Sánchez derruba Rajoy e torna-se primeiro-ministro com geringonça espanhola
O socialista Pedro Sánchez é o novo primeiro-ministro de Espanha. A moção de censura apresentada há uma semana pelo PSOE foi aprovada pela maioria absoluta dos 350 deputados com assento no Congresso (equivalente a parlamento) espanhol, colocando fim a seis anos e meio de governação de Mariano Rajoy.
PUB
A moção recebeu 180 votos "sim", 169 votos contra, tendo sido ainda registada uma abstenção (Coligação Canária). Para chegar à Moncloa, Sánchez teve o apoio dos deputados do PSOE, Unidos Podemos, Compromís, ERC, PDeCAT, Bildu e PNV. Já o Cidadãos de Albert Rivera e o PP votaram contra. Conhecida a votação, as bancadas da aliança Unidos Podemos e do PSOE recorreram ao grito de ordem "sim, se pode". Sánchez prometeu governar "com humildade, trabalho e entrega".
PUB
? Un gran día para la democracia. Sale adelante la moción de censura al gobierno de Rajoy. Vamos a trabajar con responsabilidad para recuperar la dignidad que merece nuestro país.
Un #GobiernoDeLaDignidad con @sanchezcastejon. pic.twitter.com/vFdTGuOCcd
PUB
Desde ontem que se sabia que a moção seria aprovada, isto depois de os cinco deputados nacionalistas bascos (PNV) terem anunciado o apoio à iniciativa de Sánchez. Depois de ter retirado o tapete a Rajoy, o PNV estendeu a passadeira a Sánchez. Esta foi uma decisão inesperada por parte do PNV que ainda há escassas semanas foi decisivo, junto ao Cidadãos, para garantir a aprovação do Orçamento do governo PP para 2018.
PUB
Para conferir apoio ao Orçamento, o PNV assegurou para o País Basco, já para este ano, um aumento generalizado das pensões e investimentos públicos na ordem dos 540 milhões de euros. Depois de ontem Sánchez ter garantido que, uma vez na chefia do governo, iria cumprir o Orçamento em vigor, os deputados nacionalistas bascos ficaram com caminho livre para derrubar Rajoy e descolar do apoio ao executivo de um partido manchado pelos casos de corrupção.
PUB
A votação da moção de censura tinha dupla função, já que em causa estava não apenas o derrube do governo de Rajoy mas também a investidura de Pedro Sánchez como primeiro-ministro. É que a Constituição espanhola prevê que este tipo de iniciativa parlamentar inclua uma proposta de alternativa de governo que, neste caso, foi protagonizada pelo secretário-geral do PSOE, que nem sequer é deputado.
Rajoy poderia ter evitado a queda do seu executivo pedindo a demissão, o que permitiria manter o PP no poder, embora fragilizado. Contudo, o agora ex-primeiro-ministro rejeitou ceder por considerar que fazê-lo seria uma espécie de admissão de culpa do partido e da sua direcção no caso Gürtel, que originou uma sentença de 33 anos de prisão a Luís Bárcenas, ex-tesoureiro do PP. Na declaração feita esta manhã aos deputados, Rajoy disse ter sido "uma honra deixar Espanha melhor" do que quando assumiu a liderança do governo. Rajoy despediu-se debaixo de fortes aplausos da bancada popular.
PUB
Ha sido un honor ser presidente del Gobierno y dejar una España mejor de la que encontré. Gracias a todos, y de manera muy especial a los españoles y al @PPopular.
