Starmer resiste a pressão interna e promete provar que críticos "estão errados"

O primeiro-ministro britânico recusa demitir-se do cargo e promete desviar o país de um "caminho negro", apesar de reconhecer que existe alguma frustração - dentro e fora do partido - com a sua liderança.
Keir Starmer assumiu o cargo de primeiro-ministro em 2024.
James Manning/PA via AP
Ricardo Jesus Silva 12:55

O Reino Unido tem uma nova crise política no horizonte. As eleições locais - vistas como um referendo não oficial ao Governo - realizadas na semana passada viram o Partido Trabalhista perder bastante terreno contra a direita radical de Nigel Farage e deixaram Keir Starmer numa situação bastante delicada. Vários deputados do seu próprio partido já pediram a demissão do primeiro-ministro, mas, para já, o líder do Executivo não arreda pé, embora reconheça que é preciso fazer mais para desviar o país de um "caminho negro"

"Eu sei que as pessoas estão frustradas com o estado do Reino Unido, frustradas com a política e que algumas estão frustradas comigo", afirmou Starmer esta segunda-feira, num discurso onde apareceu com as mangas arregaçadas. "Eu sei que tenho pessoas que duvidam de mim e eu sei que preciso de as provar erradas. E assim o farei", acrescentou o primeiro-ministro britânico, reforçando: "Não me vou despedir". 

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Embora não tenha apresentado grandes novas medidas para combater as preocupações dos cidadãos britânicos, as palavras de Starmer apontam para um caminho diferente daquele que tem vindo a ser percorrido desde que assumiu funções em 2024. Além de querer reconstruir a relação do Reino Unido com a Europa, o primeiro-ministro comprometeu-se a criar novas e melhores oportunidades de emprego para os mais jovens e nacionalizar a British Steel - uma empresa de produtos de aço, detida atualmente pelos chineses do Jingye Group.

Eu sei que as pessoas estão frustradas com o estado do Reino Unido, frustradas com a política e que algumas estão frustradas comigo. Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido

Olhando para os críticos internos, depois de os trabalhistas terem registado a pior derrota em eleições locais de um partido no governo em mais de 30 anos, Starmer apelou à união para combater o líder da direita radical britânica, Nigel Farage, e o líder dos "Verdes", Zack Polanski - que tem conseguido ganhar bastante tração nas sondagens para as próximas eleições nacionais, que têm de ser realizadas até agosto de 2029. "Não estamos só a enfrentar tempos perigosos, mas também oponentes perigosos. Se não conseguirmos acertar, o nosso país vai entrar num caminho negro", dramatizou, acusando os seus adversários de "não estarem à procura de soluções, mas sim de alguém para culpar". 

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O primeiro-ministro queria dar com este discurso uma "prova de vida", numa altura em que enfrenta níveis de aprovação bastante baixos. A população britânica tem-se demonstrado frustrada com uma série de escândalos políticos - - e dificuldades do Governo em cumprir promessas eleitorais, apesar de o Partido Trabalhista ter uma das mais amplas maiorias parlamentares na história moderna do país. 

Os maus resultados nas eleições locais da semana passada, cuja leitura final só foi conhecida nos últimos dias, levaram vários membros do partido a pedirem a demissão de Starmer e uma deputada trabalhista a ameaçar avançar com uma disputa à sua liderança - uma manobra que poderia desencadear uma corrida mais alargada à presidência do partido e, por conseguinte, ao cargo de líder do Executivo. Entre os nomes mais bem posicionados para substituir Starmer está a antiga vice-primeira-ministra Angela Rayner e o secretário de Estado da Saúde, Wes Streeting. 

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