a derrota, numa eleição histórica, que fica marcada pela participação recorde.
"O resultado das eleições é doloroso, mas claro", afirmou Orbán, indicando que já congratulou o adversário, num discurso a partir da sede do seu partido, o Fidesz, cerca de 1:30 horas depois do fecho das urnas e numa altura em que ainda apenas um quarto dos votos estavam contados.
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O Tisza de Magyar estava a caminho de conquistar 69% dos votos, em comparação com os 28% do Fidesz de Orbán, com 90% dos votos apurados. No entanto, o sistema eleitoral húngaro é complexo e é provável que o resultado final seja conhecido apenas nos próximos dias.
Primeiro-ministro da Hungria
Já o líder do Tisza deu uma conferência de imprensa em que falou de um "dia histórico". Após ter agradecido a todos os eleitores pela participação recorde e pelo reconhecimento da importância da eleição, Péter Magyar afirmou estar "otimista, mas cauteloso", depois de algumas sondagens de opinião terem apontado para a sua vitória.
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As urnas encerraram às 18:00 horas de Lisboa (19:00 horas em Budapeste) e a participação atingiu os 77,8%, segundo o balanço oficial divulgado meia hora antes da votação terminar. É um recorde de participação, que supera o anterior máximo de 70,5% registado em 2002. Nas últimas eleições, há quatro anos, tinha sido de 62%.
Nas eleições deste domingo estão em causa 199 lugares da Assembleia Nacional. Estes dividem-se em dois grupos: 106 são eleitos em círculos uninominais, onde ganha quem tiver mais votos nesse círculo, mesmo que seja por uma margem mínima. Já os restantes 93 são eleitos por listas nacionais de partido, numa lógica proporcional. Há ainda um círculo de compensação que atribui lugares extra aos partidos que perderam por margens pequenas nos círculos uninominais — mas que na prática acaba por beneficiar sobretudo o Fidesz.
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Dois terços do total dariam ao Tisza uma "supermaioria" que lhe garantiria estabilidade governativa. O sufrágio é visto como o mais importante do país em anos e determinante para a política europeia. Nacionalista e pró-Rússia, o atual primeiro-ministro tinha o apoio do Presidente dos EUA, Donald Trump e, dentro da União Europeia, as suas posições têm levantado desafios, sendo as leis da imigração e a oposição à adesão da Ucrânia à UE exemplos disso.
Aos 45 anos, Péter Magyar aproveitou exatamente este contexto para ajudar o seu partido Tisza, fundado há menos de dois anos, a crescer. Magyar tem repetido apelos de “rendszerváltás” — que significa "mudança de sistema", a mesma expressão usada para descrever a transição do comunismo na Hungria —, comprometendo-se a destituir não só Orbán, mas também aqueles que são próximos do atual primeiro-ministro.
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Durante a campanha, Magyar prometeu ainda tudo fazer para desbloquear os fundos europeus congelados, combater a corrupção e reposicionar a Hungria no centro da política europeia, em vez de na sua periferia.
A primeira reação por parte de líderes internacionais veio exatamente da presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, que escreveu no X: "Parabéns ao membro do Parlamento Europeu Péter Magyar pela vitória de hoje nas eleições nacionais na Hungria. A Hungria ocupa um lugar central na Europa."
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou, também nas redes sociais: “A Europa sempre escolheu a Hungria. Juntos, somos mais fortes. Um país retoma o seu caminho europeu. A União fortalece-se”.
Já o Presidente francês, Emmanuel Macron, que já teve desentendimentos com Orbán no passado, afirmou no canal X que França sauda “uma vitória que demonstra o apego do povo húngaro aos valores da União Europeia e ao papel da Hungria na Europa”. O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Friedrich Mertz, felicitou também Magyar e afirmou: “Vamos unir forças por uma Europa forte, segura e, acima de tudo, unida”.
Em Portugal houve igualmente felicitações. Apontando o "momento particularmente exigente para a Europa e para o mundo", o Presidente da República António José Seguro manifestou "a sua confiança de que a Hungria desempenhará um papel construtivo e responsável no reforço da cooperação europeia, no apoio ao povo ucraniano e na promoção da paz no seio da Europa".
O chefe do Estado português saudou "o povo húngaro pela elevada participação nas recentes eleições, expressão clara do compromisso cívico e da vitalidade democrática da Hungria" e felicitou "o vencedor do ato eleitoral, Peter Magyar, desejando que o seu mandato corresponda a um firme compromisso com os valores fundamentais que unem os povos europeus: o respeito pelo projeto europeu, a promoção da paz e a observância do direito internacional".
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Da mesma forma, o primeiro-ministro Luís Montenegro felicitou Peter Magyar pela vitória nas eleições legislativas da Hungria. "Que esta nova etapa, fundada numa ampla participação democrática, permita um trabalho conjunto em prol do projeto europeu e dos seus valores e princípios fundamentais", escreveu.
Em comunicado, o PS defendeu que "a concentração expressiva de votos no partido do candidato vencedor, Péter Magyar, demonstra que os eleitores húngaros optaram por convergir num movimento em que o voto útil de amplos setores progressistas e democráticos mostrou um peso determinante para tornar possível a alternância".
(Notícia atualizada às 22:15 horas)
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