PUB
Suerte a todos por el bien de España. pic.twitter.com/8bLRIiFOa1
Para a formalização de Sánchez como primeiro-ministro, a presidente do parlamento, Ana Pastor (PP), irá agora propor o nome do líder socialista ao rei Felipe VI, ficando oficializada a decisão após publicação em boletim oficial do Estado espanhol. No entanto, esse procedimento é essencialmente formal o que na prática permite assumir que Sánchez é o novo primeiro-ministro espanhol. O líder do PSOE deverá tomar posse já este sábado. "Governo Frankenstein" não perturba investidores Indiferentes ao expediente parlamentar desta manhã e à confirmação da queda de Rajoy e ascensão de Sánchez, os juros da dívida pública espanhola que negociavam em queda assim continuaram, e o índice bolsista Ibex que transacciona no verde, assim permaneceu. A chegada ao poder de um partido do chamado sistema parece tranquilizar os investidores, desde logo porque Sánchez se comprometeu a seguir o caminho de consolidação orçamental inscrito no documento orçamental delineado pelo PP e recentemente aprovado, bem como pelo compromisso demonstrado em relação ao projecto europeu. Porém, Sánchez vai governar com o apoio garantido dos 85 deputados socialistas, sendo que a força política com maior representação parlamentar continuará a ser o PP (137). Por outro lado, a aliança negativa que leva Sánchez para a Moncloa é contranatura e a aritmética parlamentar que permitiu a aprovação da moção de censura será mais difícil de replicar quando em causa estiver legislação mais relevante para o país. Quando há uma semana apresentou no Congresso a moção, o líder socialista prometeu que depois de iniciar o caminho para a "regeneração" da democracia espanhola iria convocar eleições gerais por forma a devolver a "normalidade" institucional a Espanha. Contudo, Sánchez nunca concretizou quando pretende fazê-lo ou quando considera que será o momento indicado. "Não sei quantos meses durará esta legislatura em que será impossível aprovar leis ou fazer acordos face à fragmentação que Pedro Sánchez tem. Um governo Frankenstein", resumiu Albert Rivera, líder do Cidadãos, partido que actualmente lidera as sondagens em Espanha e que surge como o maior interessado no regresso às urnas. Rivera chegou a negociar com o PSOE o apoio à moção, pedindo aos socialistas que deixassem cair a iniciativa para que fosse apresentada outra moção que incluísse o agendamento de eleições antecipadas, opção rejeitada por Sánchez. O líder do Cidadãos prometeu começar a preparar desde já um "projecto alternativo ao bipartidarismo".
PUB
Para a formalização de Sánchez como primeiro-ministro, a presidente do parlamento, Ana Pastor (PP), irá agora propor o nome do líder socialista ao rei Felipe VI, ficando oficializada a decisão após publicação em boletim oficial do Estado espanhol. No entanto, esse procedimento é essencialmente formal o que na prática permite assumir que Sánchez é o novo primeiro-ministro espanhol. O líder do PSOE deverá tomar posse já este sábado.
"Governo Frankenstein" não perturba investidores
PUB
Indiferentes ao expediente parlamentar desta manhã e à confirmação da queda de Rajoy e ascensão de Sánchez, os juros da dívida pública espanhola que negociavam em queda assim continuaram, e o índice bolsista Ibex que transacciona no verde, assim permaneceu. A chegada ao poder de um partido do chamado sistema parece tranquilizar os investidores, desde logo porque Sánchez se comprometeu a seguir o caminho de consolidação orçamental inscrito no documento orçamental delineado pelo PP e recentemente aprovado, bem como pelo compromisso demonstrado em relação ao projecto europeu.
Porém, Sánchez vai governar com o apoio garantido dos 85 deputados socialistas, sendo que a força política com maior representação parlamentar continuará a ser o PP (137). Por outro lado, a aliança negativa que leva Sánchez para a Moncloa é contranatura e a aritmética parlamentar que permitiu a aprovação da moção de censura será mais difícil de replicar quando em causa estiver legislação mais relevante para o país.
Quando há uma semana apresentou no Congresso a moção, o líder socialista prometeu que depois de iniciar o caminho para a "regeneração" da democracia espanhola iria convocar eleições gerais por forma a devolver a "normalidade" institucional a Espanha. Contudo, Sánchez nunca concretizou quando pretende fazê-lo ou quando considera que será o momento indicado.
PUB
"Não sei quantos meses durará esta legislatura em que será impossível aprovar leis ou fazer acordos face à fragmentação que Pedro Sánchez tem. Um governo Frankenstein", resumiu Albert Rivera, líder do Cidadãos, partido que actualmente lidera as sondagens em Espanha e que surge como o maior interessado no regresso às urnas. Rivera chegou a negociar com o PSOE o apoio à moção, pedindo aos socialistas que deixassem cair a iniciativa para que fosse apresentada outra moção que incluísse o agendamento de eleições antecipadas, opção rejeitada por Sánchez. O líder do Cidadãos prometeu começar a preparar desde já um "projecto alternativo ao bipartidarismo".
@Albert_Rivera “Haremos una oposición firme y leal a los españoles, preparando un proyecto alternativo al bipartidismo #PPSOE. Faltan pocos meses para que los españoles puedan votar” en @CsCongreso pic.twitter.com/MqjrSA2BBP
PUB
Segunda tentativa de investidura e quarta moção da história Sánchez percorreu o caminho das pedras até se tornar primeiro-ministro. Depois da fragmentação que pôs fim ao tradicional bipolarismo nas eleições de Dezembro de 2015, Sánchez, que não foi além do segundo lugar, tentou "copiar" a solução de governo ensaiada por António Costa em Portugal, isto depois de, pela primeira vez desde a transição democrática, Rajoy ter rejeitado a incumbência de formar governo por falta de apoio parlamentar. Contudo, apesar de ter recebido de Felipe VI a responsabilidade de formar governo, o líder socialista fracassou nas duas tentativas de investidura. Sem um governo em plenitude de funções e face ao impasse gerado, a repetição de eleições gerais poucos meses depois (em Junho de 2016) reforçou a votação do PP e, a prazo, acabou por determinar a queda de um Sánchez encostado à parede pelos barões socialistas. A presidente do governo autonómico da Andaluzia, Susana Díaz, que então se afirmou como a principal adversária interna de Sánchez, já felicitou entretanto o secretário-geral do PSOE pela aprovação da moção de censura. Também por isso esta não deixa de ser uma vitória pessoal de Sánchez que suportou reveses diversos e agora consegue recolocar o PSOE numa posição central no quadro político espanhol.
Sánchez percorreu o caminho das pedras até se tornar primeiro-ministro. Depois da fragmentação que pôs fim ao tradicional bipolarismo nas eleições de Dezembro de 2015, Sánchez, que não foi além do segundo lugar, tentou "copiar" a solução de governo ensaiada por António Costa em Portugal, isto depois de, pela primeira vez desde a transição democrática, Rajoy ter rejeitado a incumbência de formar governo por falta de apoio parlamentar. Contudo, apesar de ter recebido de Felipe VI a responsabilidade de formar governo, o líder socialista fracassou nas duas tentativas de investidura.
Sem um governo em plenitude de funções e face ao impasse gerado, a repetição de eleições gerais poucos meses depois (em Junho de 2016) reforçou a votação do PP e, a prazo, acabou por determinar a queda de um Sánchez encostado à parede pelos barões socialistas. A presidente do governo autonómico da Andaluzia, Susana Díaz, que então se afirmou como a principal adversária interna de Sánchez, já felicitou entretanto o secretário-geral do PSOE pela aprovação da moção de censura. Também por isso esta não deixa de ser uma vitória pessoal de Sánchez que suportou reveses diversos e agora consegue recolocar o PSOE numa posição central no quadro político espanhol.
PUB
Por outro lado, esta foi a primeira moção de censura bem-sucedida desde que em 1978 foi aprovada a Constituição espanhola. A primeira foi apresentada pelo PSOE contra Adolfo Suárez e a segunda pela Aliança Popular contra o governo do socialista Felipe González. A última censura fracassada foi apresentada pelo Podemos contra o executivo de Rajoy numa altura em que diversos casos de corrupção já colocavam em causa a autoridade política do PP.
(Notícia actualizada pela última vez às 11:30)
Saber mais sobre...
Saber mais Espanha Pedro Sánchez Mariano Rajoy PSOE PP Moção de Censura Ana Pastor Congresso Felipe VI Cidadãos Albert Rivera Unidos PodemosNão nos tomem por tolos, sff
Depois da tempestade
Mais lidas
O Negócios recomenda